segunda-feira, 5 de março de 2012

A crise da ADUEPB e a luta pela Atonomia da UEPB

Por Belarmino Mariano Neto (professor do Centro de Humanidades da UEPB)

Em um dos momentos mais delicados da história da UEPB, com a crise instalada a partir da quebra da autonomia da instituição, por parte do Governo do Estado, que não garante a previsão orçamentária da UEPB para o ano de 2012, o professor Cristovão Andrade, presidente do sindicato dos professores, alinhado com as determinações do governo estadual, tentou realizar manobras políticas usando a categoria contra a Administração da UEPB durante a ASSEMBLEIA GERAL DOS PROFESSORES, realizada no período da tarde, do dia 2 de março de 2012. Como o mesmo não estava obtendo êxito em seus encaminhamentos, que eram um a um rejeitados, o mesmo resolveu abandonar a categoria em plena assembleia geral. 


A grande maioria dos presentes permaneceu em assembleia e os trabalhos foram reiniciados com a clara racionalidade política de um dos históricos fundadores de nosso sindicato, o professor Benjamin. O mesmo assumiu o controle do sistema de som e conclamou os presentes a permanecerem no ambiente para que déssemos continuidade aos trabalhos. Por aclamação, foram reiniciados os trabalhos e se retirando apenas os dirigentes sindicais e um pequeno grupo que acompanharam o professor Andrade que, ao se retirar da assembleia, levou consigo parte das anotações que foram discutidas e propostas durante a assembleia. 


Com essa atitude, dezenas de professores da UEPB, sindicalizados históricos da ADUEPB e professores não sindicalizados ficaram indignados com o Presidente da ADUEPB e o que segue são depoimentos importantes que de fato esclarecem os reais acontecimentos daquela assembleia inclusive propondo novas ações que possam garantir uma NOVA ADUEPB com a força dos docentes da UEPB: 


Sobre os erros da ADUEPB 
Por Railda Fernandes (professora do Departamento de Psicologia da UEPB) 


Estimados colegas professores da UEPB! 


Como professora sindicalizada à ADUEPB não poderia me calar diante dos últimos acontecimentos. É imperante que a verdade venha a público para que todos tenham o direito de conhecê-la. A versão publicada pela ADUEPB em seu site é falsa e direcionada a interesses outros, diferentes daqueles que serviram de argumento para a convocação da assembleia. 


Esclareço: a ADUEPB, sindicato que deve, por obrigação, defender os interesses dos docentes, defende os interesses do Governo. Invés de lutar pela defesa da autonomia da Instituição, trata de defender o Governo. E não é a primeira vez que a diretoria do sindicato se equivoca. 


Equivoca-se? É importante lembrar que essa mesma diretoria, durante os anos de 2007 e 2008, lutou acirradamente contra a implantação do PCCR, orientando, equivocadamente, os professores sindicalizados a não aderirem ao novo Plano. Um ano depois, essa mesma diretoria, constatando a perda de adesão de seus sócios e reconhecendo o grande ERRO cometido, abre uma agenda de negociação com a Administração Central da UEPB, cuja solicitação é a reabertura de um novo período para adesão ao PCCR. 


Nos últimos meses, depois de instalada a crise entre UEPB e o Governo do Estado, quanto à falta de respeito à Lei de Autonomia, mais uma vez a diretoria do sindicato, por razões que não alcanço compreender, ao invés de defender o interesse dos docentes, defende o descumprimento da Lei e, se não fosse pouco, ajuda o Governo a difamar a UEPB e a Administração Central junto à comunidade campinense. POR QUÊ? 


Por último, e não menos grave, essa mesma diretoria, na assembleia de sexta feira, dia 2 de março de 2012, por total inabilidade e preparo para conduzir a mesma, resolve encerrá-la, comportando-se como uma autoridade totalitária. E ISSO É LEGAL? Ou a assembléia é SOBERANA? A fatídica decisão foi tomada quando constatou que suas propostas, elaboradas previamente com o objetivo claro de desvirtuar o real motivo de nossa luta, iam ser derrotadas. 


Na tentativa de obscurecer sua inabilidade, quer plantar na opinião dos demais professores que os docentes Pró-Reitores e, inclusive, os que têm cargos eletivos não podiam estar presentes na assembleia para defender a UEPB. Assim, colegas, por considerar que esta diretoria não tem MORAL para defender os interesses dos docentes da UEPB, peço que seja destituída e que seja convocada nova eleição para dirigir o nosso Sindicato. 


Por Ozéas Jordão (professor) 

Quero apresentar aqui meu reconhecimento e aplausos a todos que, de uma forma ou de outra, estão demonstrando firmeza na Defesa da Autonomia da UEPB. Tenho recebido vários emails que demonstram este sentimento de lutar até conseguir reverter todas as ações que atentam contra a Lei de Autonomia Universitária, venham de onde vierem. Em todos os emails se pode identificar reações de manifestos contra as atitudes que vem tomando o presidente da ADUEPB, identificadas por nós como sendo contrárias a luta pela restauração da Autonomia da UEPB.  

As atitudes do presidente da ADUEPB, na pessoa do professor Andrade, apoiado pelos demais membros da direção sindical presentes, ocorridas na Assembleia da última sexta-feira, dia 2 de março de 2012, e as notícias divulgadas por ele denegrindo a imagem dos docentes da UEPB e, por consequente a imagem da Administração Central são, ao meu juízo, mais do que suficientes para empreendermos todos os esforços no sentido de efetivar a destituição da mesma o mais urgente possível.  Neste sentido, a imediata filiação ao sindicato daqueles que por um motivo ou outro estão desfiliados é uma medida fundamentalmente necessária e urgente! Parabenizo a todos que assim estão agindo. Deste modo, a luta agora ganha mais esta dimensão: a destituição da atual diretoria da ADUEPB. 

Gostaria que os colegas que formam esta diretoria compreendessem a gravidade da luta que estamos fazendo na defesa da UEPB e renunciassem imediatamente para facilitar o processo de substituição da Diretoria e venham se juntar aos que estão na luta em defesa da autonomia universitária e, consequentemente, de melhorias salarial e de trabalho no presente e futuro! Sem Autonomia estas melhorias são imporssívei.  Sigamos firmes na luta!!  

Por Eli Brandão (professor)  

Também eu, como muitos outros colegas, que historicamente militamos neste Sindicato e lutamos para que esta Universidade conquistasse a Autonomia Financeira e chegasse a esse estágio atual e pudesse ir mais longe, pedimos desfiliação da ADUEPB. E o fizemos constrangidos, porque sua diretoria deixou de nos representar. Ao contrário, passou a lutar contra os interesses da categoria, contra os avanços, exemplarmente, o PCCR.  Havia também outros motivos, como a falta de prestação de contas, a falta de criatividade e competência para organizar as áreas sociais e políticas, etc. Enfim, o nosso Sindicato passou trabalhar em favor dos interesses pessoais de diretores e, como é o caso de agora, a serviço do governo do estado. Lamentável! 

Esse Sindicato tem uma história a honrar.  Para completar, que vergonha! Em pleno processo de votação, o presidente foge do plenário da Assembleia para não ver mais uma das propostas encaminhadas e defendidas pela diretoria da ADUEPB (contrariando princípio elementar de regra parlamentar) ser derrotada. Também concordo que foi um desrespeito a forma de tratamento dispensado aos professores não filiados, colegas que exercem o magistério nesta mesma UEPB e constituem a maior parte da base da categoria, pois a maioria não é sindicalizada, certamente porque não acredita na atual gestão.  

O Sindicato é para lutar e para representar não os "filiados" mas a categoria. E, por categoria, entendo todos. Todos na condição de professores. O problema é grande e afeta a todos. O problema é, portanto, de todos. A solução, do mesmo modo, deve ser deliberada por todos. A luta é de todos! As conquistas serão de todos! Nesta segunda-feira (5), vou ao Sindicato preencher ficha de filiação ao tempo em que vou fazer campanha de filiação. Vou também, como o fiz por ocasião de minha desfiliação, divulgar minha justificativa em relação a esta atual decisão.

sábado, 3 de março de 2012

Boas vindas aos estudantes

Por Marlene Alves Sousa Luna (Reitora da UEPB)

​Caro estudante, nesta segunda, 5 de março, iniciaremos mais um semestre letivo para atividades desta Universidade. SEJA BEM-VINDO À UEPB! 

​Neste momento, esta Academia de construção e socialização de saberes abre mais uma página de sua história de conquistas! Você faz parte dessa comunidade de mais de 24.000 mil pessoas (3 mil novos estudantes, 15.550 veteranos, 1.000 da Pós Lato Sensu, 600 da Stricto Sensu; 2.000 em cursos a Distância; 1.000 em Pedagogia Especial; 1,200 professores e 800 técnicos. 

Sinta-se parte numa Universidade, patrimônio do povo da Paraíba, que trabalha pela qualidade e pelo bem social. São diversos programas de apoio acadêmico, projetos de pesquisa e de extensão; programas de inclusão social e Assistência Estudantil (PREVEST, Restaurante Universitário, Residência Universitária, Bolsa Manutenção, Bolsa Transporte, Tutoria). Você que ingressa agora na vida da UEPB ou que retorna ao convívio acadêmico para mais um semestre será mais um a contar e escrever novas páginas nesta grandiosa história. 

Para este ano, projetamos importantes metas, entre outras, a inauguração da Central de Aulas, consolidação dos Campi, o aumento do acervo bibliográfico, melhoria das condições de ensino e a contratação de novos professores e técnicos concursados. Estas e outras conquistas não seriam possíveis sem a AUTONOMIA FINANCEIRA DA UEPB (Lei nº 7.643/2004 e Lei nº 7.954/2006) que criou as condições para a Universidade implementar célere desenvolvimento, sendo hoje referência no Norte e Nordeste do Brasil. 

​O Ensino da UEPB assegura a formação do cidadão crítico e socialmente comprometido, solidariamente integrado à sociedade, com responsabilidade social, ética e competências profissionais que lhe dão condições de concorrer de forma qualificada no mercado do trabalho. 

​É neste espírito de luta, conquistas, solidariedade e compromisso com crescimento social, científico e tecnológico da Paraíba, que lhe recebemos para mais um semestre. Sinta-se em casa, a UEPB somos todos! 

Desejamos que seu curso seja marcante para o seu crescimento pessoal e acadêmico. Boas aulas! 


Golaço da ADUEPB

Fonte: Blog Emerson Saraiva


A última sexta-feira, 2 de março, foi um dia dos mais importantes para o atual momento da UEPB. As duas categorias de trabalhadores que compõem o corpo técnico-administrativo e docente da instituição realizaram assembleias que poderiam ter como decisões mais importantes a deflagração de greves.

Na assembleia realizada durante a manhã, o SINTESPB decidiu pela greve dos funcionários a partir do dia 5 de março, data de início do semestre acadêmico 2012.1 na Universidade.

O sindicato alegou como “principal motivo da paralização o não respeito à data-base salarial, que desde janeiro de 2011 não vem sendo respeitada.”

Na assembleia realizada no turno da tarde, que se estendeu até o início da noite, veio a grande notícia do dia. A greve, apesar de esperada por muitos, sequer foi votada pelos professores.

Depois de horas de discussão e do que alguns presentes descreveram como uma cena hilária, quando o principal dirigente da categoria teria, diante do encaminhamento de um texto de uma nota que não teria lhe agradado, tentado encerrar a assembleia “à força”, de maneira atabalhoada, no mais puro estilo “não brinco mais”, a categoria dos professores decidiu iniciar normalmente as atividades do semestre letivo.

Essa foi, sem dúvidas, a maior vitória da UEPB ao longo de todo esse processo.

A partir de segunda-feira entrará em campo a mais numerosa, importante, ativa e mobilizada categoria da Universidade: os mais de 20 mil estudantes, interessados diretamente na demanda entre a instituição e o Governo do Estado e maiores afetados pela decisão unilateral do governador de não cumprir a lei da Autonomia Financeira e a lei orçamentária de 2012.

Esses estudantes, que até agora estavam afastados do debate, embora participando indiretamente através de seus representantes, finalmente poderão conhecer a fundo o que realmente está acontecendo, nas versões da Universidade e do Governo, debater entre si, a partir do que lhes for apresentado em fatos e documentos e, de acordo com o seu entendimento, passar a participar efetivamente da demanda, defendendo a Universidade na sua luta pela Autonomia ou tomando o partido do Governo, que garante estar repassando o suficiente para a Universidade sobreviver, crescer e, neste momento, em especial, conceder aos seus servidores os aumentos que vêm represando desde 2010, quando começaram os cortes significativos de recursos para a instituição, primeiro com o Governo Maranhão, que ficou devendo mais de 60 milhões à UEPB, e depois com o atual Governo, que, alegando um verdadeiro caos em suas finanças em 2011, apelou à Reitoria para que lhe desse um voto de confiança e continuasse recebendo menos do que lhe era devido no ano passado, com a promessa de quitação de toda a dívida e normalização dos repasses no início deste ano.

A ADUEPB fez um golaço na assembleia da última sexta-feira e todos os que dela participaram e a conduziram para esse resultado merecem a gratidão da Universidade.

O SINTESPB, que poderia ter feito o lançamento para o gol, jogou a bola para a lateral.

Graças à decisão dos professores de não enveredar pelo caminho da paralização, a entidade proporcionou à UEPB a oportunidade que precisava para falar cara a cara com seus alunos e mostrar-lhes o que todos – professores, funcionários, alunos e a população paraibana – têm a perder com a quebra da autonomia.

O governo, por sua vez, também terá a oportunidade de apresentar aos estudantes os dados que tem divulgado na mídia e buscar o apoio do corpo discente à sua tese de que a Universidade não vinha aplicando corretamente seus recursos e que esse dinheiro será melhor aproveitado pelo governo em sua política de investimentos em grandes obras, como o recém-lançado PAC da Paraíba.

Se fosse uma partida de futebol, o time da Universidade já teria agora diretoria, treinadores e comissão técnica. Na segunda chegam as peças mais importantes da equipe: os jogadores.

Mas, perguntar não ofende, se fosse uma partida de futebol, quem seriam os jogadores da equipe do Governo?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Moção de apoio à luta pela autonomia da UEPB


A União Nacional dos Estudantes vem se solidarizar e apresentar seu total apoio à luta da comunidade acadêmica da UEPB pelos ocorridos nos últimos meses e acirrada nos últimos dias. No último dia 31 de janeiro, o Governo do Estado da Paraíba publicou de maneira arbitrária uma medida que limitou o recurso que deveria ser destinado à instituição muito abaixo do que determina a Lei de autonomia, ferindo-a totalmente.

Não bastasse a limitação do recurso que já estava nos planos administrativos da Universidade, chegando a comprometer a campanha salarial dos professores e a assistência estudantil dos acadêmicos, o Governador ordenou o fechamento da conta tesouro da instituição, onde se guardavam os recursos adquiridos das diversas fontes financeiras, e passou a movimentação para uma conta única administrada pelo próprio Estado, deixando a UEPB refém das variações políticas e orçamentárias da Paraíba.


A universidade Estadual da Paraíba vem hoje sofrendo uma forte ameaça e violação dos seus direitos, estes que foram conquistados mediante muita luta ao longo dos anos de esforço e determinação por parte dos estudantes, funcionários e professores que, quando ainda era Universidade Regional do Nordeste-URNe, ajudaram a construir uma universidade Estadual que hoje, consequência do avanço dessas lutas, desfruta de uma Lei que lhe dá autonomia financeira e administrativa. Nos últimos seis anos de prática dessa Lei, a universidade cresceu a ritmo acelerado, minimizando as debilidades estruturais, profissionais e também um pouco da assistência estudantil.


Portanto a União Nacional dos Estudantes se posiciona a favor da luta da comunidade acadêmica da UEPB em defesa da Autonomia e garantindo que a universidade continue sendo gratuita e prime pela qualidade.
Saudações estudantis,

União Nacional dos Estudantes

Nova vítima: RC agora enfrenta a UEPB


Blog Pensamento Múltiplo - Flávio Lúcio (professor de História da UFPB)

Fim da autonomia financeira interessa a quem? Em junho de 2009, poucos meses depois de José Maranhão ter assumido o Governo da Paraíba, fiz questão de registrar dois importantes legados deixados pelo ex-governador Cássio Cunha Lima. 

O primeiro foi a Lei Anti-nepotismo, aliás, nunca adotada na Prefeitura de João Pessoa. O segundo, a Lei que assegurou a autonomia financeira da UEPB. Sobre esse segundo legado, transcrevo ipsi litteris o que escrevi: 

“Uma outra importante e corajosa atitude do ex-governador [Cássio] foi a iniciativa, convertida na lei 7.643/2004, que concedeu autonomia financeira à Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).” (Clique aqui para acessar a lei)

Segundo essa lei, a universidade tem assegurada para o seu financiamento, inclusive para gastos com pessoal, um percentual mínimo de 3% que tem como fonte os recursos ordinários do Estado.

Foi essa iniciativa que permitiu que a UEPB tivesse um grande crescimento, tanto qualitativa como quantitativamente. Em termos qualitativos, a UEPB pode, com a autonomia, entre outras coisas, tanto investir na qualificação dos seus docentes como atrair para seus quadros jovens mestres e doutores formados pelas Pós-Graduações brasileiras – e mesmo estrangeiras, – o que deu um impulso na produção intelectual da instituição, fator essencial para as avaliações e reconhecimento da universidade.

Em termos quantitativos, a autonomia financeira permitiu que a UEPB se consolidasse como universidade. De um lado, concentrando os cursos de Campina Grande, antes espalhados por várias faculdades, em um único campus universitário, o que constitui importante avanço para a consolidação de um ambiente universitário. 

De outro, a UEPB se viu em condições de expandir sua presença por importantes regiões do estado, inclusive em João Pessoa. Antes restrita aos campi de Campina Grande, Lagoa Seca e Guarabira, depois de 2004 a UEPB chegou a João Pessoa, Catolé do Rocha, Monteiro, Patos e Araruna, o que não apenas promove a ampliação do acesso ao ensino superior público, seguindo o que acontece no plano nacional, como inquestionavelmente ajuda o desenvolvimento econômico, social e cultural dessas regiões.

É bom lembrar que em 2009, em plena crise financeira mundial - a maior desde 1929 - que levou a uma redução relativa do PIB brasileiro que, naquele ano, cresceu pouco mais que 0 %, e, como consequência, levou a um aperto orçamentário, o então governador José Maranhão chegou a ensaiar um corte no orçamento da UEPB, redução que ele teve que executar em outros setores do governo. 

A reitora da UEPB, Marlene Alves, a mesma que hoje se levanta contra essa ação de RC, reagiu e confrontou o governo denunciando um corte anual (anual) no orçamento da universidade de R$ 16 milhões! Maranhão recuou e manteve o que estava projetado no orçamento daquele ano para a UEPB. 

O atual governador não apenas ensaia hoje movimentos pró-federalização da UEPB – coisa que ele não só se opôs como denunciou durante a campanha de 2010, – como promove um corte de nove milhões de reais (por mês) nos repasses determinados pela lei da autonomia financeira. E com a UEPB cheia de planos de expansão, alguns em plena execução.


UEPB constrói "Central de Aulas" de vários andares. Isso seria possível sem a autonomia financeira?

Além disso, existe a questão política e administrativa para a comunidade universitária da UEPB e para o futuro da instituição. O fim da autonomia financeira é uma porta aberta para a volta da tutela política das administrações por parte do governo do estado. 

Como eu já disse aqui antes, a "intervenção estatal sobre a universidade tem origem em outra e mais significativa limitação imposta e ela que é o controle sobre o seu financiamento, sem o qual as outras formas de controle dificilmente se efetivariam." A autonomia financeira também permite mais autonomia política e administrativa para a universidade. As atitudes de Marlene Alves em defesa pública da UEPB comprovam isso.

Com essa ação, RC apenas confirma uma mudança de rumos na sua concepção de Estado e de administração pública. A lógica que permeou ações anteriores – como a transferência para a administração privada do Hospital de Traumas de João Pessoa e, como pretende RC no futuro, de todos os hospitais públicos de referência da Paraíba – foi a obsessiva busca do governador pelo controle de gastos, mesmo com a projeção de expressivo crescimento da arrecadação pública no ano, assim como também aconteceu em 2011. 

O fim da autonomia financeira da UEPB, enfim, compõe infelizmente aquilo que pretende ser apenas um quadro no que será o conjunto da obra ricardiana em termos de Estado: redução de suas atribuições e ampliação da participação da iniciativa privada nas atividades econômicas da Paraíba.

Por que, a quem interessa interromper o processo de consolidação e o fim da expansão da UEPB na Paraíba?

Por que cortou? Cortou por quê?


do blog Emerson Saraiva  

Em sua linda manifestação pelo meio ambiente, “Querelas do Brasil”, imortalizada na voz de Elis Regina, Aldir Blanc denuncia:

“O Brasil não conhece o Brasil, O Brasil nunca foi ao Brasil”.

“O Brasil não merece o Brasil, O Brasil tá matando o Brasil”.

Aqui na Paraíba, na verdadeira querela que se transformou a discussão sobre a quebra da autonomia da UEPB pelo Governo do Estado, algo de muito bonito, tal qual a música de Blanc, também vem surgindo a partir de um ato de violência.

A UEPB está começando a conhecer a UEPB.

A Paraíba está começando a conhecer a UEPB.

É impressionante perceber a reação de algumas pessoas da própria universidade – me incluo – ao descobrir projetos absolutamente fantásticos, como a escola de música da comunidade Guabiraba, em Lagoa Seca, a escolinha de educação física dos meninos da Vila dos Teimosos, o grupo de balé com meninas de várias comunidades carentes, a maravilhosa Universidade Aberta da Melhor Idade, as bandas filarmônicas que estão sendo formadas na Liberdade e em Bodocongó, em Campina Grande, e mais, literalmente, um “monte” de iniciativas, atividades e projetos desenvolvidos em todos os câmpus da UEPB e que, me arrisco a dizer, atendem hoje talvez mais pessoas fora dos cursos de graduação do que eles próprios.

Sim, é isso mesmo que estou dizendo: a Universidade da Paraíba provavelmente atende, direta e indiretamente, mais pessoas das comunidades do entorno de seus câmpus do que aquelas que são matriculadas em seus cursos superiores. Interessante isso, não?

Só na extensão, são centenas de projetos desenvolvidos por professores, funcionários e alunos com o principal objetivo de levar a universidade ao encontro daqueles que não fazem parte de seu público primário, mas que recebem formação e informação que tem mudado de maneira efetiva o rumo de muitas vidas e comunidades.

A partir deste ano a UEPB inicia de fato um projeto de alfabetização, protagonizado pelos alunos das licenciaturas, que promete atingir de maneira decisiva os altos índices de analfabetismo que a Paraíba ainda ostenta e que ainda são responsáveis pela manutenção política de muitas “lideranças” afeitas às práticas ultrapassadas de fazer política. O próprio governo divulga o projeto como “um reforço na luta contra o analfabetismo no Estado”. Só não divulga que outras ações, principais, empreendidas pelo Estado, seriam as que estariam recebendo esse “reforço”.

A verdade é que essas e muitas outras iniciativas da UEPB, é preciso reconhecer, jamais foram divulgadas com o destaque merecido. Ao contrário de governos que anunciam com pompa e circunstância ações absolutamente prescindíveis de qualquer destaque midiático, a instituição sempre optou pela discrição e restringiu a divulgação de seus atos e projetos a uma estratégia mais passiva, através da publicitação de seus atos para o público interno, em seus canais institucionais ou com a atuação cotidiana de sua assessoria de comunicação.

E como projetos de alcance social sem políticos envolvidos, sem exploração da pobreza e sem escândalos éticos e morais não são lá grandes atrativos para a mídia, a cobertura dessas atividades jamais teve o destaque merecido, principalmente em um cenário político como o da Paraíba, onde a imprensa prefere ocupar todo o seu espaço de debate com polêmicas e rame-rames.

No final das contas, foi preciso que a UEPB fosse envolvida, mesmo depois de um ano de tentativas de não chegar ao confronto, em uma querela político-administrativa para que fosse dado aos seus dirigentes o espaço e a oportunidade para que, como forma de defender a necessidade de sua autonomia, possam estar hoje, a cada entrevista, debate, assembléia, encontro, audiência, enfim, contato com o público, interno ou externo, apresentando o que a universidade tem feito de bom. E isso tem calado tanta gente...

O que me parece descompensado a essas alturas do debate, e com possibilidade de descompensar ainda mais, é que enquanto a UEPB utiliza os espaços concedidos para apresentar provas documentais (lei, orçamento, correspondências protocoladas etc.) e o já citado “monte” de ações, projetos e atividades com beneficiamento direto da população, da alfabetização à pós-graduação, o governo não conseguiu, até agora, apresentar sequer um papel que lhe consubstancie o que afirma – a manutenção da autonomia. São, indiscutivelmente, apenas palavras ao vento, quase sempre pronunciadas por assessores escalados para dar “a cara à tapa” e por pessoas com inconfessáveis interesses e relações com a administração pública estadual.

No máximo, o Governo tenta insinuar mal uso dos repasses, mas também não apresenta sequer algum indício de irregularidade cometida pela atual administração.

Foi sua maior besteira nesse processo. Acusar uma instituição de um crime do qual não tem provas e, muito pior, sequer indícios.

Diz que pretende usar o dinheiro retido para benefício de pessoas que não têm acesso à universidade e termina entrando numa tripla contradição.

Primeiro porque ao diminuir os recursos propicia justamente o aumento das pessoas sem acesso ao ensino superior, segundo porque tem dado repetidas declarações de que as receitas estão crescendo muito acima da média (o que tornaria injustificado o corte e, pelo contrário, deveria resultar em maiores investimentos) e, terceiro, porque ao invés de estar aumentando os investimentos na educação está é fechando escolas.

Sendo assim, a conclusão óbvia a que se pode chegar é que o pensamento do governo é: “Se a gente encolhe a estrutura da educação básica vai ter menos alunos aptos ao ensino superior. E como não vai ter aluno, não precisa dinheiro para a universidade”.

Inteligente, não?

E enquanto isso, como comporia Aldir Blanc...

“A Paraíba conhece a UEPB...”

“A Paraíba gosta mais da UEPB...”

“A Paraíba defende a UEPB...”

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Carnaval e Educação: a defesa da Autonomia da Universidade Estadual da Paraíba


A luta em defesa da Autonomia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) não para nem mesmo no carnaval. Na noite da última quarta-feira (16), no desfile do bloco carnavalesco Muriçocas do Miramar, em João Pessoa, centenas de estudantes protestaram contra o fim da Autonomia da Instituição.

Como forma de manifestação contra a atitude do Governo do Estado, vários estudantes se vestiram de preto e levaram faixas que chamavam a atenção para o assunto com frases como: "Sou estudante, não abro mão, prioridade tem que ser educação" e #AutonomiaUEPB. 

O fim da autonomia da UEPB tem sido motivo de várias manifestações da comunidade acadêmica e toda a população paraibana, através de movimentações populares e redes sociais. A mobilização tem envolvido todos os segmentos da sociedade em torno do assunto. Uma sessão especial para discutir o tema já foi, inclusive, realizada pela Assembleia Legislativa da Paraíba e nos próximos dias o Congresso Nacional irá abordar a questão.