segunda-feira, 17 de maio de 2010

Festival Cinema com Farinha abre inscrições


Para os cineastas e cinéfilos de plantão, uma boa notícia. Foi divulgada a abertura das inscrições do 4º Festival Cinema com Farinha - Festival Audiovisual do Sertão Paraibano. As inscrições vão até 20 de junho e o evento ocorrerá entre os dias 19 e 22 de agosto, na cidade de Patos, sertão da Paraíba.

O 4º Festival Cinema com Farinha – Festival Audiovisual do Sertão Paraibano é um evento que visa a proporcionar um espaço de encontro para discussão e exibição da produção audiovisual regional e nacional, e ainda, atender à demanda existente para esse tipo de manifestação cultural no sertão paraibano.

Almeja, além disso, dar visibilidade a cena cultural "oculta" da região, detectando produções audiovisuais no sertão paraibano, contribuindo não somente para a divulgação imediata, mas para a formação de um banco de memória acessível.

Estão disponíveis no site Festival o regulamento e a ficha de inscrição para participar do evento. Confira: http://www.cinemacomfarinha.com

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Campina Grande recebe Mostra de Teatro do Oprimido da Paraíba e Rio Grande do Norte

 
Campina Grande será palco da “Mostra de Teatro do Oprimido da Paraíba e Rio Grande do Norte”, que será realizado hoje e amanhã (14 e 15 de maio), no Cine Teatro do Sesc-Centro. Na ocasião, multiplicadores e praticantes do método criado pelo teatrólogo e ensaísta Augusto Boal se reunirão para atividades estéticas e teatrais, seminário de saberes e práticas e o lançamento do livro póstumo de Boal. O evento é gratuito e aberto a todos os públicos.

Nesta sexta, 14 de maio, a partir das 19h, o público irá assistir a duas peças teatrais com atuação de grupos de Cuité/PB e de Poço Branco/RN. Ao final de cada apresentação, alguns dos espectadores serão convidados a entrar na cena, trocando de lugar com o protagonista, para mostrar alternativas aos problemas encenados. Nas peças os atores encenam episódios reais de suas vidas. Neste dia acontece também: uma exposição de produtos artísticos produzidos pelos grupos locais; a Sessão Solene Simbólica de Teatro Legislativo; o lançamento do livro póstumo do teatrólogo e ensaísta Augusto Boal, “A Estética do Oprimido”, considerado o testamento artístico do autor, que pouco antes de falecer foi nomeado embaixador mundial do teatro pela Unesco.

Na sessão de Teatro Legislativo, a plateia, além de fazer as intervenções substituindo o personagem oprimido, pode também sugerir propostas de Lei ou de ações concretas que tragam alternativas ao problema. Com o apoio de um assessor legislativo e um especialista no tema, serão selecionadas duas propostas para serem debatidas e votadas. As aprovadas serão encaminhadas ao Poder Legislativo ou às autoridades competentes. Através do Teatro Legislativo foram criadas 13 Leis Municipais na cidade do Rio de Janeiro, duas Leis Estaduais nesse estado e tramitam no Congresso Nacional dois Projetos de Lei.

As atividades realizadas em Campina Grande integram o Projeto Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto, cujo objetivo é a capacitação e o acompanhamento de novos multiplicadores do método em dezoito estados brasileiros e quatro países da África lusófona: Moçambique, Guiné-Bissau, Senegal e Angola.

O evento é uma realização do Centro de Teatro do Oprimido (CTO), com apoio do SESC Paraíba e patrocínio do Ministério da Cultura (Minc), por intermédio do Programa Cultura Viva. Os cursos de formação do projeto em Campina Grande aconteceram em parceira com o Centro Universitário de Cultura e Arte – CUCA, que realizou articulação com o CTO.

Mais sobre o Teatro do Oprimido

Surgido em 1986, o Centro de Teatro do Oprimido (www.cto.org.br) é um centro de pesquisa e difusão, que desenvolve metodologia específica do Teatro do Oprimido em laboratórios e seminários, ambos de caráter permanente, para revisão, experimentação, análise e sistematização de exercícios, jogos e técnicas teatrais. Nos laboratórios e seminários são elaborados e produzidos projetos sócio-culturais, espetáculos teatrais e produtos artísticos, tendo como alicerce a Estética do Oprimido. A filosofia e as ações desta instituição visam à democratização dos meios de produção cultural, como forma de expansão intelectual de seus participantes, além da propagação do Teatro do Oprimido como meio, da ativação e do democrático fortalecimento da cidadania.

O CTO implementa projetos que estimulam a participação ativa e protagônica das camadas oprimidas da sociedade, e visam à transformação da realidade a partir do diálogo e através de meios estéticos. Dessa forma o CTO desenvolve projetos na área da educação, saúde mental, sistema prisional, pontos de cultura, movimentos sociais, comunidades, entre outros. Por conta de sua natureza humanística e do potencial do Teatro do Oprimido, atua em todo o Brasil e em países como Moçambique, Guiné Bissau, Angola e Senegal.

Serviço:

“Mostra de Teatro do Oprimido da Paraíba e Rio Grande do Norte”
14 e 15 de maio de 2010
Local: Cine Teatro do SESC Centro Campina Grande
Rua Giló Guedes 650, Santo Antônio
Informações: (83) 3341-5800
Classificação indicativa: LIVRE
Ingressos GRÁTIS

Programação:


14 de maio: 19h - Abertura da exposição “A Estética do Oprimido” com palavras dos curingas Olivar Bendelak e Cláudio Rocha, seguido do lançamento do livro póstumo do teatrólogo e ensaísta Augusto Boal.

19h30 - Apresentação da peça de Teatro-Fórum “Quero votar e ninguém deixa”, com o Grupo CTOC da cidade de Cuité, Paraíba. Sinopse: A peça conta a história real de um adolescente que questiona a cultura do voto de cabresto em sua cidade, onde os pais obrigam seus filhos a votar em determinados candidatos que prometem emprego em troca dos votos e depois de eleitos, somem e esquecem de suas promessas. O Grupo: Formado por 11 atores-músicos entre 14 e 29 anos.

20h30 - Apresentação da peça de Teatro-Fórum “Separar por quê?”, com o Grupo Filhos da Terra da cidade de Poço Branco, Rio Grande do Norte. Sinopse: A peça conta a história real de jovens do Quilombo Acauã que são segregados do sistema de transporte escolar por racista. O Grupo: Formado por jovens entre 12 e 25 anos pertencentes ao Quilombo Acauã.

22h - Encerramento

15 de maio - Encontro de Multiplicadores do Teatro do Oprimido da Paraíba e Rio Grande do Norte.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ex-aluno da UEPB, Bruno Gaudêncio, lançará livro em João Pessoa e Guarabira


Depois de lançar no mês de março, o livro O Ofício de Engordar as Sombras (Sal da Terra, 2009) nos municípios de Campina Grande e Boqueirão, o ex-aluno da UEPB, Bruno Gaudêncio, apresentará neste mês de Maio sua primeira coletânea poética nas cidades de Guarabira e João Pessoa.

O Ofício de Engordar as Sombras é um livro constituído por cerca de 40 poemas produzidos pelo autor entre os anos de 2003 e 2009. Quem assina o prefácio é o poeta Sebastião Costa Andrade, contando ainda com comentários críticos do poeta e jornalista José Inácio Vieira de Melo e do crítico literário José Mário da Silva. A imagem da capa foi produzida pelo desenhista e historiador Jorge Elô.

O livro ganhou recentemente algumas críticas de autores importantes do cenário literário paraibano, como Astier Basílio e Hildeberto Barbosa Filho, respectivamente no Jornal da Paraíba e no Correio das Artes. E deve receber ainda receber outras avaliações, entre eles, o do crítico literário e ficcionista campinense radicado em Recife Cristhiano Aguiar.

 Em Guarabira, o lançamento ocorrerá durante a V Semana de Humanidades (http://www.dafrainformatica.com/humanidades/index.php) , realizada pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Evento, este que será concretizado entre os dias 24 e 28 de maio de 2010. A data referente ao lançamento do livro em Guarabira ainda não foi confirmada, todavia, a obra estará à venda durante toda a semana do encontro.

Em João Pessoa, o lançamento ocorrerá durante a XIII FENART (Festival Nacional de Arte) (http://www.funesc.com.br/fenart2010/) , realizado pelo Governo do Estado da Paraíba. O lançamento será no dia 26 de Maio, a partir das 18 horas no auditório José Siqueira. Além do O Ofício de Engordar as Sombras, os autores Hildeberto Barbosa e Fernando Moura lançarão seus respectivos livros.

Bruno Gaudêncio, 24 anos, é natural de Campina Grande, Paraíba. Graduado em Jornalismo e História pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Atualmente é mestrando em História pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), onde desenvolve pesquisas sobre círculos literários na primeira metade do século XX na cidade de Campina Grande.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

LIMA BARRETO, ÍCONE DA LIBERTAÇÃO DO POVO NEGRO


Por Jomar Ricardo da Silva - Professor do DFCS da UEPB. Defendeu a Tese na UFRN em 2007 com o título: “A educação da mulher em Lima Barreto. Membro do Neab-Í (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígena) e coordenador da Especialização em História e cultura afro-brasileira.

Afonso Henrique de Lima Barreto nasceu em 13 de maio de 1881, no Rio de Janeiro. Neto de escravos e filho do tipógrafo João Henrique Lima Barreto e da professora primária Amália Augusta Barreto, ficou órfão materno aos sete anos de idade. Posteriormente, numa de suas crônicas, deu a conhecer a consciência étnica e social que tinha de si mesmo: “Nasci sem dinheiro, mulato e livre”.

Essa autoconcepção foi proporcionada pela sociedade em que ele vivia, pelas relações com pessoas brancas e pertencentes a extratos sociais superiores aos seus. Isso porque segundo o sociólogo Otávio Ianni, “mais do que os outros habitantes da cidade, eles [negros e mulatos] têm consciência aguda do seu corpo e da sua personalidade”. Sua obra e consciência étnica estavam no âmbito da realidade que dela emerge e que com ela estabelece diálogo. Seus escritos registram os acontecimentos sociais resultantes das redefinições sucedidas no país e no mundo, durante a segunda metade do século XIX.

Nesse período o Brasil passava por transformações de ordem econômica, política e social. Poucos anos após o nascimento de Lima Barreto foi proclamada a República (1889) e sancionada a Abolição da escravatura (1888). Estes dois fatores para a historiador Emília Viotti da Costa, são, na verdade, “sintomas de uma mesma realidade”; repercussões na esfera institucional das mudanças ocorridas na estrutura do país.

Nesse contexto em que Lima Barreto se inseria, havia uma discussão sobre raça e miscigenação que associava o conceito de etnia à perspectiva de desenvolvimento político, social e econômico do país. Entre os intelectuais que debatiam o sentido da nação a partir do conceito de eugenia, encontravam-se escritores, literatos e pensadores sociais.

Ele, ao contrário de autores como Oliveira Viana e Graças Aranha que interpretavam por um viés social as ideias do evolucionismo de Lamarck e Darwin, avaliava a falta de posicionamento crítico em relação ao cientificismo predominante na época e chegou na crônica “Considerações oportunas” (1919) a contestar a adesão a esses princípios na condição de credo religioso: “Afirmava-se como artigo de fé (o que hoje não é), depois dos trabalhos de Lamarck e Darwin, mais com aquele do que com este, que os caracteres adquiridos pelo indivíduo se transmitem por hereditariedade e se fixavam na sua descendência”.

Desse modo, insurgia-se contra uma representação de ciência que, no interior campo social, produzia conhecimento para classificar, discriminar e excluir. Naquela época Lima Barreto já percebia o caráter contingente do saber dito científico e questionava a objetividade das suas verdades: “Cada autor faz um poema à raça de que parece descender ou com que simpatiza, por isto ou por aquilo. Os seus dados, as insinuações, os seus índices [...] são interpretados ao sabor da paixão oculta ou clara de cada dissertador”. Para o escritor carioca, as teorias racistas escondiam ódios às diferenças étnicas e culturais, para com isso legitimar a superioridade de um grupo, com o propósito de garantir os interesses de classe.

A trajetória do escritor Lima Barreto veio demonstrar que a ascensão de pessoas pertencentes à etnia negra, poderia se efetivar pelo desempenho intelectual. Por receber estímulos na família em que nasceu - o pai lia em francês e a mãe foi professora – desenvolveu aptidões intelectuais. Teve a ousadia de querer ser reconhecido como um grande escritor da época, entretanto, apesar de sua capacidade, foi segregado socialmente. Ao invés de responsabilizar o atraso do país por razões raciais, apontou os entraves que a economia exportadora cafeeira e o latifúndio traziam para o crescimento da nação através das obras de ficção, análises conjunturais e crônicas jornalísticas que escreveu.

Lima Barreto retratou em sua obra a cidade do Rio de Janeiro, com as tensões sociais peculiares ao período dos primeiros vinte anos da República. As suas personagens traziam os mesmos problemas que os membros dessa sociedade vivenciavam. Morreu em 1922, ainda jovem, aos 42 anos, em vista a complicações provocadas por excesso de bebida alcoólica, de colapso cardíaco, sem o reconhecimento literário que tanto almejou para si.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Projeto educacional no Amazonas adapta ensino médio aos idiomas e práticas indígenas


Por Marcelo Leite, do Caderno Mais!, da Folha de São Paulo
Crédito da Foto: Marcelo Justo

No Brasil, todo mundo é índio, exceto quem não é", diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. "Só é índio quem se garante."
Está na cara que Aloisio Cabalzar, 41, antropólogo de ascendência suíça que viaja à minha frente na voadeira (lancha de alumínio), não é índio. Protetor solar e o romance policial "Alerta Negro", de Patricia Cornwell, são seus companheiros fluviais mais constantes. Mas ele fala a língua tuiuca com fluência após duas décadas de andança pela mandíbula da região da Cabeça do Cachorro.
Cabalzar, do Instituto Socioambiental (ISA), de São Paulo, é o paciente cicerone da reportagem da Folha na viagem de dez dias e várias "cachoeiras" (corredeiras) pelo extremo noroeste do Estado do Amazonas. Objetivo: conhecer as excepcionais escolas tuiuca e tucano das comunidades ao longo do rio Tiquié, afluente do Uaupés, por sua vez um tributário do rio Negro.
Metade desses dias foi padecida em voadeira, a maior parte com motor de popa de 40 HP. Menos potência, e a viagem pode se estender por uma semana -só na ida.
Já no final da primeira jornada, o antropólogo conversa com o jovem carona Marcos Resende, habitante de São Pedro (ou Pikorõaburo, em tuiuca, nome de uma larva de besouro que come o miolo do tronco do buriti), nosso destino final. O jovem tampouco parece índio. Cabelos encaracolados, boné de hip-hop virado para trás, camiseta Racionais MC's -de quem nunca ouviu uma música, aliás.
A aparência engana. Na primeira refeição em São Pedro, na casa de seu padrasto, Adão Barbosa, Marcos fala tuiuca. Serve-se com as mãos, como todos, das maniuaras (saúvas) torradas, da cutia e do beiju. Não reage com lacrimejo e espirros ao excesso de pimenta, como os convidados.
Quatro dias depois, no caxiri de despedida para os visitantes, festa na maloca regada à bebida de mesmo nome fermentada da mandioca, Marcos tocaria flauta e dançaria com outros moços e moças. Sem o boné, mas tampouco havia adorno de penas à vista -só bermudas e camisetas de muitas cores. Seu pé direito socaria o chão de terra, mantendo o ritmo e a tradição. Ex-aluno do ensino médio, Marcos já é professor.

Língua ameaçada
"Antigamente, sábio era quem obedecia às regras", pondera Higino Pimentel Tenório, 55, a autoridade reconhecida em São Pedro. Professor há 35 anos, Poani -seu nome cerimonial em tuiuca- lamenta que os jovens tenham abandonado muitos costumes.
Uma das interdições importantes, explica Poani, é a abstinência sexual de 15 dias antes de beber o caapi (bebida alucinógena similar à ayahuasca). "Quem obedece às regras tem mais poder, progride mais", afirma o professor sobre a sabedoria veiculada pelas "mirações" desencadeadas pela bebida. "[A gente vê] muita cobra colorida no vômito, entende a música e as palavras da cachoeira."
Seu orgulho é ter revertido o "êxodo rural", como se refere à saída de jovens para as antigas missões salesianas da região, Pari-Cachoeira e Taracuá, ou para a sede do município, São Gabriel da Cachoeira. A regra era abandonarem as aldeias em busca de educação.
São Pedro ficou reduzida a 14 famílias, em 2000. Hoje são 23. A língua tuiuca, antes à beira da extinção, agora é falada por todos, dentro e fora da sala de aula. Inclusive pelos alunos tucanos, desanas, yebamasãs, barás ou miriti-tapuias vindos de aldeias vizinhas para os módulos de 15 dias, intercalados com 15 dias passados na comunidade de origem, para trabalhar com os pais na roça e na pesca.
Os moços não precisam mais mudar-se para São Gabriel, 700 quilômetros rio abaixo, para cursar o ensino médio. A primeira turma do secundário da escola Utapinopona -"Filhos da Cobra de Pedra"- formou-se no ano passado, Marcos Resende entre eles (hoje dá aulas para a nova turma da escola comunitária).
Agora só lhes falta o reconhecimento de um diploma oficial. E já discutem como poderia ser um ensino superior indígena.

Paisagem como projeto

A casa de apoio construída em São Pedro pelo ISA, que auxilia a escola na localidade desde 1994, tem três ambientes. O telhado sem forro é de caraná (Mauritia carana), palmeira aparentada com o buriti (M. flexuosa). Não deixa a desejar numa região em que pode chover até 3.600 mm/ano. Resistiu, sem muitas goteiras, a vários temporais.
O quarto sem porta abriga as redes dos visitantes. A cozinha diminuta é território de Jorge Gabriel da Silva, 52, piloto de voadeira e cozinheiro da etnia desana. O cômodo maior pode ser sala de aula ou de refeição e dormitório extra, dependendo do horário.
Das paredes pendem cartazes com desenhos elaborados de perfis de vegetação em capoeiras: plantas vermelhas são as cultivadas, verdes, as pioneiras (primeiras a se instalar) e azuis, as de floresta madura.
Às 14h do dia 30 de março, excepcionalmente, é hora de aula expositiva. As tardes são em geral dedicadas a atividades como desenho de perfis de vegetação e compilação de dados em tabelas, não à exposição.
A rotina foi alterada para acomodar a agenda da reportagem, que pela manhã acompanhou uma atividade de campo dos alunos (coleta de mel e reprodução de colmeias de meliponicultura -criação de abelhas sem ferrão).
São 19 alunos na sala, 15 homens e 4 mulheres na faixa de 15 a 19 anos. Há dois computadores laptop, além daquele em que Pieter-Jan van der Veld, 46, agrônomo holandês contratado pelo ISA, lê o tema do dia: "Apresentar uma pesquisa sobre paisagem florestal". Os três aparelhos e a única lâmpada do recinto são alimentados por energia acumulada em baterias de caminhão por um painel solar fotovoltaico.
O português sai com um acento lusitano e palavras esparsas em espanhol, mas Wisõka -Esquilo, apelido do professor em tuiuca, por causa dos cabelos avermelhados- garante que os jovens entendem.
Todos ali falam pelo menos três idiomas (português, tuiuca e tucano, a língua franca do Tiquié) e escrevem as duas primeiras. Recebem visitantes do Brasil todo e do exterior, interessados na experiência peculiar de educação indígena. "O meu é só mais um sotaque do português para eles", tranquiliza Van der Veld.
A aula difere muito do ensino médio tradicional nas redes públicas de outros Estados e das grandes cidades amazonenses. Além dos módulos em blocos intercalados de 15 dias, dura quatro e não três anos, divididos em ciclos de dois. Em lugar de um currículo segmentado em disciplinas, os alunos aprendem com base em pesquisas e projetos temáticos.
O projeto atual é um levantamento de "paisagens", ou fisionomias vegetais, eleitas pela comunidade -alunos, pais e professores. O estudo se concentra nas quatro principais: floresta ("makaruku"), capoeira ("wiariro", roça abandonada), igapó ("boareko", floresta de inundação sazonal) e campinarana ("tataboa", uma espécie de caatinga amazônica que viceja em solos arenosos e encharcados, origem da "água preta" dos igarapés e rios da bacia do Negro).
Há dezenas de subdivisões para registrar concentrações de recursos importantes. "Netahta" é buritizal; "mihpitahta", açaizal. Em foco, na pesquisa, estão os caranazais ("mui boa"), onde folhas para renovar telhados são colhidas. Se o estoque natural não for bem manejado, a matéria-prima escasseia, o que pode forçar a mudança de local da aldeia.
Na semana anterior, o grupo passara quatro dias acampado, identificando, contando e medindo árvores e arvoretas com mais de um dedo de espessura num transecto (área delimitada) de mil metros quadrados. Os dados coletados são organizados em listas (todos os tipos de árvores encontradas), depois em tabelas (com as quantidades de cada tipo).
Listas e tabelas são necessárias para produzir gráficos, explica Van der Veld. A tradução para o tuiuca fica a cargo do professor habitual da classe, José Barreto Ramos, 50. Ele também se chama Poani, um dos nove nomes de homem disponíveis na língua tuiuca; para as mulheres, há seis.
Nesse idioma, a entonação modifica o significado das palavras. Tudo soa incompreensível para o forasteiro, mas a tradução vem entremeada de palavras portuguesas: "gráfico", "tabela", "lista"...
Conceitos inexistentes numa cultura em que, poucas décadas atrás, só se contava até 20 (soma de todos os dedos e artelhos). "O próprio conhecimento quem manifesta é a língua", teoriza o outro Poani (Higino Tenório).
A aula evolui para a confecção de um gráfico comparando as quantidades de três árvores em dois transectos. Todos os alunos têm pranchetas, cadernos e réguas. Anotam tudo que o professor escreve no quadro, em português, com letras de forma e caligrafia bem desenhada. O silêncio e a atenção são dignos de nota, para quem conhece a atmosfera do ensino médio nas capitais, retratada no filme "As Melhores Coisas do Mundo", de Laís Bodanzky.
Terminada a explicação da tarefa, a dificuldade se torna visível: raros são os que começam de imediato a traçar o gráfico de barras. Os alunos empacam na correspondência entre número de árvores e centímetros do eixo y e na escolha da escala para a figura caber na página. Só então começam a falar entre si, e o observador conclui que ajudam uns aos outros. Van der Veld dá a tarefa por completa após uma hora e meia de aula.
"A parte difícil é a matemática", diz o holandês. "Enfrentam problemas com coisas técnicas e abstratas, mas não com a parte prática." Na sua avaliação, os alunos da escola tuiuca têm nível melhor que os técnicos de Rondônia com quem trabalhou por um ano em 1998, para fazer amostragens de solo no macrozoneamento do Estado. "Os problemas são os mesmos da educação do Brasil [todo]."

Caranazal abusado

Dois dias depois, a reportagem entra na mata com Van der Veld e cinco estudantes, para uma demonstração de levantamento num caranazal. Há dificuldade para acompanhar a marcha, firme e aplicada como a caligrafia exibida em sala de aula. São 45 minutos para cobrir cerca de dois quilômetros desde a margem do Tiquié, segundo o GPS. O jornalista e o repórter-fotográfico aprendem rápida e dolorosamente o significado da palavra "caba" (marimbondo).
Chegamos ao caranazal pouco depois das 10h. Embora a palmeira não componha mais que 3% das 139 plantas inventariadas pelos tuiucas nessa paisagem vegetal, suas folhas em leque estão por toda parte.
Visível, também, é a decepção do agrônomo professor: só há indivíduos juvenis de Mauritia carana, nenhum adulto com tronco, muito menos com os 15 metros que pode alcançar na fase reprodutiva. A maioria dos caranás é "pu" (criança).
"Um caranazal abusado", decreta o holandês. Nem mesmo a regra tradicional de deixar pelo menos três folhas em cada pé parece ter sido observada pelos últimos coletores. O manejo inadequado implica que a área precisará de muitos anos para voltar a ser explorada, porque não sobraram plantas-mãe para lançar sementes e recompor a população.
Não deixa de ser didático para os tuiucas Jorge Rochas Gutierrez, Josival Azevedo Rezende e Walter Marques Tenório, além de Jodair de Jesus (tucano) e Angel Maria Sanches (bará), os estudantes de ensino médio encarregados da demonstração.
Sua tarefa é demarcar um transecto, a área para levantamento da paisagem. Começam por assinalar uma árvore de porte facilmente identificável na mata rala e fixar nela uma plaquinha de metal. É o ponto de referência, marcado no GPS.
A partir dele se estende a trena por 20 m (numa pesquisa real são 100 m), iniciando a demarcação do polígono com 10 m de largura. Fincam-se estacas a cada 5 m, para fixar barbantes perpendiculares que dividirão a área em quatro setores, para facilitar a contagem.
O ângulo é definido com auxílio de bússolas de fundo transparente, que permitem enxergar o fio por baixo e alinhá-lo. Van der Veld pergunta quanto é um ângulo reto, para marcar o canto do retângulo do transecto. A primeira resposta é 50, logo corrigida para 90 -não sem algum debate.
Os alunos têm então de somar ou subtrair os 90 da orientação registrada para a trena (230), e a barreira da abstração volta a materializar-se. Fazem e refazem contas a caneta na palma das mãos, até chegar às respostas corretas (320 e 140). Quando surgem quantidades negativas, então, a dificuldade cresce de forma exponencial, conta o professor holandês.

De volta à tanga

Juntos, os rapazes acabam resolvendo todos os problemas que Van der Veld propõe. No processo, ganham ferramentas e habilidades para entender melhor e manejar a dinâmica natural de um recurso decisivo para os tuiucas e seus vizinhos. Já se foi o tempo em que os jovens tinham de aprender com livros -dos padres salesianos ou do MEC- que falavam de maçãs e uvas, frutas que nunca chegam ali.
"Abrimos opção para cada jovem buscar qual tipo de conhecimento vai buscar fora para solucionar os problemas da comunidade", afirma o líder Higino Tenório. Os projetos de pesquisa sempre têm relação com o sustento material e cultural dos tuiucas e dos povos vizinhos (entre os quais buscam mulheres para casar): a palha do caraná, peixes e piscicultura, meliponicultura, roça -mas também mitos, cantos, adornos e benzimentos.
A ideia por trás da nova escola sempre foi casar a "ciência dos brancos" com a valorização do conhecimento indígena. E, no caminho, aproximar moços e velhos, revivendo regras cujo cumprimento estava se tornando exceção. "Nossos antepassados [homens] passavam três meses acampados na mata, aprendiam a fazer cestaria", conta Tenório. "[Eram] regras para dotá-los de conhecimento, força e espírito."
Na própria comunidade de São Pedro houve resistência à proposta de educação indígena e alfabetização em língua tuiuca. Fiéis ao ensino rígido dos salesianos, que os ensinaram a ler, escrever e contar até mais que 20 e os ajudaram a libertar-se das dívidas com os patrões da borracha e comerciantes dos regatões, muitos pais acharam que seria um retrocesso.
"Nossos próprios parentes não chegavam a entender", rememora o professor José Ramos. "[Achavam que] atrapalharia, traria atraso, os filhos não poderiam aprender português, voltariam para trás e a usar tanga como nossos antepassados", diz o outro Poani, sempre de calça comprida, cinto e camisa polo.
"Os padres mandavam bater nas crianças. Isso acabou", comemora. "A escola agora tem computador, tecnologia, oficinas, bússola e GPS. Nossos filhos só falavam tucano, custou dois, três anos para voltarem a falar tuiuca. Quando um aluno está doente, manda carta [para o professor] escrita em tuiuca."

Ensino superior indígena

As resistências comunitárias foram pouco a pouco vencidas. Hoje, a língua tuiuca ganhou algo que nunca teve: uma literatura própria. Fruto de duas décadas de trabalho do casal Flora Dias Cabalzar e Aloisio, o "Arusu" (arroz).
Eles foram "peças fundamentais", segundo Higino Tenório. "Eu penso várias ideias, mas não sei colocar as palavras certas", diz o coautor tuiuca. "Eles sabem escrever, ouvindo nossas ideias."
Já são oito livros publicados no idioma em uma década. Um ainda está no prelo: "Utapinopona Kuye Poseminiã Niromakaraye" (Adornos Cerimoniais dos Tuiucas). Resultou de um projeto temático da escola em que alunos recolheram entre os mais velhos descrições, usos e explicações sobre a origem dos ornamentos.
A experiência "sui generis" de educação indígena na região da Cabeça do Cachorro, que inclui os tucanos do Tiquié e os baniuas do rio Içana, gerou também várias teses e publicações em português. O livro mais recente é "Manejo do Mundo - Conhecimentos e Práticas dos Povos Indígenas do Rio Negro, Noroeste Amazônico" (organizado por Cabalzar, do ISA), lançado num seminário com o mesmo título, que se realizou de 8 a 13 de abril em São Gabriel da Cachoeira.
O seminário reuniu representantes dos vários povos da região, inclusive da Colômbia, para trocar experiências de educação baseadas em projetos de pesquisa sobre a natureza e delinear como poderia ser um ensino superior indígena. Trata-se de formar professores de ensino básico com nível universitário, como exige a lei, mas com currículo que vá além da formalização muitas vezes medíocre oferecida por universidades da Amazônia.
O encontro resultou numa lista com 13 desejos para um ensino superior indígena. Coisas como ser inovador, ter relação com o território da bacia do rio Negro e conexão direta com as comunidades. "Qual seria o conhecimento mesmo, de nível superior, para o jovem conseguir viver aqui?", pergunta Higino Tenório. "É inviável querer transformar o índio em intelectual. Quem faz curso superior quer ir para a capital."
Mais sintomática é a lista do que os índios não querem que ele seja: só uma licenciatura intercultural, numa única língua, com predominância do conhecimento científico ocidental e estruturas burocratizadas. A burocracia estatal, aliás, é no momento a grande pedra no caminho das experiências educacionais do rio Negro.
Enquanto se limitavam ao ensino fundamental, as peculiaridades da educação comunitária foram sendo acomodadas com as regras municipais de São Gabriel da Cachoeira, onde cerca de 90% da população de 42 mil habitantes e até o prefeito são indígenas. Ao alcançar o nível médio, porém, passaram para a alçada da Secretaria Estadual de Educação amazonense, e o reconhecimento oficial das turmas já formadas ainda não saiu.
Da duração -quatro e não três anos- à inexistência de avaliação com notas ou de conteúdo curricular padronizado, pouca coisa se enquadra nas normas do Conselho Estadual de Educação do Amazonas.
"[O ensino médio tuiuca] é um projeto avançado, até para a educação indígena", afirma o professor de física e matemática Inafran da Silva Bastos, técnico da Gerência de Educação Escolar Indígena da secretaria estadual. "Na hora de reconhecer, a própria Seduc não estava preparada. É só uma questão de tempo e de se adequar -no mínimo dois a três meses."
A nova gerente da área, Alva Rosa, da etnia tucano, tomou posse em 19 de abril, Dia do Índio. Bastos informa que a gerência trabalha na adaptação do currículo estadual para a educação indígena, mas que o processo ainda está "no início".

Aracu, acará e araripirá

No último dia de março, a reportagem desce o Tiquié até a comunidade tucano em Cachoeira do Caruru, menos de meia hora de voadeira com o motorzinho de popa de 15 HP. Vamos conhecer a estação de piscicultura montada em 1999 por uma associação de 12 comunidades tucanas e tuiucas no Alto Tiquié.
O guia da visita é o coordenador-gerente do projeto, Lucas Alves Bastos. A escola, em paralelo ao projeto de piscicultura, desenvolveu uma pesquisa relacionando enchentes e vazantes, chuvas, piracema (desova dos peixes) e constelações que "caem" do céu no poente, como a da Jararaca (em novembro).
O projeto tem por meta reproduzir e distribuir para as comunidades espécimes das espécies nativas aracu-riscado (Leporinus agassizii), aracu-três-pintas (L. friderici), acará-trovão (Satanoperca jurupari) e araripirá (Chalceus macrolepidotus). Machos e fêmeas maduros são capturados e têm a hipófise retirada para extração de hormônio, depois injetado debaixo da nadadeira peitoral de outros peixes para estimular a produção de gametas (espermatozoides e óvulos).
Controlando a temperatura dos animais, os técnicos indígenas definem o momento de espremer os peixes e colher o material para fertilização em bacias, que exigem trocas de água de dez em dez minutos. Transfere-se o material para incubadoras com água corrente, durante sete dias, para que os embriões eclodam e se desenvolvam. Eles são depois contados e transferidos para os viveiros, tanques de 10 m x 20 m x 1,5 m escavados no terreno.
No momento, as incubadoras estão vazias. Uma semana antes, 34.300 pós-larvas de araripirás, com três milímetros, foram produzidas em Caruru. Cerca de 2.000 sobreviverão nos tanques e alcançarão dez centímetros, quando serão enviadas para engorda nos viveiros comunitários e familiares, como os de São Pedro.
O dia anterior fora de mutirão para cavar um terceiro viveiro na vizinha aldeia tuiuca, parceira dos tucanos de Caruru. Meia centena de homens, mulheres e crianças trabalhavam juntos, sob o sol a pino. Já há dois lagos, mas um está vazando. É preciso abrir outro, trabalho para cinco dias.

Palavra de índio

"Nossa ideia é fazer criação para o rio descansar", explica Higino Tenório, líder dos trabalhos. "Com tecnologia -pilha, zagaia, malhadeira- a pesca deixou de ser seletiva e inteligente, como era feita com pari [armadilha de varas], e se tornou predatória."
Tuiucas e tucanos do Tiquié entendem que foram gente-peixe, antes de se transformarem em gente-verdadeira, e assim escolheram permanecer. Para isso, precisam de flautas do jurupari (que mulheres e crianças só podem ouvir, não ver), de folhas do caraná, aracus, acarás e araripirás -além de uma tecnologia que fuja à norma da superexploração.
Em duas palavras, buscam na prática as tão faladas "inovação" e "sustentabilidade" e elegeram o ensino como canoa para realizar a travessia. "[A escola] é a instituição externa que eles conseguiram manejar", resume Aloisio Cabalzar.
A regra do senso comum vale também para os índios: educação é a garantia de algum futuro. Um futuro índio.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Estamos com fome de amor...


Por Arnaldo Jabor, do jornal O Dia



O que temos visto por aí???

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes.

Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer... mas???

Chegam sozinhas e saem sozinhas...

Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos...

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível.

E não é só sexo não!

Se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo!

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama ... sexo de academia . . .

Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos,
sem se preocuparem com as posições cabalísticas...

Essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção...

Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós...

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!"

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos...

Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário...

Pra chegar a escrever essas bobagens?? (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa...

Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega...

Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados...

Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado...

"Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor...

Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...

Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem haver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida...

E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois...

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza ?

Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?"

Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado...

O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in...

Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na Playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos, gostamos, sim, de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso.

Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"...

Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo", então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz!

Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sons da Paraíba atravessando continentes


Por Oziella Inocêncio, da ASCOM/UEPB

O Brasil é só samba? E a Paraíba, é apenas forró? Para muito além dos rótulos limitadores, que se propagam por aí, o produtor paraibano Arthur Pessoa, líder da banda campinense Cabruêra caiu na estrada mundial para apresentar os inúmeros matizes musicais que vem sendo desenvolvidos no Estado. Para isso, organizou uma compilação apresentando artistas locais, com um título, digamos, sugestivo: "Brazil More Than Samba: Sounds from Paraíba" (Brasil Mais que Samba: Sons da Paraíba).

O CD reúne músicas de 20 artistas, entre eles Toninho Borbo e Biliu de Campina, e bandas da Paraíba, a exemplo de Brazilian Trombone Ensemble, Jaguaribe Carne, Chico Correa e Burro Morto. "O Brazil More Than Samba criou uma plataforma inédita para exportação da produção musical local, levando a música dos artistas paraibanos ao encontro de profissionais da música de todos os continentes, através da participação do projeto nas maiores feiras internacionais de música", apontou Arthur.

De acordo com Arthur, o CD já foi levado às feiras da Dinamarca, Argentina e França, conforme previa o projeto. "O saldo que faço é muito positivo. A expectativa é que a iniciativa continue e que, ainda este ano, tenhamos uma segunda edição do Brazil More Than Samba, desta feita numa caixa com cinco CD’s”, explicou.

Ele informou que cada compacto trará um gênero musical distinto, abrangendo instrumental e jazz, rock, regional, eletrônico e hip/hop, e world music. Pessoa acrescentou que a efetivação deste segundo projeto será fundamental para agregar outros artistas que não participaram da coletânea nesta primeira edição. “A verve criativa da Paraíba é muito rica. Precisamos aglutinar mais talentos”, destacou.

O projeto teve o patrocínio do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), do Governo do Estado da Paraíba, com o apoio do Sebrae. Além do CD, a divulgação do projeto também conta com outros materiais como cartazes e encarte em inglês com os contatos dos artistas.

Confira os artistas que participam do projeto "Brazil More Than Samba: Sounds from Paraíba":

Burro Morto - Cabaret
Brazilian Trombone Ensemble - Fantasia Carnavalesca
Aerotrio - Gato Preto
Totonho e Os Cabra - Você tá Doida pra me Dar
ChicoCorrea - Cantador
Escurinho - Lá Vem a Onda
Jaguaribe Carne - Saltos
Tocaia da Paraíba - Tabajara
Cabruêra - Passarada
Biliu de Campina - Se Toque no Forró
Vates e Violas - Ondinas
Toninho Borbo - Ser Humano
Eleonora Falcone - Pedaço de Sol
Gunjah Reggae Band - Coco Nyabinghi
Emboscada - A Trilha
Zé Viola Progressive Band - O Negro Albino
Unidade Móvel - As Pedras
La Gambiaja - Des Oiseaux
Cabeça Chata - Miudim
Madalena Moog - Hey, Amigo!