sexta-feira, 30 de março de 2012

EU MARCHEI NA TUA LUTA

Por Marlene Alves Sousa Luna (Reitora da UEPB)


Em profundo respeito à luta popular, a UEPB participa das celebrações em homenagem ao líder das Ligas Camponesas, na Paraíba, João Pedro Teixeira. As Ligas lutavam por Reforma Agrária, ainda hoje uma necessidade urgente do Brasil para o seu desenvolvimento e para a emancipação popular. 

Em meados do século passado, os camponeses brasileiros, especialmente os nordestinos, aglutinaram-se em torno das Ligas Camponesas para exigir a Reforma Agrária. A resposta do latifúndio e das elites conservadoras a esta manifestação dos trabalhadores rurais que junto aos estudantes e trabalhadores das cidades exigiam outras reformas, que levassem o país a conquistar mais justiça social foi uma intensa reação que culminou com um golpe de Estado e a implantação da ditadura no Brasil. 

Mesmo antes da instauração da ditadura, muitos trabalhadores foram assassinados. As lideranças populares foram ceifadas, entre elas João Pedro Teixeira, que junto com Negro Fuba, Pedro Fazendeiro e outros foram líderes camponeses paraibanos a partir da Liga Camponesa de Sapé. 

No momento do cinquentenário desses assassinatos, a UEPB mais uma vez, em respeito à História do Brasil e a História da Luta dos oprimidos por libertação, oferece a reedição do livro EU MARCHEI NA TUA LUTA que conta às novas gerações a História de Elizabeth e João Pedro Teixeira à frente das lutas da Liga de Sapé. 

Sintonizada com o movimento camponês por Reforma Agrária, a UEPB no início da minha gestão outorgou pela primeira vez a sua honraria máxima, a Medalha do Mérito Universitário, à emblemática líder camponesa Elizabeth Altino Teixeira. 

Em 12 de agosto de 2011, aniversário do assassinato a líder camponesa Margarida Maria Alves, esta medalha volta a ser referendada pelos conselhos superiores da universidade e reafirmada em entrega solene homenageando as Ligas Camponesas e reverenciando Margarida. 

A nova publicação do livro, em 2012, junta-se a esta trajetória de adesão ao movimento camponês como demonstram as parcerias culturais que mantivemos com um dos herdeiros das Ligas Camponesas (o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST).

Um comentário:

  1. Ainda bem jovem, lembro-me das diversas viagens feitas pelo meu pai a Sapé, onde ia ajudar na luta dos líderes camponeses por Reforma Agrária. Esse momento de lutas dos homens do campo comemorado pela UEPB enche meu coração de admiração e também de muita saudade!

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