terça-feira, 17 de maio de 2011

Valorize os outros, a fim de que eles valorizem você


Por Giuliana Rodrigues, da ASCOM/UEPB


Em um programa de TV dos Estados Unidos, chamado “O que você faria?”, foi exibida a seguinte experiência comportamental: jovens atores simularam um trote, semelhantes àqueles praticados por irmandades, sociedades e até mesmo universidades para ingresso de seus componentes.
 
A ideia era que um grupo dominante reproduzisse, em via pública, uma cena de bullying que normalmente acontece a portas fechadas. No episódio, jovens que supostamente desejavam entrar na fraternidade eram obrigados a ingerir imensa quantidade de bebida alcoólica e, em seguida, submetidos por seus “colegas” a sessões de humilhação. Moças e rapazes foram amarrados a postes, pintados com tintas, sujos com lama, insultados e forçados a participar de atividades degradantes.
 
O que o programa pretendia, como o próprio nome indicava, era saber de que forma as pessoas que passavam pela rua reagiriam ao fato. O resultado foi que algumas se indignaram com o que estavam vendo, protestaram, brigaram com os “torturadores”, soltaram os garotos das amarras e telefonaram para a polícia.
 
No entanto, era impressionante como boa parte do público achava a cena interessante, chegando a participar, fotografar e até achar graça. Em geral, a cena sensibilizou adultos, mães ou pais, cujos filhos poderiam ser vítima do bullying que se praticava.
 
De tudo isso, resta-nos refletir: No lugar dessas pessoas, o que faríamos? Será que somos incapazes de ajudar o próximo? Perante alguém que surja enfermo, acidentado ou injustiçado, coloquemo-nos, em pensamento, no lugar difícil desse alguém e providenciemos o socorro possível. Certamente, o auxílio ao próximo é sempre o melhor investimento.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Assistente de Neruda afirma: Poeta foi assassinado pela ditadura


Por Francisco Marín, do Jornal El Clarín

Tudo estava pronto para que o poeta e Prêmio Nobel de Literatura Pablo Neruda se exilasse no México. Ele viajou de sua casa em Isla Negra, no litoral chileno, para Santiago do Chile e um avião enviado pelo governo mexicano estava pronto para levá-lo. No entanto, ele teve que ser internado na Clínica Santa Maria da capital chilena.

Avisou por telefone a sua esposa, Matilde Urrutia, e ao seu assistente, Manuel Araya, que um médico havia lhe dado uma injeção no estômago. Poucas horas depois ele morreu. Araya – que esteve ao lado do poeta nos seus últimos dias - conta um segredo que o afoga: O poeta “foi assassinado”.

O poeta chileno Pablo Neruda às quatro horas da madrugada (de 11 de setembro de 1973), soube do golpe de Estado. Ficou sabendo através de uma emissora de rádio argentina que captava por ondas curtas. A emissora informava que a Marinha tinha se amotinado no porto de Valparaíso.

“Ele tentou se comunicar com Santiago, mas foi impossível. O telefone estava fora de serviço. Somente às nove horas da manhã confirmamos que o golpe tinha estava acontecendo. (...) Esse 11 de setembro foi um dia caótico e amargo, porque não sabíamos o que aconteceria com o Chile e com a gente”.

Manuel Araya Osorio fala de Neruda com a familiaridade de alguém que dividiu momentos cruciais com uma personagem histórica. E de fato. Ele foi assistente do poeta desde novembro de 1972 – quando ele voltou da França – até sua morte em 23 de setembro de 1973.

Este correspondente reuniu-se com esta personagem em 24 de Abril, no porto de San Antonio, próximo a Valparaíso. A entrevista foi realizada na casa do dirigente dos pescadores artesanais Cosme Caracciolo, para quem Araya pediu ajuda para desvendar um segredo que o sufocava: “Tudo que eu quero antes de morrer é que o mundo conheça a verdade: Pablo Neruda foi assassinado”, disse.

Somente o jornal El Lider, de San Antonio, mostrou parcialmente a sua versão em 26 de junho de 2004. Mas não teve repercussão pela pouca influência deste meio.

Araya afirma que sempre quis ver a justiça ser feita. Conta que, em 01 de maio de 1974, propôs a Matilde Urrutia, viúva de Neruda, que se esclarecesse essa morte. Ambos foram testemunhas de suas últimas horas: dormiram, comeram e conviveram na mesma casa a partir do golpe de 11 de setembro de 1973 até a morte do poeta, 12 dias depois, na Clínica Santa Maria em Santiago.

Mas Araya afirma que Matilde – que faleceu em janeiro de 1985 – não quis tomar nenhuma ação para estabelecer eventuais responsabilidades. Segundo ele, Matilde lhe disse: “Se eu começar um processo judicial vão tirar todos meus bens”. Araya conta que em outra ocasião tiveram uma discussão que marcou a ruptura definitiva da relação com a viúva. “Ela me disse que o que tinha acontecido era assunto dela e não meu, porque eu já tinha terminado de trabalhar com Pablo, já não era mais seu funcionário e não tínhamos mais ligação”.

“Neruda queria que, quando ele morresse, a casa em Isla Negra ficasse para os  mineiros do carvão (...) Mas a fundação (Pablo Neruda) apropriou-se da sua obra e não realizou nenhum dos seus sonhos. Eles (os diretores da fundação) estão interessados apenas em dinheiro”, espetou.

Afirma que há dois anos entregou para Jaime Pinos, então diretor da Casa Museu de Isla Negra, da fundação, um relato sobre os últimos dias do poeta. “Mas eles não fizeram nada com essa informação, nem sequer a tornaram pública. Não querem que se conheça a verdade (...) Nunca me deram a palavra nos eventos organizados e nem mesmo nas comemorações da sua morte”.

Araya vem de uma família de camponeses da fazenda La Marquesa, perto de San Antonio. Quando tinha 14 anos foi acolhido em Santiago pela dirigente comunista Julieta Campusano, que lhe o tratou como afilhado.

Esta relação o ajudou, pois Campusano chegou a ser senadora e a mulher mais influente do Partido Comunista, e conseguiu que Araya recebesse um treinamento especial em segurança e inteligência, entre outros assuntos. Araya subiu rápido. Foi mensageiro pessoal de Allende antes de servir como principal assistente de Neruda.

Araya, que era motorista, mensageiro e encarregado da segurança de Neruda, concorda que o autor de Canto Geral tinha câncer de próstata, mas não acredita que essa doença o matou. Garante que essa condição “estava controlada” e que Neruda “gozava de boa saúde, com as fraquezas próprias de uma pessoa de 69 anos”.

"Abandonados"

Araya disse que, após o golpe de 11 de setembro, Neruda, sua esposa e o resto dos habitantes da casa de Isla Negra, estavam “sozinhos e abandonados”. O contato com o mundo exterior era limitado às notícias que chegavam através de um pequeno rádio sintonizando Neruda, às conversas telefônicas esporádicas por um telefone que somente recebia chamadas e ao que era contado na Hospedaria Santa Elena, onde a proprietária “era da direita e sabia de tudo o que estava acontecendo”.

Conta que, em 12 de setembro, chegou um jipe com quatro militares. “Todos estavam com o rosto pintado de preto. Eu saí para recebê-los. (...) O oficial perguntou-me quem estava na casa. Tive que dizer que naquele momento estavam Cristina, a cozinheira; a sua irmã, Ruth; Patrício, que era jardineiro e garçom; Laurita (Reyes, irmã de Neruda); a Sra. Matilde, Pablito (Neruda) e eu."

“O oficial disse-nos que na casa não poderia ficar ninguém além de Neruda, Matilde e eu. Então tivemos que no virar entre os três: dormíamos no quarto do casal que ficava no segundo andar. Eu dormia sentado em uma cadeira, enrolado com uma manta. Fazia isso para ficar mais perto de Neruda, porque não sabíamos o que iria acontecer”.

Em 13 de Setembro, por volta das dez horas da manhã, os militares invadiram a casa. Araya conta que eram aproximadamente 40 soldados distribuídos em três caminhões. Armados com metralhadoras, rostos pintados de preto e uniformes camuflados. Vestido e equipados “como se fossem para uma guerra”.

Ele recorda: “Entravam por todos os lados: pela praia, pela lateral (...) Saí ao pátio para perguntar o que eles queriam. Falei com o oficial que dava as ordens. Ele me disse para abrir todas as portas. Enquanto revistavam, destruíam e roubavam, os militares perguntavam se tínhamos armas, se havia pessoas escondidas, se escondíamos dirigentes do Partido Comunista (...) Mas não encontraram nada. Foram embora em silêncio. Nem pediram desculpas. Sentiam-se donos e senhores do sistema. Eles tinham o poder nas mãos."

Acrescenta que, por volta das três horas da tarde, logo após os soldados do exército irem embora, chegaram os soldados da marinha. “Estiveram por mais de duas horas. Também invadiram a casa e roubaram objetos. Usavam detectores de metal. (...) A Sra. Matilde me contou que o chefão dos marinheiros entrou no quarto de Neruda e lhe disse: 'Desculpas, senhor Neruda’. E foi embora”.

Araya recorda que por vários dias, a Marinha manteve um navio de guerra em frente à casa do poeta. “Neruda dizia: 'Vão-nos matar, vão-nos fazer voar pelos ares’. E eu respondia: ‘Se tivermos que morrer, eu vou morrer na janela primeiro que o senhor’. Fazia isso para encorajá-lo, para se sentir acompanhado. Então ele disse a Sra. Matilde: ‘Patoja – como ele a chamava – veja o companheiro, ele não nós abandonará, ele vai ficar aqui’”.

Araya conta que conversas dessa natureza aconteciam no quarto do casal: eles deitados e Araya sentado na beirada da cama. “Perguntávamos-nos o que faríamos nós sozinhos. Pensávamos que Neruda seria assassinado. Então, decidimos que a única opção era deixar o país”.

A viagem

Araya narra que Neruda lhe disse que seu plano era se estabelecer no México e uma vez lá, pedir “aos intelectuais e aos governos do mundo ajuda para derrotar a tirania e reconstruir a democracia no Chile”.

Relembra “Da Hospedaria Santa Elena – a menos de 100 metros da casa de Isla Negra – entramos em contato com as embaixadas da França e do México. A do México ganhou nota dez. O embaixador (Gonzalo Martinez Corbalá) prontificou-se para nos ajudar. Acho que em 17 setembro ligou para dizer que conseguira um quarto na Clínica Santa Maria. Lá deveríamos esperar a chegada de um avião oferecido pelo presidente Luis Echeverría”.

O problema era transportar o poeta até a clínica. “Com Neruda e Matilde pensamos que a melhor e mais segura forma de chegar lá era de ambulância. Minha missão era conseguí-la. Viajei para Santiago no nosso Fiat 125 e consegui alugar uma ambulância. (...) Lembro que ofereci seis vezes mais do que me cobravam para ter certeza de que realmente fossem nos buscar. Combinamos que fossem no dia 19, porque naquele dia a Clínica teria tudo pronto para receber Pablito”.

“Chega o dia 19 e solicitamos ao quartel do exército da província de San Antonio (Tejas Verdes) permissão para se transportar a Neruda. Disseram-me: 'Não estamos dando passes, menos ainda para Neruda’. Apesar da recusa decidimos partir. A ambulância chegou até a porta que dava para a escada de seu quarto. (...) Ao sair, Neruda despediu-se da sua cadela Panda, subiu na ambulância e deitou na maca. Neruda e Matilde foram de ambulância. Eu os segui de perto no Fiat”.

“A viagem foi triste, caótica e terrível. Controlavam-nos a cada quatro ou cinco quilômetros, parecia impossível chegar ao nosso destino. Saímos às 12:30h de Isla Negra e chegamos às 18:30 na Clinica em Santiago (uma distância de pouco mais de 100 quilômetros)”.

“Na localidade de Melipilla encontramos o controle mais amaldiçoado. Lá Neruda viveu o pior momento. (...) Os militares o tiraram da ambulância e o revistaram. Eles disseram que estavam à procura de armas. Neruda pedia clemência, dizendo que era um poeta, um Prêmio Nobel, que tinha dado tudo por seu país e que merecia respeito. Para amolecer seus corações disse-lhes que estava muito doente, mas a humilhação continuou. Em certo momento nós três choramos de mãos dadas porque pensávamos que chegara o nosso fim”.

Finalmente a ambulância chegou à clínica, três horas mais tarde do que o combinado. “Como chegamos muito próximo da hora do toque de recolher, não podíamos fazer nada mais que permanecer na clínica para pernoitar (...)”.

“O embaixador Martinez Corbalá foi nos ver no dia seguinte. E também o francês, que nunca soube seu nome. Recebemos também a visita de Rodomiro Tomic e Máximo Pacheco (dirigentes democratacristãos), de um diplomata sueco, e mais ninguém”.

A Injeção Misteriosa

Araya disse que os primeiros dias na clínica transcorreram sem problemas. Em 22 de setembro, a Embaixada do México avisou que o avião colocado à disposição por seu governo estava previsto para deixar Santiago rumo ao México em 24 de Setembro. Comunicou ainda que o regime militar havia autorizado o voo.

"Então Neruda pediu a Matilde e a mim que viajássemos a Isla Negra para procurar suas coisas mais importantes, entre elas suas memórias inacabadas. Penso que era ‘Confesso que Vivi’. No dia seguinte – 23 de setembro – partimos bem cedo para a casa em Isla Negra. (...) Deixamos Neruda muito bem na clínica, acompanhado por sua irmã Laurita, que chegou nesse dia”.

Garante que Neruda estava “em excelente estado, tomando todos seus medicamentos”. Nenhum deles era injetável, todos eram comprimidos. Tomamos o cuidado de pegar tudo que ele recomendou. Nisso estávamos quando, perto das quatro da tarde, Neruda ligou para a Hospedaria Santa Elena, onde deram o recado para Matilde, que retornou a ligação. Neruda disse: “Venham depressa, porque enquanto estava dormindo entrou um médico e me pôs uma injeção”.

“Quando chegamos à clínica, Neruda estava muito febril e avermelhado. Ele disse que tinha tomado uma agulhada na barriga (estômago) e que não sabia qual fora a substância. Então verificamos que havia uma mancha vermelha na barriga”.

Araya recorda que momentos depois, quando estava lavando o rosto no banheiro, entrou um médico que lhe disse: “Você tem que comprar urgente para o Senhor Pablito um remédio que não tem na clinica”.

Fui comprar o remédio e Neruda ficou com Matilde Neruda e Laurita. “No caminho fui seguido sem perceber. O médico tinha me dito que não havia esse medicamento no centro de Santiago, mas em uma farmácia da rua Vivaceta ou Independência. Quando saí pela rua Balmaceda para entrar em Vivaceta apareceram dois carros, um atrás e outro pela frente. Homens desceram dos carros e me bateram com socos e pontapés. Não soube quem eram eles. Me esbofetearam muito e depois me deram um tiro numa das pernas”.

“Depois de apanhar, fiquei muito ferido e fui para a delegacia de polícia de Carrión, que fica em Vivaceta esquina de Santa Maria. Então me transferiram para o Estádio Nacional onde sofri graves torturas que me deixaram a um passo da morte. O Cardeal Raúl Silva Henríquez conseguiu me tirar desse inferno. Por isso estou vivo’”.

Neruda morreu às 22:00 horas em seu quarto – o número 406 – da Clínica Santa Maria.

Consultado, o diretor dos arquivos da Fundação Neruda, Dario Oses, anunciou a posição da instituição sobre a morte do poeta:

"Não há uma versão oficial manipulada pela Fundação. Esta se limita aos testemunhos de pessoas próximas a Neruda no momento da sua morte e de biógrafos que obtiveram fontes confiáveis. Há muitas coincidências entre as versões de Matilde Urrutia, em seu livro ‘Minha vida junto de Pablo’, a de Jorge Edwards em ‘Adeus poeta’ e a de Volodia Teitelboim em sua biografia ‘Neruda’. A causa da morte foi câncer. Um dos médicos que o tratou, aparentemente o Dr. Vargas Salazar, tinha avisado a Matilde que a agitação produzida ao poeta de saber sobre o que estava acontecendo no Chile nesse momento podia agravar seu estado. Para esta situação também contribuíram a invasão de sua casa (...), o transporte em ambulância (...) com controles e revistas militares na estrada”.

Mas Manuel Araya diz que não tem a menor dúvida: “Neruda foi assassinado”. E argumenta que a ordem veio de Augusto Pinochet: “De onde mais poderia vir?”.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Bicentenário de nascimento de Franz Liszt, o cosmopolita visionário


Franz Liszt é considerado como uma das personalidades mais estridentes entre os compositores clássicos. Era um excêntrico e um "D. Juan", um pianista virtuoso que enchia as salas de concertos, um intelectual, cosmopolita e muito viajado e, sobretudo, uma pessoa que compunha sem cessar. A sua criação musical abrange 123 obras para piano, 77 canções, 25 obras para orquestra, 65 obras religiosas e 28 obras profanas para coro, assim como inúmeros arranjos, obras para órgão e ainda outras obras. Liszt é percursor da "composição sinfónica", na qual a música descreve momentos cénicos e se torna um meio para se contar uma história.

Franz Liszt nasce a 22 de outubro de 1811 em Raiding, Burgenland, que naquela altura ficava na parte húngara do império austríaco. Desde cedo seu pai (educador musical ambicioso e severo) lhe dá aulas de piano. De Viena, onde Liszt, entre outros, tem lições com Antonio Salieri, a família segue para Paris. E se, por um lado, o Conservatório de Paris, devido à sua nacionalidade, nega a admissão à criança prodígio de 12 anos, o pai, por outro lado, intensifica o treino musical do filho.

Em Paris, Liszt, que se interessa pelas correntes intelectuais do seu tempo, estabelece contatos com muitos artistas da sua época. A comunicação com os grandes gênios musicais como, por exemplo, Frédéric Chopin, Hector Berlioz e Felix Mendelssohn Bartholdy, faz com que Liszt se aperceba dos seus próprios limites musicais, mas este confronto incita-o. Em maio de 1832, numa carta ao seu aluno e amigo Pierre Wolff, Liszt escreve: Há duas semanas que o meu espírito e os meus dedos trabalham como loucos [sic.] - Homero, a Bíblia, Platão, Locke, Byron, Hugo [...], Beethoven, Bach, Hummel, Mozart, Weber todos eles estão à minha volta. Estudo-os, observo-os, devoro-os com entusiasmo e, para além disso, exercito-me 4 a 5 horas [...]. Ah! Se não ficar louco, quando eu regressar, vais ter perante ti um artista!

Os anos seguintes são marcados por incessantes viagens através de toda a Europa, assim como por inúmeras composições e apresentações. Casa com Marie d'Agoult, seis anos mais velha do que ele, com quem tem três filhos. Às estadias na Suíça e em Itália seguem-se inúmeras paragens por toda a Europa. Do ponto de vista artístico, Liszt vê-se na altura confrontado não só com críticas como também com grandes e extremos sucessos. Em 1841/42, em Berlim, Liszt é tão festejado como pianista, sobretudo pelo universo feminino, que Heinrich Heine cria o termo "lisztomaníaco".

Liszt e Marie d'Agoult separam-se em finais de 1843, por Marie Liszt não estar mais disposta a desculpar as suas repetidas infidelidades. Franz Liszt ganha uma violenta disputa pela guarda dos filhos do casal, acabando no entanto por deixar as crianças em Paris com a mãe.

De 1843 a 1861, Franz Liszt é chefe de orquestra em Weimar, tornando-se nessa altura amigo de Richard Wagner que, mais tarde e contra a vontade de Liszt, virá a casar com a sua filha Cosima. Por esta altura inicia a relação com a temperamental princesa Carolyne zu Sayn-Wittgenstein, na qual encontra uma parceira de discussão à altura e, simultaneamente, uma mecenas da sua arte. Os anos de Weimar são a época artística mais produtiva da vida de Liszt. Muitas das suas obras de piano, doze poemas sinfônicos, obras profanas (inúmeras canções, melodramas, coros de vozes masculinas) e música religiosa datam desta altura. Mas o seu reconhecimento como compositor mantém-se pouco significativo. E o mesmo acontece com o seu trabalho como maestro: apreciado por um lado, e, por outro lado, objeto de forte rejeição.

Após cerca de 20 anos em Weimar, Franz Liszt muda-se para Roma. Na verdade, para aí casar com Carolyne zu Sayn-Wittgenstein, a sua companheira. Mas, um dia apenas antes do casamento, Carolyne zu Sayn-Wittgenstein, pressionada pela família que é contra o casamento, retira o seu acordo. Este fracasso tem consequências sobre a relação dos dois, levando por fim à separação.

Liszt passa então a dedicar-se cada vez mais às composições e obras de caráter religioso. Por fim, o Papa Pio IX confere-lhe as ordens menores e a dignidade de abade, vindo assim ainda a realizar-se o sonho juvenil de Liszt de vir a pertencer ao clero. Nestes seus últimos anos de vida, as sua criações como compositor são também finalmente reconhecidas, em especial as suas obras para orquestra e as suas obras religiosas. Em 1886 viaja, já muito doente, para Weimar para assistir ao Festival de Bayreuth, realizado sob a direção da sua filha Cosima. Morre a 31 de julho, poucos dias depois da sua chegada. 

Visionário musical

Franz Liszt é considerado como criador de uma música para piano totalmente nova, num estilo de composição futurista. Como pianista quebrou também com todas as regras, recorrendo a um ou mais temas de óperas conhecidas, os quais ornamentava e transformava em peças brilhantes para piano, juntamente com as suas próprias ideias de composição. Para além disso, Liszt é considerado como o precursor da poesia sinfônica. É este o nome que se dá a uma peça para orquestra que, originariamente, descreve musicalmente conteúdos não musicais, tais como suportes literários ou quadros. Exemplos das poesias sinfônicas de Liszt são a sua Sinfonia Fausto ou a famosa Sinfonia Dante. 

Liszt compôs também muitas músicas de inspiração religiosa. Das principais delas fazem parte, entre outras, a Missa solemnis, a Missa de Coroação Húngara, o Oratorium Christus, e a Graner Messe,  um dos auges da música religiosa do século XIX.

Citação:

"Quando nos mantemos fiéis ao verdadeiro génio da música, a nova arte do som, com todas as suas vantagens instrumentais sutis não tem qualquer outro sentido senão o da flauta de Tuvalkin, o do primeiro instrumento de sopro, o da primeira gaita de foles dos primeiros sanabreses, o do "jodel" alpino, o do psalmo do monge, o do bater das tampas e o do acenar dos bambús dos negros, o do pequeno órgão da Cecília, o do violino de Paganini, o da ópera de Mozart e da canção de Hugo Wolf, ou seja, a função de, numa outra língua que não a das palavras ou a da pintura  ou a da arquitetura, na linguagem dos sons, falar de alma para alma." (Franz Liszt)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Oportunidade de Estágio em Informática e Workshop Engenharias


A Casa Brasil Municipal iniciará nesta sexta-feira, às 14h, processo seletivo para estágios na área de informática. Serão selecionados quatro estagiários em nível técnico e dois em nível universitário para atuarem nas áreas de manutenção, rede, segurança de dados, operação de microcomputadores e multimídia. Os critérios quanto à seleção obedecem rigorosamente o que determina a lei de estágio (lei nº 11.788) e o processo seletivo contará com uma banca, tendo o acompanhamento das instituições de ensino, garantindo a transparência e lisura do processo.

Esta seleção, além de beneficiar os alunos, traz uma importante contribuição à sociedade quanto ao respaldo prático da formação profissional (requisito exigido pelo mercado de trabalho). Desta forma, procura-se também estimular e agregar outros órgãos públicos a contribuir com a formação técnica substanciando a oferta de profissionais em fase de formação, respaldando a tecnologia em nossa cidade. Segundo o coordenador da Unidade, Mário Wilson “é importante frisar que, tecnologia, acima de equipamentos e softwares, é reflexo dos investimentos em formação e qualificação profissional (suporte)”.

A prova de avaliação de conhecimentos acontecerá no auditório da Secretaria de Administração (3º andar), na sexta feira, das 13 às 14h, à Avenida Floriano Peixoto, 692, Centro. A avaliação do resultado será feita na Casa Brasil no dia 16, às 9h, à rua advogado Otávio Amorim, s/n - Cruzeiro, ao lado do antigo Forrock, sob a supervisão dos integrantes das instituições de ensino as quais pertencem os concorrentes e das secretarias responsáveis pelo processo de seleção.

E a última etapa será no dia 18 às 9h quando será realizada uma entrevista coletiva com os classificados. Nessa fase serão resolvidos casos de empate (se houver) com a decisão sobre ocupação de vagas. A divulgação dos resultados será feita no dia 19 através de envio de e-mail a todos os concorrentes e às suas escolas/universidades. A assunção do estágio dependerá dos trâmites burocráticos, mas, a capacitação dos estagiários começará logo após a divulgação dos resultados.
No momento a Casa Brasil está atendendo cerca de 130 pessoas/dia e com essa seleção, a Unidade pretende reiniciar, a partir de junho, a volta da totalidade de suas atividades de cursos e oficinas.

Mais informações contatar: Karina (Secretaria de Administração) - 8892-4904 ou Mário (Casa Brasil) 3335-1251 / 8837-4838.

Estudantes de Engenharia Química promovem workshop
Os estudantes concluintes do curso de Engenharia Química da Universidade Federal de Campina Grande promovem de 16 a 18 de maio o workshop Engenharias. O evento será realizado no Centro de Extensão José Farias da Nóbrega, no campus de Campina Grande.

Na ocasião, os participantes terão a oportunidade de participar de palestras que abordarão as seguintes temáticas: o Exercício do Profissional de Engenharia, o Ciclo evolutivo com a utilização das inovações tecnológicas mediante o uso da Engenharia, Visão logística e Empresarial e Nova Fabrica da Ambev e Oportunidade de Recrutamento.
Já os minicursos oferecidos no evento serão relacionados à produção de cerveja e refrigerante e matrizes energéticas, controle e automação.
As inscrições serão realizadas até esta sexta-feira (13), no stand localizado no Hall da Biblioteca Central. A taxa de inscrição varia de R$ 20 a R$ 80, dependendo do pacote de palestras e minicursos escolhidos pelo participante.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Inscrições abertas para Bolsas de Pesquisa MEXT 2012 no Japão


Estão abertas até o dia 31 de maio as inscrições para as Bolsas de Pesquisa MEXT-2012, para realização de pesquisas em universidades japonesas, oferecendo aos interessados a oportunidade de cursar mestrado e/ou doutorado em universidades japonesas. As inscrições podem ser feitas pelos Correios, pessoalmente ou através de procuração na posse dos documentos necessários. 

Para candidatos domiciliados no Estado da Paraíba, as inscrições devem ser feitas por meio do Escritório Consular da Embaixada do Japão em Recife - PE, localizada na Rua Padre Carpuceiro, 733, 14º andar, Ed. Empresarial Center I, Boa Viagem. Caixa Postal 502, CEP: 51020-280. Tel: (0xx81) 3207-0190.
 
As Bolsas terão duração de 01 ano e seis meses, no valor de 150.000 ienes (sujeito à pequena variação), cerca de R$2.905,50 mensais, abrangendo igualmente as passagens aéreas de ida e volta e a isenção das taxas escolares. As áreas de interesse são várias, abrangendo os campos das Ciências Humanas, Exatas e Biológicas.
 
Para inscrever-se, os candidatos devem ter nacionalidade brasileira, até 34 anos de idade, formação universitária, interesse pela língua e cultura japonesa, dentre outros requisitos.
 
O processo de seleção é dividido em duas fases, a primeira abrange uma prova de línguas e entrevista e a análise de documentos e projeto de pesquisa.  Os melhores projetos serão selecionados e convocados para o exame de entrevista, quando seus documentos serão analisados pelo MEXT-2012 no Japão.
 
Para mais informações acesse o portal: http://www.sp.br.emb-japan.go.jp/pt/cultura/bolsa1_posa.htm

terça-feira, 10 de maio de 2011

Engels sobre Balzac: conservador, mas realista

Por José Carlos Ruy, do Portal Vermelho

Fundador do realismo literário moderno, o escritor francês Honoré de Balzac, sem ser aquilo que se convenciona chamar de romancista histórico, deu à literatura quase uma dimensão histórica- ou, dito de outra forma, deu expressão literária aos fenômenos políticos, sociais, econômicos, de seu tempo. Um tempo em que a burguesia emergia como a força social dominante, lançando os tentáculos do dinheiro e de sua forma de viver não só sobre o proletariado que estava sob seu tacão mas também sobre a velha aristocracia derrotada nas revoluções do final do século 18 e que, mesmo quando conseguiu restaurar parte de seu poder, só pode fazê-lo sob as formas e a lógica tipicamente burguesas.

Mesmo sendo um monarquista e partidário da aristocrqacia, Balzac (cujo aniversário se comemora no dia 20 de maio; ele nasceu em 1799 e viveu até 1850) não deixou suas convicções politicas embotarem o realismo com que encarou e descreveu a sociedade de seu tempo.

Esta é a tese defendida por Engels na carta endereçada à escritora socialista inglesa Margaret Harkness. Escrita em 1888, foi um dos textos onde Friedrich Engels manifestou opiniões elogiosas a respeito da obra de Honoré de Balzac.

Harkness foi autora de vários romances publicados no final do século 19 e havia enviado a Engels um exemplar de seu primeiro livro, “City Girl”. O ardor socialista naqueles anos. Mas hoje ela é lembrada principalmente pelos comentários de Engels a sua literatura.
Na carta, Engels refere-se ao realismo de Balzac que faz o escritor francês superar suas opiniões reacionárias ao descrever com cores fortes a ascensão dos valores burgueses na sociedade francesa de seu tempo.


Confira a carta enviada por Friedrich Engels a Margaret Harkenss:

Londres, início de abril de 1888


Cara Srta. Margaret Harkness


Agradeço muito por me enviar seu "City Girl", através dos Srs. Vizetelly. Eu o li com o maior prazer e avidez. É, na verdade, como meu amigo Eichhoff seu tradutor diz, kleines Kunstwerk ein ... (uma pequena obra de arte).


Se tenho algo a criticar, seria o fato de que talvez, afinal, o livro não é realista o suficiente. Realismo, em minha opinião, implica, para além da verdade dos detalhes, na reprodução de verdadeiros personagens típicos em circunstâncias típicas. Agora, seus personagens são típicos o suficiente, tanto quanto possível. Mas talvez as circunstâncias que os cercam e os fazem agir talvez não sejam parecidas. Em "City Girl" a classe trabalhadora é retratada como uma massa passiva, incapaz de ajudar a si mesma, não podendo mesmo demonstrar (fazer) qualquer tentativa de esforço nesse sentido.


Todas as tentativas de arrastá-la fora de sua apática miséria vêm de fora, de cima para baixo. Agora, se esta era uma descrição correta por volta de 1800 ou 1810, nos dias de Saint-Simon e Owen Robert, ela não pode aparecer assim em 1887 a um homem que durante quase cinquenta anos teve a honra de participar na maioria das lutas do proletariado militante. A reação de rebeldia da classe trabalhadora contra o meio opressivo que a rodeia, suas tentativas - convulsivas, semi-inconscientes ou conscientes - para recuperar sua condição de seres humanos, pertencem à história e devem reivindicar um lugar no domínio do realismo.


Estou longe de ver como uma falha o fato de você não ter escrito um romance socialista à queima-roupa, uma "tendenzroman" (um romance de tendência), como dizemos em alemão, glorificando o ponto de vista social e político do autor. Não é isso que quero dizer. Quanto mais as opiniões do autor permanecerem ocultas, melhor para a obra de arte. O realismo a que me refino revela-se a despeito das opiniões do autor. Deixe-me referir, por exemplo, a Balzac, a quem considero um mestre do realismo ainda maior do todos os Zolas do passado, presente e futuro. Em A Comédia Humana Balzac nos dá uma história maravilhosamente realista da "sociedade" francesa, especialmente do monde parisien (ao mundo social parisiense), descrevendo, na forma de crônica, quase ano a ano de 1816-1848 a ascensão progressiva da burguesia sobre a sociedade de nobres, que reconstituiu após 1815 e estabeleceu outra vez, na medida em que pode, o padrão da viellie politesse française (o refinamento francês).


Ele descreve como os últimos remanescentes deste mundo, que encarava como uma sociedade modelo, sucumbiram gradualmente ante a invasão dos vulgares arrivistas endinheirados, ou foram corrompidos por eles, como a grande dama cujas infidelidades conjugais não passavam de uma maneira de se acomodar com o modo como ela foi preparada em seu casamento, cedeu lugar à burguesia, e chifrava o marido por dinheiro ou cashmere. Em torno desta figura central Balzac agrupou uma história completa da sociedade francesa na qual, mesmo em pormenores econômicos (por exemplo, o rearranjo de bens móveis e imóveis após a Revolução), aprendi mais do que de todos os historiadores professos, economistas e estatísticos do período juntos.


Bem, Balzac era politicamente um legitimista; sua grande obra é uma elegia constante sobre a decadência inevitável da boa sociedade; suas simpatias são todas para a classe condenada à extinção. É por tudo isso que sua sátira nunca é aguçada, sua ironia nunca é amarga, mesmo quando ele põe em movimento os próprios homens e mulheres com quem simpatiza mais profundamente - os nobres. E os únicos homens de quem ele sempre fala com indisfarçável admiração, são os seus mais ferrenhos adversários políticos, os heróis republicanos do Cloître Saint-Méry, os homens, que na época (1830-6) foram de fato os representantes das massas populares. Que Balzac tenha sido obrigado a ir contra suas próprias simpatias de classe e preconceitos políticos, que tenha visto a necessidade da queda dos seus nobres favoritos, e que os tenha descrito como pessoas que não mereciam melhor sorte; e que tenha visto os verdadeiros homens do futuro no púnico lugar onde então eles só podiam ser encontrados – isto é o que considero um dos maiores triunfos do realismo, e uma das maiores características do velho Balzac.


Devo admitir, em sua defesa, que em nenhum lugar do mundo civilizado são os trabalhadores menos ativamente resistentes, mais passivamente submissos ao destino, mais hébétés (confusos) do que no East End de Londres. E como posso saber se você não tem boas razões para, contentando-se com uma imagem inicial da passividade da vida da classe trabalhadora, não tenha reservado o lado ativo para um outro trabalho?

Friedrich Engels

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Abertas inscrições para o Prêmio Jovem Cientista 2011


 Da Assessoria do CNPQ

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) está com inscrições abertas, até o dia 31 de agosto, para o 25º Prêmio Jovem Cientista. A edição de 2011 comemora os 30 anos do prêmio e os 60 anos do conselho.

Com o tema "Cidades Sustentáveis", o prêmio tem o objetivo de promover o debate e a pesquisa, revelar talentos e investir  em estudantes e jovens pesquisadores que procuram alternativas para os problemas brasileiros.

São quatro categorias: "Graduado", "Estudante do Ensino Superior", "Estudante do Ensino Médio" e "Mérito Institucional". Também será concedida uma menção honrosa a um pesquisador doutor indicado por comitês do CNPq, associações ou sociedades científicas e instituições governamentais.

Na categoria Mérito Institucional serão premiadas duas instituições – uma de ensino médio e outra de ensino superior – que tiverem vinculados o maior número de trabalhos com mérito científico, desenvolvidos por candidatos inscritos nas categorias Graduado, Estudante do Ensino Superior e Estudante do Ensino Médio.

Os orientadores das três categorias e as escolas dos três classificados do Ensino Médio serão agraciados com laptops, como forma de estimular e reconhecer a cadeia de aprendizagem. Todos os premiados receberão, ainda, bolsas de estudo do CNPq.

Na categoria Graduado, os vencedores serão agraciados com R$ 30 mil (1º lugar), R$ 20 mil (2º lugar) e R$ 15 mil (3º lugar). Para Estudantes do Ensino Superior, os valores são de R$ 15 mil para o 1º lugar, R$ 12 mil para o 2º lugar e R$ 10 mil para o 3º lugar. Estudantes do Ensino Médio classificados em 1º, 2º e 3º lugares recebem um laptop de última geração cada um.

No Mérito Institucional, serão pagos R$ 35 mil para cada uma das duas instituições – uma de Ensino Médio e uma de Ensino Superior – que tiverem o maior número de trabalhos com mérito científico inscrito. O pesquisador que for indicado para a Menção Honrosa ganhará R$ 20 mil.

Mais informações no portal www.jovemcientista.cnpq.br.