quinta-feira, 15 de março de 2012

Em memória do líder camponês João Pedro Teixeira


Preocupada em preservar a memória da história da Paraíba, e em profundo respeito à luta popular, a Universidade Estadual da Paraíba é uma das instituições que participarão, no próximo dia 2 de abril, do evento em homenagem ao líder camponês João Pedro Teixeira, a ser realizado na região de Sapé-Mari. No dia em que se completarão 50 anos de sua morte - vítima do latifúndio - diversas caravanas de professores, servidores e alunos de vários câmpus da Universidade se encontrarão com outras caravanas e convidados para um dia inteiro dedicado à memória da luta dos camponeses por Reforma Agrária, através do movimento das Ligas Camponesas na Paraíba.

Localizada no Sítio Barra de Antas, a casa onde viveu João Pedro Teixeira será transformada em um Memorial onde será implantado um Centro de Formação para jovens e adultos, agricultores da região. Fundador da primeira Liga Camponesa na Paraíba, Teixeira é considerado um mártir da luta pela terra no Nordeste, sua vida dedicada à defesa dos agricultores despertou a fúria de grandes latifundiários que culminou no seu assassinato no município de Sapé, localizado na mesorregião da mata paraibana.

O encontro da história de João Pedro Teixeira com a UEPB não é de agora. A viúva do camponês, Elizabeth Teixeira, que o substituiu liderando a Liga Camponesa de Sapé após a sua morte, recebeu a primeira Medalha do Mérito Universitário concedida pela Universidade Estadual da Paraíba, através dos conselhos superiores, honraria máxima da UEPB, devido a sua determinação à frente dos camponeses na luta pela Reforma Agrária.

Segundo o Professor José Benjamim, é preciso reverenciar a luta camponesa por terra no contexto da luta popular por emancipação social. “Tudo isso é muito importante para a nossa história. Por isto, além do apoio à mobilização do dia 2 de abril, a Universidade está reeditando o livro ‘Eu Marcharei na tua Luta’, que conta a história de Elizabeth Teixeira, sua vida com João Pedro Teixeira e, consequentemente, parte da história das Ligas Camponesas aqui na Paraíba”, explicou o professor se referindo a obra organizada pelas professoras Lourdes Bandeira, Neide Miele e Rosa Godoy, que será reeditada pela editora da UEPB.

Um pouco sobre João Pedro Teixeira

O início dos anos 60 não foi nada pacífico para o movimento camponês na Paraíba. Por essa época, os latifundiários intensificaram suas ações armadas levados pelo sucesso alcançado pelas Ligas Camponesas, interpretadas como uma grave ameaça aos interesses dos proprietários de terras. Eram comuns os confrontos entre trabalhadores e capangas contratados. O clima de violência grassava como nunca nas propriedades rurais onde famílias inteiras eram mantidas em regime semifeudal.

O aumento do foro (valor pelo arrendamento da terra), o fim do “cambão” (o equivalente da “corveia” medieval) e também das ameaças de morte e dos castigos corporais foram algumas das principais reivindicações dos camponeses por meio das Associações de Trabalhadores, que a imprensa da época transformaria nas lendárias Ligas Camponesas. Foi nesse vendaval de acontecimentos que, em Sapé, passaria a atuar um homem destemido, de senso prático e solidário. João Pedro Teixeira nascera em 4 de março de 1918, no distrito de Pilõezinhos, à época pertencente ao município de Guarabira (distante 90 km da capital do Estado).

Sua condição social já o predestinava a ser o condutor de pobres lavradores explorados pelos “barões da roça”. Filho de pai do mesmo nome e de dona Maria Francisca da Conceição, o menino logo veria a mão do latifúndio cair sobre a família dele. João Pedro Teixeira (o pai) vinha resistindo às investidas de um proprietário de terras que tencionava se apropriar de tudo ao redor, inclusive da gleba de João Pedro. A situação se agravara quando, num forró, dois filhos desse mesmo latifundiário, acompanhados de capangas, partiram para agredir o pequeno produtor.

Para se defender, João Pedro pai matou seus agressores. Fugiu e nunca mais apareceu. Dona Francisca deixou o local onde morava e foi residir em Guarabira, mas João Pedro filho ficou com os avós. Com a morte do avô, um tio por parte de pai o levou para ser criado em Massangana (Cruz do Espírito Santo). Ali começava a sua labuta diária com jornadas que lhe tomavam praticamente o dia todo. Quando alcançou a maioridade, foi trabalhar numa pedreira próxima a Café do Vento, localidade pela qual passam os viajantes na direção de Campina Grande ou de Sapé. Ali conheceu a jovem Elizabeth Teixeira, com quem se casou em 26 de julho de 1942.

Entre o final dos anos 50 e início dos anos 60 encontra-se um ativo militante das causas camponesas na pessoa de um homem que jamais se curvava ao poder do latifundiário. Por essa época, João Pedro já sentia o hálito da morte penetrar em suas narinas. No dia 2 de abril de 1962, o líder camponês viajou à capital para supostamente tratar de uma ação de despejo. Em João Pessoa, foi comunicado de que o encontro havia sido adiado e só iria ocorrer à tarde. Na verdade, tudo era uma trama urdida pelos latifundiários Antônio Vítor, Aguinaldo Veloso Borges e Pedro Ramos Coutinho.

Os três haviam planejado, em minúcias, a morte de João Pedro. A acusação viria do cabo Chiquinho, que perpetrara o assassinato com a colaboração de mais dois criminosos. João Pedro partiu da capital no último ônibus. Descera em Café do Vento e deu início àquela que seria a sua última caminhada. Depois disso, três tiros disparados de algum matagal próximo tiraram a vida de um homem que tinha um único sonho: tornar o campo um lugar de paz e harmonia.

Confira a programação do evento:

CINQUENTENÁRIO DO ASSASSINATO DE JOÃO PEDRO TEIXEIRA:
DATA: 2 de abril de 2012

9h: Concentração no cemitério de Sapé (onde está enterrado o líder camponês) e caminhada até a praça João Pessoa

9h30 – 11h30: Ato público na Praça João Pessoa

13h30: Carreata para Barra de Antas

14h: Inauguração do Memorial das Ligas Camponesas

segunda-feira, 12 de março de 2012

NUTES da UEPB se destaca pelo pioneirismo na área de tecnologia em saúde




Na era moderna, em que os produtos usados na medicina são fabricados com recursos cada vez mais eficientes, a tecnologia e a saúde não podem caminhar separadas. Embora estejam inseridas em campos diferentes, as duas áreas têm pontos em comum e, quando unidas em um mesmo espaço, podem promover mudanças revolucionárias na fabricação e na qualidade dos equipamentos  disponibilizados a sociedade.  

A Universidade Estadual da Paraíba entendeu essa dinâmica. Prova disso é que o primeiro laboratório de certificação de softwares de saúde do país é da Instituição: o Núcleo de Tecnologia Estratégicas em Saúde (NUTES), que está prestes a ser inaugurado. O laboratório, que está instalado no Campus I da UEPB, em Campina Grande, foi destaque em reportagem veiculada na edição de fevereiro da Revista Nordeste. Com título “Pioneirismo Tecnológico”, a reportagem de três páginas apresenta o Laboratório como um dos grandes projetos na área tecnológica desenvolvida pela UEPB. Quando estiver em funcionamento, trará inúmeros benefícios para os profissionais que atuam com biomedicina.

O texto dimensiona a importância do NUTES e cita dados de um portal de ciência e tecnologia francês, que coloca o Centro de Inovação Tecnológica do Nordeste entre os 10 mais reconhecidos no mundo. É nesse contexto, ligando a tecnologia à área de saúde, que o NUTES nasceu como importante projeto de alcance nacional.  

Reconhecendo o potencial da Universidade Estadual da Paraíba, a reportagem enfatiza que o projeto para a realização da “Avaliação de Conformidade”, também conhecido como “Certificação”, levará tecnologia para o mundo e atestará a qualidade dos produtos com softwares. Com o NUTES da UEPB, o Brasil passará a contar com um moderno centro de especialização em engenharia biomédica, com atividades nas áreas de Engenharia Clínica, validação de certificação de software embarcado em equipamentos médicos, design e manipulação de imagens médicas.  Isso, porque, indiscutivelmente, a confiabilidade dos softwares é tão importante quanto à do produto em si.

Segundo o professor Misael Morais, responsável pelo projeto, “o software é um importante elemento na fabricação ou funcionamento de um equipamento médico - o cérebro do aparelho - e deve contar com um programa para a garantia da qualidade do mesmo”. Para ele, a certificação dos softwares utilizados nos produtos médicos obriga os fabricantes a melhorarem continuamente a qualidade dos serviços.

Vice-reitor da Universidade Estadual da Paraíba e ligado ao Centro de Ciência e Tenologia (CCT), o professor Aldo Bezerra Maciel ressaltou que a publicação da Revista Nordeste ratifica a dimensão do projeto e seu valor para o mundo cientifico. O NUTES, conforme explicou o vice-reitor, é um projeto eminentemente da UEPB que funcionará numa pareceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e Ministério da Saúde. 

“Ele vai ser um laboratório de certificação. Funcionará como laboratório referenciado para certificar os equipamentos desenvolvidos por laboratórios particulares”, explicou Aldo. O projeto, segundo ele, consiste na estruturação de um centro de especialização em engenharia biomédica, apto a executar atividades nas áreas de Engenharia Clínica. “É um projeto da maior importância nesta área, que é estratégica em tecnologia em saúde”, salientou. De acordo com o professor, o projeto tem a capacidade de integrar o pessoal do Departamento de Computação – área de tecnologia – com o pessoal do Departamento de Biologia e Farmácia – área de saúde.  

Com o NUTES fica estabelecida a capacidade laboratorial para a análise da qualidade de software embarcado em sistemas médicos e para análise da qualidade de tecnologias de produtos para a saúde, com participação efetiva de docentes e discentes de áreas multidisciplinares, principalmente da Engenharia da Computação e Saúde. O Núcleo funcionará em um amplo prédio que está sendo construído no Campus I da Instituição. As obras estão em ritmo adiantado e a previsão é de que ele seja inaugurando já no primeiro semestre deste ano, dando início, assim, às pesquisas.  

Com uma área física de 1.000 m², o NUTES englobará laboratório de engenharia biomédica, laboratório de eletrônica, laboratório para desenvolvimento e validação de software, laboratório para prototipagem rápida de produtos e laboratório para manipulação de imagens. O projeto prevê, ainda, uma Cooperação Técnica com o Institute of Experimentelles Software Engineering – IESE, que é uma unidade do Instituto Fraunhofer da Alemanha.

Aldo lembrou que, hoje, o governo federal tem muita despesa com saúde. Por isso, precisa investir em pesquisas e desenvolver tecnologias que contribuam para melhorar a qualidade dos produtos que têm softwares embarcados e baratear o preço no mercado.  

sexta-feira, 9 de março de 2012

Ex-secretário critica Governo RC por ferir autonomia da UEPB

Fonte: www.opipoco.com.br


O professor Fernando Abath Cananéa, ex-secretário de Educação do Estado, criticou a iniciativa do Governo Ricardo Coutinho de ferir o princípio da Autonomia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), que vem provocando uma crise interna na Instituição.

Abath fez essa declaração ao comentar notícia tratando de uma decisão do diretor do Centro de Humanidades, do Campus de Guarabira, Belarmino Mariano Neto, de se desfiliar do PSB, em protesto contra o que considerou uma arbitrariedade do Governo do Estado em relação à Universidade.

Disse Abath: “A autonomia de uma universidade é fator preponderante e o maior de seus valores, pois sem autonomia técnica, científica, administrativa e financeira, essa instituição de ensino não poderá produzir conhecimento livre”.

Adiante o ex-secretário, mestre em Educação, complementa: “É inadmissível e inaceitável o que está se fazendo com a UEPB. Minha solidariedade aos docentes, técnico-administrativos e discentes dessa conceituada universidade paraibana”.

No início do Governo RC, quando foi nomeado secretário de Educação, Abath era considerado um dos melhores quadros da gestão que se iniciava. Porém, um mês e meio depois, Abath deixou o Governo, alegando problemas de saúde, em meio aos caos que se instalou após demissão de milhares de servidores.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Administração Central da UEPB rebate acusações de golpe contra a Associação dos Docentes


O pró-reitor de Planejamento da Universidade Estadual da Paraíba, professor Rangel Júnior, em nome da Administração Central da Instituição, rebateu, nesta quinta-feira (8), as declarações do presidente da Associação dos Docentes da UEPB (ADUEPB), Cristóvão Andrade, dando conta de que a equipe de auxiliares da Reitoria estaria tentando dar um golpe na entidade sindical.

Segundo o professor, estava prevista para a assembleia dos docentes, realizada na última sexta-feira (3), uma pauta de trabalho a ser votada, mas, ao perder a proposta, o presidente da ADUEPB começou a criar dificuldades para o encaminhamento dos pontos de pauta. Ainda de acordo com Rangel Júnior, não houve participação de representantes da Administração Central no tumulto generalizado que tomou conta da assembleia.

“Vários professores, identificados com a tese que ele apresentou, se posicionaram a frente da mesa da assembleia e fizeram um grande tumulto, pedindo que as propostas não fossem votadas uma contra a outra. Nenhum desses professores era pró-reitor da UEPB. O tumulto foi criado pela mesa e pelas pessoas que se identificaram com sua proposta. Eram apenas 24 pessoas contra 51”, frisou Rangel Júnior, acrescentando que o que incomodou o presidente sindical foi o fato de haver dois terços favoráveis a uma tese e menos de um terço contra.

Para ele, a ADUEPB está sendo muito mal assessorada tecnicamente no que tange as questões orçamentárias - apesar de todos os números estarem à disposição - haja vista as demonstrações de completo desconhecimento da realidade da Universidade, por parte de seu presidente, quando o mesmo vai à imprensa dizer que não há problemas, que a Reitoria tem muito dinheiro e que não dá reajuste por que não quer.

“É simples: nós tínhamos um orçamento previsto de R$ 285 milhões e o Governo decidiu que iria repassar apenas R$ 218 milhões em doze duodécimos fixos. Isso contraria a Lei de Autonomia, fere os princípios das leis que regem os recursos financeiros da UEPB”, enfatizou o professor.

Rangel Júnior acrescentou que apresentou uma proposta tratando da crise da Universidade, assim como Cristóvão Andrade uma outra. No entanto, o presidente da ADUEPB se recusou a colocá-la em votação. “Ao invés de colocar em votação, ficou agindo para que isso não acontecesse”, destacou o pró-reitor de Planejamento. 

Na avaliação da Administração Central da UEPB, todos são livres para se manifestar, protestar, fazer greve, trabalhar, reivindicar e participar de suas instâncias de base. “Um docente é chamado para ocupar um cargo de gestor porque é professor e não o inverso. Portanto, sua condição primária é esta: a de professor. A reitora já tem trabalho demais para se ocupar da base sindical e suas divergências. Porém, ao mesmo tempo, deixa claro que respeita e espera reciprocidade dos que ocupam funções de direção ou liderança”, concluiu Rangel Júnior.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Mulher hoje: reflexão, celebração e luta

Por Eli Brandão (Pró-reitor de Graduação da UEPB)


O dia 8 de março é celebrado como o Dia Internacional da Mulher. Celebra-se porque foi uma conquista não de um dia, mas da história de tantas mulheres que protagonizaram mudanças significativas na sociedade, assim como tantas outras que, de forma silenciosa, tiveram papéis fundamentais na formação de nosso mundo. 

Em certo sentido, porém, seria bom não precisar de um dia assim. Seria muito bom se já vivêssemos numa sociedade de direitos assegurados a todos. Seria muito melhor se não precisássemos conviver com uma cultura de violência, muitas vezes, de brutalidade da herança patriarcal. 

O ideal seria constatar que a luta das mulheres por igualdade de oportunidades e respeito pelos seus direitos tivesse sido plenamente vitoriosa. Infelizmente, ainda estamos longe disso. Há muito a conquistar e o caminho é longo o suficiente para que homens e mulheres continuem a lutar intensamente por uma vida mais digna e uma sociedade mais cidadã.

No âmbito social, os ganhos ainda são frágeis e a dívida é enorme, particularmente, em relação às mulheres, pois muitas ainda são objetos de discriminação no acesso ao mercado de trabalho, ganham salários inferiores aos dos homens, além da dupla ou tripla jornada de trabalho, e o poder econômico continua a ser predominantemente masculino. 

Quanto ao poder político, as mulheres vêm conquistando lugares de destaque, no lar e no trabalho, em cargos públicos, como é o caso da presidência do Brasil e do que se afigura como possibilidades de candidaturas nestas próximas eleições, mas nada comparável ao número de homens em postos políticos. 

É imperioso que as mulheres tomem consciência do seu lugar na sociedade e empreendam sua luta para conquistarem seu lugar de dignidade no desempenho da atividade profissional. É muito preocupante o aumento da violência contra as mulheres e crianças. Todos os dias os noticiários estão dramaticamente repletos de casos reais, como se não pudéssemos sair deste modelo de extrema dominação, que resulta em morte e desolação. É imperioso que toda a nossa sociedade deve sinta-se indignada por essas tragédias e empreenda ações de mobilização e luta para romper o círculo dessa tormenta.

Bom é saber que em muitos lugares, como é o caso das universidades, e muito particularmente da UEPB, um mundo novo se constrói no cotidiano, mundo que pressupõe como natural que homens e mulheres partilhem, de forma digna e equânime, direitos e responsabilidades, um compromisso por construir uma sociedade cada vez melhor, menos violenta e injusta, mais fraterna e cidadã.

Meu desejo é que todas as mulheres, neste simbólico dia de reflexão, celebração e luta, renovem suas forças e busquem uma vida mais feliz.

Minha homenagem poética a todas as mulheres!

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
[...]
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

(Adélia Prado)

Autonomia da UEPB em debate no Congresso Nacional



Em discurso no Congresso Nacional, na última terça-feira (6), o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) lamentou o tratamento que a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) vem recebendo do governo do Estado da Paraíba. A forma como o chefe do Executivo Estadual tem tratado a UEPB, rasgando, inclusive, a Autonomia da Instituição, tem provocado, segundo Vital, indignação a toda a sociedade da Paraíba e feito milhares de vozes se levantar contra a medida. 


Ele ressaltou de forma veemente que a Universidade perdeu recursos por força de uma decisão unilateral e arbitrária do Governo do Estado. De acordo com o parlamentar, no último dia 31 de janeiro foi publicado, no Diário Oficial do Estado, o cronograma mensal de desembolso do estado. Vital do Rêgo informou que o valor designado para a UEPB veio bem abaixo do esperado. Para ele, a sociedade paraibana, especialmente os professores, funcionários e alunos, precisam se manter mobilizados para que as graves ameaças que pairam sobre a Universidade sejam definitivamente afastadas. 


O parlamentar observou, com base em informações da reitora Marlene Alves, que a instituição tem direito a 5,77% da receita estadual – o que corresponderia a R$ 27 milhões mensais e não aos R$ 18,7 milhões, conforme publicado. Por mês, conforme contou Vital, a UEPB está perdendo R$ 9 milhões de seu orçamento, o que comprometerá o seu funcionamento e os investimentos em programas de pesquisa e extensão. 


Para Vital, se for quebrada a Lei da Autonomia da UEPB será aberto o caminho para alguns espertalhões que, marotamente, já começam a se aproveitar da situação para propor a privatização ou a federalização da instituição, o que é inaceitável. “Desde então, o que temos observado são inúmeras vozes lideradas pela valente Marlene Alves que se levantam contra a medida”, observou. 


Vital afirmou que tem plena consciência do que representa a UEPB para o Nordeste. O senador declarou que a UEPB é um patrimônio do povo paraibano, com oito campi, que oferecem 46 cursos de graduação para 20 mil alunos, além de 13 cursos de mestrado e 3 doutorados. Vital do Rêgo destacou a importância da educação e destacou que, em países como os Estados Unidos e Coréia do Sul, por exemplo, há muito mais jovens matriculados em cursos universitários do que no Brasil. “Não posso assistir, passivamente, a uma manobra que coloca em risco a Autonomia Financeira da UEPB”, afirmou. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Sobre silêncios provocados pela ADUEPB

Por Joelson Pimentel (professor da UEPB) 



Com a fuga desesperada e injustificada da Assembleia, na última sexta-feira, 2 de março, espero que a diretoria da ADUEPB reconheça suas limitações e a derrota que provocou para si mesma. Com isto, agora me sentirei segura para preencher minha ficha de filiação e voltar à condição de servidora sindicalizada. Por que não o fiz antes? Alguns momentos se mostram emblemáticos para que não o fizesse, dentre os quais destaco os seguintes.  


Em dezembro de 2007 recebemos no campus VI a visita desse sindicato. Como naquele momento eu e os demais colegas (todos, diga-se de passagem) discordávamos do pleito do sindicato que queria que não aceitássemos o PCCR tal como proposto pela Reitoria, não fomos ouvidos. Já com a ficha preenchida em mãos, preferi atirá-la ao lixo, pois pela primeira vez vi uma instância sindical chegar com as propostas prontas e determinadas, negando o direito à voz e ao planejamento à classe que representa.


Foi naquele momento que percebi a fragilidade de uma instância que deveria nos representar, lutando contra a própria categoria – pelo menos naquele campus estávamos todos convencidos disto, o que permanecemos convictos até hoje. Assim, companheiros, nesse momento eu não pude falar porque era novo na Universidade, pretexto da ADUEPB para que não nos dessem ouvidos.  Este ano, estamos em meio a uma luta pela manutenção da Lei de Autonomia da UEPB. Isto estava claro para todos que compareceram à Assembleia da ADUEPB na sexta-feira. 


Ouvi de uma professora “não aguento mais escutar essa palavra, autonomia” – até manifestações dessa natureza são aceitas em um evento assim. Óbvio que não teríamos uma unanimidade. Mas, igualmente improvável deveria ser um sindicato lutar mais uma vez por uma causa que não seja da categoria – estou aqui entendendo que a Autonomia Financeira da Universidade seja também uma causa da categoria, ou pelo menos de sua maioria. Mais uma vez me decepcionei. 


Em mais uma oportunidade queriam me negar o direito de falar, com o argumento de que não sou sindicalizado, o que é forte para mim, pois desde meus tempos de metalurgia que me sinto com a obrigação e direito de ser filiado a um sindicato.  Como se esse argumento não bastasse, vários foram os manifestantes presentes que declararam ou insinuaram que eu, como diretor de centro, assim como os demais gestores presentes, não tínhamos legitimidade para estar naquela assembleia. 


Ora, acaso deixamos de ser professores, de ter interesse pelo bem da Universidade? Passamos a desprezar o nosso desenvolvimento profissional? Não queremos mais pensar em nossa progressão ou em melhoria em nossas condições de trabalho e em nossos salários? A mesa diretora dos trabalhos em nenhum momento se pronunciou contrário a esse tipo de ataque, mostrou-se condescendente, chegando a publicar em seu site excertos que corroboram isto.  Sobre essa matéria gostaria de acrescentar que sou diretor de centro porque fui eleito segundo as normas estabelecidas em nossa Universidade, de forma democrática. 


A mim não foram prometidos ou concedidos quaisquer favorecimentos pessoais na Universidade ou fora dela, nem eu os aceitaria. Também por esse motivo permaneço convicto na luta por uma instância sindical dessa Universidade livre de interferências do governo ou de quaisquer outros grupos que tenham interesses que não sejam os nossos, negociados de maneira legítima, convergindo para o bem e desenvolvimento da UEPB e da Paraíba. 


Sindicato é para lutar pela categoria, não pelo governo ou outras instâncias administrativas. Que a nova diretoria não caia nesse mesmo erro. Seja na luta pela Autonomia ou em quaisquer outros momentos, que ouça a sua categoria e a represente de fato, falando em seu nome segundo a demanda por ela estabelecida. Falando especificamente desse momento, é de todos em luta pelo cumprimento da Lei de Autonomia, da gestão da Universidade, da ADUEPB, do povo paraibano, da academia brasileira, logo há muita convergência entre os interesses de todas essas esferas. Mas o sindicato, caros companheiros, deve falar em nome de toda a categoria de docentes, ouvindo-a, não sucumbindo a ofertas que extingam nossa capacidade de luta e minem as conquistas da Universidade.