quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A marca da genialidade de Niemeyer na UEPB


Por Tatiana Brandão (jornalista)


O Brasil e o mundo se despedem do homem que foi o nome mais influente da arquitetura moderna: Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares, que faleceu nesta quarta-feira (5), aos 104 anos. O renomado arquiteto carioca foi pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado e, por este motivo, teve grande fama nacional e internacional desde a década de 1940.

A genialidade de Oscar Niemeyer está em importantes obras em todo o mundo e esta marca também está na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). O Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), construído às margens do Açude Velho, em Campina Grande, e que será inaugurado na próxima semana, reflete a visão macro do homem que sempre soube que arquitetura é invenção e ousadia, tem que causar impacto e ter desafio.

Apelidado de Museu dos Três Pandeiros, o MAPP é a última obra do arquiteto concluída com ele em vida, em todo o mundo. E era vista por Niemeyer com um carinho especial. “Ele não pensou a obra como três pandeiros, mas como mais uma ousadia arquitetônica, com um prédio ‘flutuando’ acima das águas do cartão postal da cidade. Quando ele soube que o povo paraibano apelidou a obra de ‘Museu dos Três Pandeiros’, assimilando a obra com artistas da região, isso foi motivo de grande alegria para Oscar, porque ele sempre gostava quando o povo gostava se suas obas”, Luiz Marçal, arquiteto da equipe de Oscar Niemeyer que trabalha diretamente nos projetos da UEPB.

Marçal destaca, ainda, que o Museu de Arte Popular da Paraíba era motivo de orgulho do maior arquiteto brasileiro. “O que mais ele sempre gostou de ressaltar era que o MAPP foi construído, totalmente, com mão de obra paraibana, com trabalhadores locais. Ele amava essa coisa de uma obra maravilhosa como é este museu ser fruto do trabalho de gente da terra, de gerar emprego e renda para a cidade. Isso o encantava e o fazia olhar com um carinho especial para esta que é a última obra concluída que ele deixa para o mundo”.

Além do MAPP, a Universidade Estadual tem a marca do gênio em outros projetos que se encaminham para sua execução, a exemplo, do projeto da nova Biblioteca Central da Instituição, que faz parte de um Plano Diretor para o Campus de Bodocongó, envolvendo, inclusive, toda uma estrutura de urbanização da região do entorno da UEPB, que engloba a recuperação do Açude de Bodocongó.

O projeto da nova Biblioteca Central da UEPB, aliás, foi doado por Niemeyer para a Universidade. Em um encontro da reitora Marlene Alves e do pró-reitor de Planejamento, professor Rangel Junior, com o arquiteto, em seu escritório, no Rio de Janeiro, Oscar ouviu a professora Marlene descrever as ideias que tinha para a UEPB e diante do entusiasmo que percebeu nas palavras da reitora, ele decidiu fazer o projeto gratuitamente.

“Recordo que quando comentei sobre o projeto grandioso que eu sonhava para a Universidade, de um espaço funcionando 24 horas, com estrutura para várias atividades para a comunidade acadêmica e a sociedade como um todo, mas disse que era ousadia demais, porque não tínhamos condições de pagar por um projeto tão grande assim, ele disse que iria fazer o projeto e doá-lo para a UEPB por ter visto entusiasmo no que queríamos para a Instituição. Foi um momento marcante, onde ele deu mais uma grande demonstração de como o cidadão Oscar Niemeyer era tão ou mais grandioso quanto o arquiteto Oscar Niemeyer”, destaca a professora Marlene.

Também são projetos de Oscar Niemeyer e sua equipe para a Universidade Estadual, o Centro de Vivência do Campus I; o Memorial de Cultura Popular do Campus de Patos e o novo Campus de Monteiro. Obras que ainda não saíram do papel, mas estão desenhadas com o magnífico traço de Oscar e se transformarão em mais um legado deixado pelo arquiteto carioca na UEPB.

Reconhecimento

Para a reitora Marlene Alves, Oscar foi um cidadão do mundo. “Ele era um dos grandes homens que existia no planeta. A obra dele, o seu legado, não se resumia em genialidade arquitetônica. Cada obra tinha a alma dele, a alma de um cidadão que era contra as injustiças sociais, que sempre defendeu que o pobre tem direito a ter uma vida digna. Para mim, é o grande homem do século. É difícil dizer quem era maior: se o Niemeyer cidadão ou se o Niemeyer arquiteto. De uma forma ou de outra, ambos são genialmente inesquecíveis”, ressalta a reitora.

O carinho que Oscar Niemeyer teve com a UEPB foi reconhecido com a outorga da Medalha do Mérito Universitário, concedida ao arquiteto como forma de agradecimento pelo auxílio prestado à Instituição. A honraria foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consuni) e entregue ao arquiteto em seu escritório, no Rio de Janeiro. “Tive a honra de fazer a entrega e o mestre Oscar a colocou no peito com alegria e fazendo brincadeiras, sempre. Ele fez a doação para a Universidade do projeto para a Biblioteca Central da UEPB, um complexo urbanístico que envolve biblioteca, anfiteatro, praça e teatro de arena, posteriormente incluído um Museu da Ciência”, lembrou o pró-reitor de Planejamento, Rangel Junior.

A relação da UEPB com Oscar Niemeyer e dele com a Universidade era afetuosa e foi representada com gestos que foram além da concretização de obras. Foi alicerçada em amizade e admiração mútua. Tanto que no aniversário da reitora Marlene Alves, em outubro do ano passado, ele fez questão de presenteá-la com a imagem de uma flor segurada por uma mão, feita de próprio punho. O presente está guardado com carinho pela professora Marlene e simboliza, mais uma vez, a grandiosidade do coração de um homem que, como disse certa vez, não se sentia importante e não queria nada além do que a felicidade geral.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Dom José Maria Pires e os quilombolas



Imagine um bispo da igreja católica dançando ciranda com um grupo de cirandeiras remanescentes de um dos quilombos da Paraíba. A apresentação, realizada de forma surpreendente pelo arcebispo Emérito da Paraíba Dom José Maria Pires e um grupo de Ciranda do Quilombo Caiana dos Crioulos, aconteceu no último dia 20 de novembro, no Museu Assis Chateaubriand (MAC) da Universidade Estadual da Paraíba (MAC), onde está sendo realizada a exposição “Quilombos da Paraíba – a realidade de hoje e os desafios para o futuro”, com fotografias do fotógrafo italiano Alberto Banal e dos 52 alunos quilombolas do projeto “Fotógrafos de Rua”.

O momento fez parte das comemorações alusivas ao Dia da Consciência Negra e foi incentivado pela Associação de Apoio às Comunidades Afrodescendentes – AACADE, a Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas – CECNEQ, bem como pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEAB-Í).

Cirandeiras do Grilo e da Caiana dos Crioulos, além de outros membros das comunidades Matão, Grilo, Pedra d’Água, Senhor do Bonfim, Negros das Barreiras e Os Rufinos, fizeram uma apresentação cultural e, para surpresa de todos, Dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba, se envolveu com o ritmo dos quilombolas e não se conteve em ser apenas um espectador de tão bela manifestação afro-brasileira.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

90 anos sem Lima Barreto


Por Eliezer Aguiar (Jornalista)


Primeiro de novembro é uma data marcante no calendário cristão. Neste dia é celebrado o Dia de Todos os Santos. As celebrações tiveram início por volta do ano 600 D.C. Muitos anos depois, mais precisamente em novembro de 1922, o dia passou a ser referência na literatura quando do falecimento de Afonso Henriques de Lima Barreto, nascido em 1881.

Negro, neto de escravos, ele era filho de João Henriques de Lima Barreto (negro nascido escravo) e de Amália Augusta (filha de escrava agregada da família Pereira Carvalho). Ironicamente, recebeu nome de rei, mas sempre foi consciente dos preconceitos sofridos. Mais conhecido como Lima Barreto, foi jornalista e um dos mais importantes escritores libertários brasileiros.

Os pontos altos de suas obras partem de sua autoafirmação enquanto negro, visto sempre dizer: nasci pobre, neto de escravos e mulatos. Desenvolveu uma literatura militante de tal forma que eram corriqueiras nos seus escritos as denúncias contra os problemas sociais. Criado e vivido em uma época conturbada, o autor assistiu, emocionado, a abolição da escravidão aos sete anos de idade, em 1888. Também foi testemunha das festas promovidas pelo advento e acompanhou a demissão do pai da Tipografia Nacional, pelo novo governo republicano.

Defendia a função transformadora da literatura, exercendo a literatura de inclusão. Inclusão essa diferente da atual, uma vez que à época a ascensão social era algo raro. Para exemplificar podemos citar a presença do negro em suas obras e também do uso de uma fluência verbal criticada pelas elites da época. A exclusão das baixas camadas sociais acontecia de tal forma que os autores de então ignoravam completamente suas existências.

De acordo com o professor da UEPB, Jomar Ricardo, desenvolvedor de tese de doutorado tomando como base a obra de Lima Barreto, o autor sempre fazia uso de sua forte consciência étnica e, frequentemente, denunciava a visão da mulher negra apenas como objeto sexual da elite branca. Jomar acrescenta que Barreto foi um escritor vanguardista e de visão futurística.

À sua época, criticou o incipiente movimento feminista. Ele acusava as mulheres da classe média de não defender uma causa em busca de justiça e igualdade social, mas sim de ampliar benefícios como o acesso a cargos públicos restritos apenas aos homens de então. Funcionário público concursado, Lima Barreto militou na imprensa de forma independente para complementar sua renda. Em seus escritos defendeu a reforma agrária, no livro Triste Fim de Policarpo Quaresma, e o aborto. Apesar de ter falecido no início do século 20, tinha ideias que geram polêmicas até nos dias de hoje, 90 anos depois de sua morte.

Após nove décadas de seu falecimento, Lima Barreto ainda não obteve seu devido reconhecimento. De acordo com o professor Jomar Ricardo, o fato do autor ainda não constar na lista dos escritores canônicos da literatura brasileira é algo positivo, visto que o elitizaria e descaracterizaria o discurso em prol das camadas inferiores. O entendimento da necessidade de se estabelecer cotas raciais tem seus fundamentos na literatura de Lima Barreto, quando propunha a mesma como ferramenta de promoção de mudanças, tendo em vista ser inspirado em escritores russos que tinham mais compromissos éticos sociais que estéticos, fator que tem contribuído para que o neto de escravos e filho de mulatos tenha se tornado personagem importante nas pesquisas de historiadores brasileiros.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dia do Professor


Por Eli Brandão (pró-reitor de Graduação da UEPB)


Neste dia 15 de outubro, Dia do Professor, a Universidade Estadual da Paraíba  homenageia aqueles que dedicam a sua vida à transmissão do conhecimento.

“São os que tecem cotidianamente o fio da educação, produzindo, despertando e compartilhando o saber com sabor, contribuindo, desse modo, para o desenvolvimento técnico, científico e sociocultural, tendo em vista a construção de uma plena cidadania, que, neste simbólico dia de reflexão e homenagem, merecem todos os parabéns”.

Parabéns aos professores e professoras da Universidade Estadual da Paraíba.

“Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho. A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas (...) Pois se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”. (Paulo Freire)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Sobre denúncias de improbidade




sexta-feira, 13 de julho de 2012

O que temos feito com o ECA?


Por Eliézer Aguiar (jornalista)


O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa, nesta sexta-feira, dia 13 de julho, 22 anos. A lei 8.069, que instituiu o ECA, foi promulgada em 1990. Nesta última semana, em todo o país, foi discutida a 22ª semana do Estatuto da Criança e do Adolescente (Semaneca 22 anos).

A lei prevê uma série de direitos e deveres de crianças e adolescentes, pais, conselheiros tutelares, juízes, médicos, entre outros. Estabelece, por exemplo, o direito à saúde, à educação, à convivência familiar, além de questões relacionadas às políticas de atendimento, às medidas de proteção e socioeducativas.

Dados da delegacia especializada apontam a existência de quatro homicídios de menores, em Campina Grande, no primeiro semestre de 2012. A primeira vítima faleceu no dia 15 de janeiro. O jovem de 17 anos foi encontrado no Bairro do Jardim Quarenta, após sofrer agressões, e veio a óbito no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande depois de vários dias internado.

O segundo caso aconteceu no dia 3 de março. Um garoto de 13 anos morreu vitima de um disparo de revólver. Segundo a polícia, a arma disparou de forma acidental. Mas, apesar da idade, a criança tinha envolvimento com o crime organizado e, no momento do acidente, estava a serviço de traficantes. Em 9 de abril aconteceu mais um homicídio de menor na cidade. Desta feita, no Bairro das Cidades, outro jovem de 17 anos foi morto a tiros. O acusado dos disparos foi preso em flagrante. O quarto registro de homicídio de menor aconteceu no início deste mês, no dia 6. Um rapaz, também de 17 anos, foi encontrado morto no Distrito de Catolé de Zé Ferreira.

Vamos agora aos dados relacionados à violência doméstica, violência sexual e inquéritos instaurados. Segundo a delegada Alba Tânia, em 2011 foram feitos 138 Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO) de violência doméstica. Este ano já foi atingida a marca de 70 procedimentos. Com relação aos casos de violência sexual, tivemos 58 ocorrências. Até agora, em 2012, se tem registro de 35 casos. No apanhado geral de inquéritos instaurados em 2011, foi ultrapassada a marca de 250. Em 2012 já foram superados números da ordem 150 inquéritos envolvendo qualquer tipo de violência contra menor em Campina Grande.

As perguntas sobre o que deveria ocorrer com quem maltrata as crianças e os adolescentes no país são facilmente respondidas: deve haver punição severa; deviam prender quem faz isso; os adultos deviam ter melhor coração. Para os questionamentos relacionados à punição são dadas respostas que consistem em medidas repressivas. Mas e quanto às medidas preventivas? O que podemos/devemos fazer para que essa prática infeliz seja extinta e não se perpetue?

A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), no cumprimento de suas obrigações sociais, desenvolve projetos de inclusão social. As escolinhas do Departamento de Educação Física (DEF) trabalha com crianças e adolescentes de baixa renda, oferecendo atividades esportivas. Para que a participação dos interessados seja plena e efetiva se faz necessário a manutenção de boas notas. Os coordenadores acompanham o rendimento escolar dos envolvidos no projeto para evitar que uma atividade venha a prejudicar a outra. O mesmo acontece com a Casa Brasil/UEPB onde se trabalha atividades artísticas com crianças oferecendo cursos de ballet e música. Os dois projetos sociais primeiramente citados são executados ininterruptamente, já o projeto Sons da Paraíba, que trabalha com crianças da Comunidade da Vila dos Teimosos e da Guabiraba acontece de forma sazonal.

Iniciativas como estas são louváveis em nível de instituições, mas quando partimos para o campo individual as atitudes ainda são pífias, para não dizer vergonhosas. Anne Frank dizia que “os pais somente podem dar bons conselhos e indicar bons caminhos, mas a formação final do caráter de uma pessoa está em suas próprias mãos”. Conceitualmente, há de se concordar com ela, mas os registros de omissões paternas com relação às crianças têm colocado abaixo essa afirmação. Para melhor exemplificar, trazemos à tona o caso da menina vítima de violência em pleno Maior São João do Mundo, ocorrido na madrugada do dia 21 de junho.

A criança teria sido obrigada a ingerir bebida alcoólica antes de ser atacada. A assessoria de imprensa da Prefeitura de Campina Grande disse que o crime não teria acontecido no Parque do Povo, mas nas suas proximidades e a responsabilidade seria, portanto, da Polícia Militar. A Central de Operações da Polícia Militar (Copom) informou que policiais encontraram a menina muito debilitada, sangrando e chorando em uma parte do local onde acontece a festa junina.

No tocante às fiscalizações, a quem compete o que, sempre vamos ter esse passa-repassa de responsabilidades por parte das autoridades. Mas, voltando para o individual, como pode uma criança de 11 anos, à noite, estar no Parque do Povo, e sozinha? Onde estavam os pais? A família? Termina que a criança é duplamente vitimada. Como se não bastasse a escalada da violência das ruas, temos ainda a omissão dos pais.

Muito se questiona sobre que mundo deixaremos para nossos filhos, mas porque não nos questionarmos sobre que filhos estamos deixando para nosso mundo? Quais exemplos estamos dando? Que reflexos terão no futuro nossas atitudes de agora? Vinte e dois anos é uma idade de assumir responsabilidades, tomar decisões para o futuro, saber fazer planos a curto, médio e longo prazos. E você, ECA, o que tem feito com relação a isso? O que temos feito com o ECA?


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Campina Grande: o interior mais internacional da música clássica


Por Eliezer Aguiar (jornalista)


O ‘grande’ de Campina não se limita ao sobrenome da cidade. A história mostra que a grandiosidade do município vem sendo ratificada a cada ano. Temos o Maior São João do Mundo, os dois maiores clubes de futebol do Estado, elegemos dois dos três senadores, nos colocamos sempre como fiel da balança nas eleições estaduais, somos a única cidade do interior do Brasil a ter uma sede da Federação das Indústrias, temos duas grandes universidades públicas, o maior número de doutores por metro quadrado do país.

É pouco? Temos ainda o singular Biliu de Campina, o histórico Baixinho do Pandeiro. Adotamos Marinês, Sivuca, Rosil Cavalcanti, Ronaldo Cunha Lima e Raymundo Asfora. Construída sobre o Planalto da Borborema e devido a sua posição geográfica, a cidade detêm o título de rainha. Para deleite de seus “súditos”, a cidade sediou a 3ª edição do Festival Internacional de Música, realizado pela UEPB, em parceira com a UFCG e a Fundação Parque Tecnológico. Detalhe: o evento aconteceu logo após a realização dos festejos juninos que duraram 31 dias seguidos.

Deixando a canjica, a pamonha, o milho assado e cozido de lado, os campinenses se renderam aos violinos, violoncelos, pianos, metais, entre tantos outros instrumentos, para tornar a cidade, durante seis dias, o centro da música erudita no Nordeste do Brasil. O evento trouxe apresentações de ópera, músicas clássicas, contemporâneas e eruditas, realizadas de forma descentralizada nas universidades públicas, privadas, Mosteiro das Clarissas e no palco maior da cultura campinense: o Teatro Municipal Severino Cabral.

Dada às raízes culturais da cidade, onde a produção musical em sua grande maioria dialoga com o forró, tanto tradicional quanto estilizado, era impossível prever a receptividade do público ao festival. Ocorre que o nível intelectual da população de Campina compõe um público exigente e fiel, fazendo com que os assentos do Municipal fossem insuficientes para comportar a plateia. Mas, diga-se de passagem, tal fato não afastou os espectadores. Os amantes da música lotaram as dependências do Severino Cabral e se acomodaram como puderam para, à revelia do conforto, assistir as apresentações.

Fazendo valer o dito popular “se Maomé não vai à montanha, a montanha vem a Maomé”, o festival foi levado para outros pontos da cidade, para que o deslocamento a um único ponto não fosse empecilho, oferecendo, assim, uma excelente oportunidade para quem se interessasse pelos espetáculos. As apresentações realizadas no período da tarde, no Campus I da UEPB e UFCG, além da FACISA, foi uma escolha acertada dos organizadores. Funcionários e estudantes das instituições puderam apreciar perto do ambiente de trabalho e estudo o que há de melhor na música erudita como também adaptações de clássicos brasileiros.

Apontar o dia do encerramento como o clímax do evento seria desmerecer as demais apresentações, mas o sentimento de saudade e quero mais deu um tempero diferenciado à última noite do evento. Movidos pela ansiedade peculiar a qualquer espera por algo bom, o público interagiu de forma uníssona e vibrante com os artistas, aplaudindo de pé todas as execuções, como se quisessem dizer: “ano que vem tem mais e que não demore”. Para os amantes da música fica a certeza de que o sucesso de público deste ano mostrou que o festival é um evento consolidado.