quarta-feira, 9 de junho de 2010

A música e a poesia de Adeildo Vieira


Por Oziella Inocêncio, da ASCOM/UEPB

Unindo o bom ecletismo da MPB, com seus reggaes, sambas, quase-maracatus, o paraibano Adeildo Vieira coleciona admiradores. O cantor, compositor e professor da UEPB, Antonio Guedes Rangel Junior, é um deles. Nas palavras do artista, os arranjos de Vieira são de encher os ouvidos de quem gosta de música de qualidade. Outro que se curvou ao talento do gênio oriundo de Itabaiana, é o professor da UFPB, Jaldes Reis de Meneses. Para ele, Adeildo encontrou uma forma estética interessante de absorver os impasses cotidianos de um compositor popular - uma figura da alegria e da tragédia.
Apesar de sempre ter tido contato com a produção musical no seio familiar, através de seu irmão mais velho, Antônio de Pádua - que toca violão desde os oito anos – a música se inseriu em sua vida após a adolescência, de forma absolutamente espontânea. Esta necessidade súbita de lidar com a música fez com que Adeildo redirecionasse seus caminhos, posto que, quando isso aconteceu, ele cursava o segundo período de Engenharia Mecânica na UFPB. Vieira, então, passou a se interessar pela poesia e elegeu o violão como companheiro de inquietude. Diz que, desse modo, largou as Ciências Exatas para se dedicar a dúvida. E, hoje, faz dela matéria-prima.
Nesta entrevista concedida a ASCOM/UEPB, o músico revelou alguns de seus projetos futuros e discorreu acerca dos temas abordados em sua trajetória artística.


ASCOM/UEPB- Sobre o que falam suas canções? Em que se inspira para escrevê-las?

Adeildo Vieira- A existência é o elemento essencial. As emoções e o comportamento humanos dão a forma para o pensamento e para a poesia que levo pras minhas canções. Acho que quando fazemos música é porque temos algo pra dizer pra humanidade e o efetuamos através da expressão que mais nos realiza e nos dá a sensação de missão cumprida. Minhas canções são este exercício de brincar com a palavra e com os sons para dar um recado às pessoas. Isso porque o que me interessa mesmo é a música na sua concepção mais lúdica e ao mesmo tempo mais engajada.

ASCOM/UEPB- Em sua vida, o que representa a música, a criação?

Adeildo Vieira - A música que faço é o que liga a minha existência com a realidade. É uma missão que procuro cumprir com dignidade, decência e compromisso com a transformação da vida em algo melhor. A música é algo sério que infelizmente muitos confundem com o mercado e seus malefícios. A criação é a doce tarefa de caminhar para alcançar o horizonte - nós mesmos escondidos nas sombras dos ocasos e auroras. A música é o alimento da minha lira, que me fortalece e contamina aos outros com poesia. É a lança e a armadura da felicidade que acredito. Alegra, conscientiza, fortalece e enfeita a estrada dos dias.

ASCOM/UEPB- Se não fosse cantor/compositor o que gostaria de ser?

Adeildo Vieira - Não tenho a menor idéia! Talvez astronauta, talvez mecânico, ou piloto de avião, ou talvez eu vivesse desempregado sofrendo crise existencial... Sei lá, mas acho que sou um cara meio confuso. A começar pela minha formação profissional. Tenho o curso superior em Jornalismo e não nutro o menor tesão pela profissão. Costumo dizer que fiz Jornalismo por desespero vocacional. Se eu não fosse músico, com certeza eu seria louco por música. Só isso!


ASCOM/UEPB
- Qual música de sua autoria você gosta mais? Por quê?

Adeildo Vieira - Tem muitas músicas minhas que eu gosto de cantar e também ouvir. Mas tem uma muito particular, que me emociona, porque fiz pros meus três filhos, Rudá, Uaná e Cairé. Trata-se da música “Um, Dois, Três, Viva!!!”, que está no CD “Diário de Bordo” e que  tem a participação deles na gravação. Isso ficou marcado para o resto da minha vida e, por envolver os meus amados filhos, me emociona muito. É a minha “Hey Jude”. Aliás, recomendo que ouçam. Gosto tanto da música como da letra, pois é a minha verdade na minha relação com meus garotos.

ASCOM/UEPB- Quais seus cantores/compositores prediletos?

Adeildo Vieira - Muitos. Por isso minha obra é tão eclética. Chico Buarque, Paulo Ró, Elis Regina, Gláucia Lima, Beatles, Paul Simon, Jackson do Pandeiro, Sivuca, Milton Dornellas, Biliu de Campina, Chico Cesar, Gilberto Gil, Zabé da Loca, Caetano Veloso, Escurinho, João Bosco, Pedro Osmar, Dona Ivone Lara, Penha Cirandeira, Hermeto Pascoal, Mercedes Sosa, música africana e suas dezenas de compositores e cantores... É por isso que a música tem tudo pra fazer a gente feliz, porque existem sons maravilhosos de toda forma pra nosso deleite. Claro que não falei nem um décimo de minhas preferências. Há muito com o que se deleitar.

ASCOM/UEPB- Quantos CD's gravados em sua trajetória?

Adeildo Vieira
- Lancei, no ano 2000, o meu primeiro CD, intitulado “Diário de Bordo”, com recursos da então Lei Viva Cultura, da Prefeitura Municipal de João Pessoa. Depois veio, em 2008, o DVD “Chega Junto”, com produção independente e o apoio da TV Cidade João Pessoa. Finalmente lancei, em novembro passado, meu segundo CD, com recursos do FIC - Fundo de Cultura Augusto dos Anjos do Governo do Estado da Paraíba - chamado “Há Braços”, para o qual estou trabalhando na divulgação.

ASCOM/UEPB- Poderia discorrer um pouco mais acerca desta última produção?
Adeildo Vieira - “Há Braços” tem 14 faixas e está sendo vendido na rede de lojas Furtacor, em dois shoppings em João Pessoa (Shopping Sul e Shopping Tambiá). Já fiz um pré-lançamento dele no ano passado, mas estou devendo ao público, e a mim mesmo, um lançamento decente, onde possa tocar todas as músicas do CD, através de um show vibrante e bem produzido. Este espetáculo está agendado para o dia 26 de agosto próximo, no Teatro Paulo Pontes, em João Pessoa. Porém, aqueles que desejarem acessar as músicas dos meus CDs poderão visitar o site www.adeildovieira.com.br. Lá é possível baixar todas as músicas gratuitamente. Acho isso muito legal!

ASCOM/UEPB - Para além da música, quais atividades desempenha atualmente?

Adeildo Vieira - Trabalho na ilha de edição do DECOMTUR, na UFPB, onde sou editor de imagens, com muita honra. Terminei o curso de Jornalismo, mas prefiro mesmo exercer as minhas inquietudes musicais na busca da profissionalização. Do Jornalismo restou apenas a minha capacidade de entender a relação da vida com a imprensa. Isso já me basta para alimentar ainda mais minhas inquietudes. No mais, sou um defensor intransigente da cena cultural da nossa Paraíba e faço disso o meu ofício.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O nirvana de LACHAPELLE

Por Iara Crepaldi, da Revista Serafina

Após romper com a fotografia comercial e se isolar da fama no Havaí, o fotógrafo mais pop dos anos 1990 saiu da ilha para falar e mostrar as imagens –inéditas no Brasil– de sua nova fase

David LaChapelle é o fotógrafo de celebridades mais célebre do mundo. Nos últimos 25 anos, suas imagens extravagantes e de cores saturadas estamparam capas de revistas, campanhas publicitárias milionárias e clipes de música pop premiados. De tal forma que, hoje, cobiçadas por galeristas de olho nos colecionadores que podem pagar US$ 30 mil por uma obra, suas fotos são familiares para qualquer um que leu revistas, assistiu à TV, comprou CDs ou foi ao cinema nos anos 1990.

As mais recentes manifestações de reconhecimento de seu trabalho foram o prolongamento da exposição, "The Rape of Africa", na galeria Robilant + Voena, em Londres, por um mês (até 23 de junho) em razão do interesse do público e da imprensa –sem precedentes na casa; e ainda a bilheteria recorde de sua mostra na Monnaie de Paris, em 2009. Claro, LaChapelle também recebe muitas críticas negativas. A principal delas é que seu trabalho não é arte.

"Eu não vejo nenhuma diferença entre ser fotógrafo e artista. Os críticos não gostam quando alguém usa imagens pop para falar sobre algo profundo. Eu quero fazer algo que as pessoas entendam, não quero ser conceitualmente obscuro, como muita coisa é na arte contemporânea", falou à Serafina, por telefone, de Londres, na semana de abertura de sua exposição, no final de abril.

LaChapelle sempre quis ser artista. Mudou-se de Connecticut (EUA) para Nova York com essa intenção aos 18 anos, em 1981. A carreira na fotografia começou de forma circunstancial. Pupilo de Andy Warhol (1928-1987), LaChapelle viu o artista pela primeira vez na lendária boate Studio 54, aos 14 anos, numa festa da banda norte-americana Village People. Como não conseguia viver de sua arte quando chegou à cidade, foi procurar Warhol para mostrar as fotos que produzia quando estudava na Escola de Artes da Carolina do Norte. Warhol o convidou para ser fotógrafo de sua revista, "Interview" –para LaChapelle, "suas páginas eram paredes de galerias".

A vida em Nova York com Warhol e na cena do Studio 54 era uma montanha-russa de sexo, drogas e rock’n’roll. No começo, ele fotografava somente em preto e branco, imagens escuras e densas. Muito depois de ter mudado para cor, entendeu o porquê do período sombrio e explicou que tinha uma atitude muito séria, circunspecta, diante de tudo na época, por achar que iria morrer como seu primeiro namorado, HIV positivo –LaChapelle não é portador do vírus.

Com a cor, começou a criar imagens icônicas, que registravam o mundo sem reproduzir o que é visível e retratavam as obsessões da cultura ocidental –glamour, cirurgia plástica, fama, riqueza, sexo, religião. "Eu buscava alguma forma de escapismo para o peso de tudo o que havia vivido", explica.

Em pouco tempo, um dos primeiros fotógrafos a manipular suas imagens digitalmente para criar cenas surreais e barrocas, LaChapelle havia conseguido fotografar uma série de personagens do showbiz –de Madonna, Uma Thurman e Elton John a Drew Barrymore, Naomi Campbell e Gisele Bündchen– em situações extremamente imaginativas e, frequentemente, com forte conotação sexual.

A VIRADA

Histórias de suas festas, do trabalho como garoto de programa para pagar as contas no começo da carreira e de suas passagens em clínicas psiquiátricas (ele sofre de transtorno bipolar), ajudaram a forjar o mito. Workaholic, durante duas décadas trabalhou meses seguidos sem tirar folgas, até perceber que a fotografia comercial já não era o que queria e que aquele estilo de vida o desequilibrava. "Eu senti que já havia dito tudo através do meu trabalho, e não aguentava mais aquele ritmo. Precisava levar uma vida saudável, fazer exercícios", afirma.

Então, em 2006, no topo da indústria, LaChapelle virou o jogo e rompeu com a mídia publicitária e editorial. Comprou a área de uma antiga colônia de nudismo, de 80 mil m2, em Maui, no Havaí, e a transformou em uma fazenda orgânica, para viver de modo saudável e fotografar cenas que comunicassem seus ideais.

Ele conta que, após a ruptura, ficou meses sem atender a telefonemas de revistas. Em algumas entrevistas, chegou a se referir a Hollywood como um "mundo de merda".

Mas, aos poucos, LaChapelle se reconcilia com o circo da fama. Voltou à cena para expor, segundo ele, o que está no centro do seu coração em galerias e museus.

A seguir, o fotógrafo norte-americano fala sobre a nova vida. "Para mim, viver e fotografar são uma coisa só."

(A assessora da galeria em Londres coloca LaChapelle na linha e ele começa a falar em português.)

Tudo bem Vitamina de abacate (risos). Essas são as únicas coisas que sei falar em português. Aprendi quando estive no Brasil. Não sabia que o abacate poderia ser doce, amei. Na minha fazenda, tem muitos abacateiros, e adoçamos a vitamina com o mel das abelhas de lá. Já temos tantas espécies de abacate que, em alguns anos, vamos ter a fruta o ano inteiro (risos).

Como foi sua viagem ao Brasil?
Os brasileiros são incríveis, gentis, pacíficos. Passei meu Ano Novo favorito no Brasil em 1992. Fui fotografar a noite em Ipanema. Todos os grupos religiosos vestidos de branco, as pessoas cantando para Iemanjá e mandando oferendas ao mar. A festa na favela me assustou um pouco. Mas foi a noite mais mágica da minha vida.

E o que você tem feito no Havaí?
Eu continuo fotografando na floresta, isolado, conectado pela internet. Eu recebo artistas famosos ou pouco privilegiados de vários países para trabalhar na fazenda, aprender sobre sustentabilidade e se inspirar. Todo mundo ajuda a cuidar da natureza, dos bichos, da cozinha, e tem de deixar dois livros na biblioteca antes de partir. Lady Gaga esteve lá no verão passado e cozinhou massa no meu aniversário. É uma troca de ideias, eles me interessam, quero saber o que fazem, leem, escutam, fotografam.

Qual foi o primeiro trabalho que fez depois de se mudar para a ilha?
Fui para Los Angeles criar a série "Deluge", que é uma releitura do dilúvio de Michelangelo na Capela Sistina e em museus cheios de água, uma tragédia que destrói a arte, a Igreja. Uma reflexão sobre excesso, dinheiro, consumo, fanatismo. Mas já fiz muita coisa lá. No começo, pensei que nunca mais iria trabalhar para revistas e campanhas. Mas, vez ou outra, farei algo que me interesse, mas apenas do meu jeito. Fotografei Lady Gaga para a capa da "Rolling Stone" americana no ano passado.

Você ainda usa celebridades como modelos e cenários produzidos em suas novas imagens. O que as difere das fotos comercias?
Eu amadureci trabalhando para revistas e campanhas de publicidade, aprendi a me comunicar. Eu continuo amando moda, glamour e beleza, mas, agora, comunico ideias para tocar as pessoas. Eu quero que elas saiam diferentes da galeria. Estou tentando expressar a ideia de iluminação pela natureza, a ideia do paraíso perdido, mas mantendo as coisas que amo nessas imagens.

Como foi fotografar Michael Jackson?
Eu nunca o fotografei.

Então as imagens com ele são montagens?
Sempre quis fotografá-lo, mas nunca deu certo. Eu usei um sósia e manipulei a imagem para criar o rosto que o Michael tinha nos anos 1990. O que fiz é uma foto, não um retrato. Mas não há dúvida de que é Michael Jackson, uma pessoa que viveu extremos, foi amada e odiada pela sociedade, como um personagem bíblico.


Suas fotos recentes interpretam temas mitológicos e religiosos. Você tem alguma crença?
Eu acredito na possibilidade de milagres. Tenho muita fé, sei que há algo além desta vida.

Alteraria algo em sua própria realidade, como faz com suas fotos?
Não mudaria o que já foi, mas o que é. Estou constantemente tentando melhorar. Ainda tenho muita dificuldade de lidar com a raiva, digo coisas desagradáveis, fico com remorso, peço desculpas. Mas está acontecendo menos. Controlo as oscilações de humor com dieta, exercícios e remédios. Estou saudável, tenho energia, não vivo mais aquela insanidade, como se o mundo fosse acabar se não cumprisse um prazo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

6º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero está com inscrições abertas


Por Juliana Rosas, da ASCOM/UEPB

Começaram esta semana e vão até o dia 15 de setembro as inscrições para o 6º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, que tem como objetivo estimular a produção científica e a reflexão acerca das relações de gênero, mulheres e feminismo no país; além de promover a participação das mulheres no campo das ciências e carreiras acadêmicas.

Instituído em 2005 e já em sua sexta edição, o Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero - que integra o Programa Mulher e Ciência, da Secretaria Especial de Políticas para as mulheres - é um concurso de redações para estudantes do ensino médio e de artigos científicos para estudantes de graduação, graduados, especialistas, estudantes de mestrado, mestres e estudantes de doutorado.

Escolas públicas e privadas que estejam desenvolvendo projetos e ações pedagógicas para a promoção da igualdade de gênero poderão concorrer na categoria “Escola Promotora da Igualdade de Gênero”. Será premiada uma escola por região, que receberá a quantia de R$10 mil. 

Para a categoria estudante de Ensino Médio são duas possibilidades: “Etapa Nacional” e “Etapa Unidade da Federação”. Ao todo, serão 27 vencedores, um por cada estado e Distrito Federal que serão agraciados com bolsas de estudo, computadores e impressoras.
Nas categorias: “Mestre e Estudante de Doutorado”, “Mestre”, “Graduado, Especialista e Estudante de Mestrado” e “Estudante de Graduação” serão premiados os seis melhores artigos científicos, sendo dois selecionados para cada categoria. Os textos vencedores receberão premiações em dinheiro e bolsas de estudo (doutorado, mestrado e iniciação científica). Ao todo, as três categorias irão receber R$ 23 mil.

O 6º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero é uma iniciativa da Secretaria de Políticas para as Mulheres/Presidência da República, do Ministério da Ciência e Tecnologia, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Educação, e do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher.

Inscrições e maiores informações, pelo site www.igualdadedegenero.cnpq.br.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

UEPB manifesta condolências a família de Alcindor Villarim, que faleceu esta semana

Por Josibel Lins, da ASCOM/UEPB

Faleceu na última segunda-feira (31), na Clínica Santa Clara, em Campina Grande, o ex-professor da Universidade Estadual da Paraíba (antiga Furne), Alcindor de Oliveira Villarim. Ele tinha completado 80 anos de idade em 21 de abril passado e foi vitimado por um ataque cardíaco. Villarim era casado e tinha sete filhos. A UEPB manifesta condolências à família enlutada.

Alcindor também foi Procurador Geral de Justiça do Estado e docente da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), além de atuar como Curador das Fundações. Um dos marcos em sua trajetória neste segmento foi a defesa da antiga FURNE/URNE, quando não permitiu que a instituição encerrasse suas atividades no município. Também ajudou na elaboração do estatuto para a criação dessas entidades.
 
A filha de Alcindor Villarim, Rochane Villarim, é diretora do Campus VII da UEPB, localizado em Patos.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Os jornalistas, os cidadãos, a democracia e a liberdade de imprensa


Por Juliana Rosas, da ASCOM/UEPB

O mês de maio traz efemérides pra dar e vender. Bem, acho que todo dia tem efeméride. Mas vamos lá. Mês de maio é mês das noivas (breguice), das mães (transformado em capitalismo); tem dia do museu, dia da luta antimanicomial, nascimento de Karl Marx... Enfim, a lista seria longa.

O que interessa para nós, profissionais da mídia, e mais ainda, como conseqüência, a toda a população, é que no início do mês, mais precisamente no dia 03, comemora-se o Dia da Liberdade de Imprensa. Coladinho à data, no dia 04, estreou no Brasil um programa que expressa a liberdade da comunicação, o Observatório da Imprensa, programa exibido em TVs públicas e apresentado por um dos mais antigos profissionais do ramo, Alberto Dines. O jornalista e escritor foi o primeiro ombudsman (na época, não assim chamado ou considerado) do país, outra ocupação símbolo de democracia e liberdade de imprensa.

Aí vem a célebre pergunta: temos liberdade de imprensa? No Brasil ou no mundo? O professor do Departamento de Comunicação da UEPB, Rômulo Azevedo, comentou que o ofício de jornalista é, ainda, uma das profissões mais perigosas do mundo. E que em muitos lugares este trabalho (ou o profissional) não é visto com bons olhos. Ele reforçou que em alguns países, como o Brasil, supostamente democráticos, não existe mais censura prévia, mas ainda não há uma plena liberdade de opinião, há uma espécie de censura econômica. Em sua opinião, deveria haver no país uma maior participação do público e que este deveria ser mais atuante e participativo, “menos apenas consumidor”, disse.

Questionado se o Brasil é mais democrático que outros países da América Latina, ele explanou que talvez a Argentina seja um pouco mais. Será? Bem, quiçá o povo argentino é mais politizado que o brasileiro, porém o “pacote regulador da imprensa” lançado pela atual presidente argentina Cristina Kirchner nos faz pensar o contrário. Que, de uma maneira menos explícita que seus colegas latinos, como Hugo Chávez, Evo Morales, Fidel ou Raúl Castro, ela também deseja controlar o que se fala do governo e, quem sabe, deseje uma opinião única. A favor do Estado, claro.

Isso nos faz pensar noutro país do continente americano, mas não latino, os Estados Unidos. O suposto e auto-intitulado país mais democrático do mundo tem dado provas contrárias disso. E isso não é recente. Não foi apenas no pós 11 de setembro. Atitudes reacionárias e antidemocráticas rondam a história dos EUA há bastante tempo. Uma das suposições para o assassinato do presidente Kennedy (pasmem: até hoje não solucionado) atribui-se a atitude democrática e anti-bélica do então presidente. O que, claro, vai de encontro ao sistema altamente beligerante do país, forte ponto no qual sua potência econômica se sustenta. Ou de onde você acha que estes inúmeros países em guerra civil ao redor do mundo compram suas armas?

Mas, voltemos à liberdade de imprensa (como se política, economia e liberdade de imprensa não estivessem conectados... mas vamos lá...). Em 20 de julho de 2009, o famoso jornalista americano Gay Talese, mais especialmente conhecido como um dos expoentes do Novo Jornalismo, esteve no Brasil e participou do famoso (e democrático) programa da TV Cultura Roda Viva.

Discorrendo sobre assuntos midiáticos, uma hora ele falou - sem ser diretamente perguntado – “Então, existe liberdade de imprensa nos Estados Unidos? Sim e não. Sim e não”. E deu exemplos. Vários.
 
A data

O dia 03 de maio foi proclamado Dia Mundial da Liberdade de Imprensa na Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1993, seguindo recomendação adotada na 26ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO, realizada em 1991.

Todos os anos, o dia 03 de maio é a data que celebra os princípios fundamentais da liberdade de imprensa, avalia a liberdade de imprensa no mundo, defende a mídia de ataques à sua independência e presta homenagem a jornalistas que perderam suas vidas no exercício de suas profissões.

Há quatro anos atrás, o então secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, afirmou que “devemos nos conscientizar de que a mídia não pode se limitar a informar sobre as mudanças ocorridas, mas deve ser também, ela própria, um agente de mudança”. Sabemos que, entre políticas, políticos, cabrestos e correligionários tal atitude muitas vezes é difícil de manter, mas lutar contra as agruras do status quo é dever de todo jornalista e cidadão que acredita na democracia.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Professor da UEPB comenta anistia concedida esta semana a Glauber Rocha

 
Perseguido e censurado nos anos da Ditadura Militar (1964-1985), o cineasta Glauber Rocha, pai do Cinema Novo, autor de clássicos do cinema nacional, foi oficialmente anistiado em cerimônia realizada esta semana, no Teatro Vila Velha, em Salvador (BA). Para o coordenador do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da UEPB, Rômulo Azevedo, admirador do legado de Rocha, a decisão foi justa e acertada.

A 37ª Caravana da Anistia, organizada pela Comissão da Anistia do Ministério da Justiça, Ministério da Cultura e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, decretou o perdão político do Estado 29 anos após a morte do cineasta, em 1981. “Antes tarde, do que nunca”, disse Rômulo, que também domina o fazer artístico da Sétima Arte.

Azevedo acredita que a decisão se configura como uma afirmação da liberdade, para aqueles que, a exemplo de Glauber, foram contra a Ditadura. Ele destacou que Glauber revolucionou a linguagem cinematográfica com um talento ímpar, alcançando grande prestígio internacionalmente, o que atraiu os olhares do mundo todo para o cinema brasileiro. Profundo conhecedor da profícua obra de Glauber, Rômulo acrescentou que seus filmes favoritos, advindos da genialidade do cineasta baiano são Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e Terra em Transe (1967). 

Acusado de querer implantar o cinema político como forma de subversão, Glauber foi investigado, vigiado e perseguido pelo regime. “O filme político, através de técnicas minuciosamente estudadas, tem como fim precípuo influenciar a opinião pública, destruindo psicologicamente o espectador. Glauber Rocha e seus seguidores no Brasil querem implantar o cinema político, para com isso enganar o povo e levá-lo à agitação, à desordem política e à revolução”, dizia documento oficial do Ministério da Aeronáutica, datado de 1974.

A filha de Glauber, Paloma Rocha, deu entrada ao processo da anistia em maio de 2006. A vitória da família Rocha no julgamento compreende também o pagamento de indenização: o retroativo de R$ 234 mil, e mais R$ 2 mil de prestação mensal continuada. “Além de ser um ato de anistia, é também uma homenagem a este baiano criativo, ícone da cultura nacional”, declarou a presidente do Grupo Tortura Nunca Mais na Bahia, e uma das três conselheiras responsáveis pelo julgamento do requerimento de anistia, Ana Guedes.


Comissão já anistiou mais de 36 mil

A Comissão de Anistia julgou, até hoje, 55 mil requerimentos de anistia política, segundo dados do Ministério da Justiça. Em 14 mil casos, houve algum tipo de reparação econômica e, em 22,5 mil processos, houve apenas o pedido oficial de desculpas do Estado. O número de pedidos negados é de 18,5 mil e ainda existem 11 mil processos aguardando definição em primeira instância, e mais 3.5 mil com solicitação de recurso. No total, o Governo já concedeu R$ 2,4 bilhões em reparações econômicas.

Antes de Glauber, o Ministério da Justiça já havia concedido anistia a outras personalidades do meio artístico, a exemplo dos escritores e cartunistas Ziraldo e Jaguar, em 2008; e, em abril deste ano, ao dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, contemplado com uma pensão vitalícia de R$5 mil e mais R$569 mil retroativos.

De acordo com a Lei, são anistiáveis, com reparação financeira, as pessoas que sofreram perseguição no período de 18 de setembro de 1946 a 05 de outubro de 1988. As reparações por causa de violações a direitos humanos podem ser requeridas a qualquer tempo.

Mais sobre Rômulo Azevedo


Rômulo Azevedo trabalha com o fazer cinematográfico há mais de 30 anos. Sua trajetória artística conta com mais de 20 filmes, entre documentários e ficção, sendo muitos deles premiados em festivais. A última produção de Rômulo, intitulada Biu do Violão e o Diamante Cor de Rosa (2010), foi muito bem recebida pela crítica.
 
Formado em Direito, com especialização em Comunicação, o professor é um dos fundadores do Movimento Cineclubista em Campina Grande, pioneiro do telejornalismo paraibano e, há décadas, vem formando profissionais que atuam na imprensa paraibana.
 
Ano passado, ele completou 25 anos de carreira na televisão, mas é ao cinema que  atribui os rumos que sua vida seguiram.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Casa Brasil da Prefeitura Municipal de Campina Grande promoverá IV Sarau Poético hoje (27)


A Casa Brasil da Prefeitura Municipal de Campina Grande promoverá hoje (27) em seu auditório, a partir das 17h, o IV Sarau Poético. A programação do evento este ano também prevê a realização de uma exposição de quadros e uma apresentação da banda “Os Elementais”, que fará a abertura e também o encerramento do Sarau. A entrada é franca.

A quarta edição do Sarau Poético já confirma o evento como um referencial cultural consolidado, estimulando e promovendo a divulgação e difusão dos saberes no município. Os organizadores explicam que o Sarau Poético é um trabalho de fomento e agregação gradativa das expressões culturais populares que vem ano após ano resultando na participação de artistas como Sebastião Marques, Benedito do Rojão e representantes da Casa do Poeta.

Durante o Sarau Poético também acontecerá, no Hall de entrada da Casa Brasil, uma exposição de pinturas do artista plástico José Alexandre Pereira e o show de lançamento do grupo “Os Elementais”. A banda surgiu da organização de um voluntário da Casa Brasil, o professor de violão, músico e compositor Ikky e seus alunos do curso de violão.

A Casa Brasil está localizada à Rua Advogado Otávio Amorim, s/n, bairro do Cruzeiro, ao lado do antigo Forrock.