terça-feira, 16 de novembro de 2010

Primeiro roteiro turístico de moda de Campina Grande será lançado nesta quinta-feira

Da Assessoria do Sebrae

Como território que tem um pólo de moda, o Agreste da Borborema será foco da atuação de um projeto turístico de desenvolvimento da Paraíba. Associado ao território do Cariri, que já possui um roteiro turístico com 14 municípios, o Agreste vai lançar nesta quinta-feira, 18, o Roteiro da Moda, no CTModas – Casa Ecoeficiente, na Avenida Assis Chateaubriand, 4585, no Distrito Industrial de Campina Grande.

O roteiro cria um novo conceito na cidade, de compra coletiva e familiar da produção de moda, com qualidade e preço de fábrica. Funcionará de forma livre, com os turistas visitando as lojas sem guias ou qualquer programação. “É um modelo de turismo urbano, baseado no comércio do Ceará, que ampliou esse conceito. Ofereceremos a pequenos grupos familiares ou lojistas do Agreste a oportunidade de comprar mais e com menor preço”, explicou a gestora do projeto de Turismo do Sebrae, Rosa Maria Correia.

A partir de 2011, o visitante de Campina passará pelo roteiro com 10 lojas, que atrairão mais lojistas, pois, segundo dados da Fiep, a cidade tem mais de 100 empresas de moda. Além do turismo, as regiões terão estrutura, fortalecimento e promoção através de ações inovadoras do Desenvolvimento Integrado da Borborema do Sebrae e parceiros. São 17 cidades unidas em ações de agronegócios e artesanato.

“Vamos melhorar a governança do território, trabalhar mercado, dar visibilidade a uma competência na área de moda própria de Campina e gerar novo fluxo turístico”, disse Rosa. A novidade será lançada no laboratório de energias renováveis. Desde 2006, a Casa Ecoeficiente é um ambiente tecnológico, didático para visitação, cursos e inovações. Ela será ponto de turismo no Roteiro, já que, somente em 2007, o lugar recebeu dois mil visitantes de escolas públicas e particulares de todo o país.

O Centro de Moda Geralda Júlia Régis de Araújo – CTModa conta com 320 m² de área construída, laboratórios de pilotagem, modelagem, salas de aula, de desenho, de computação com máquinas com internet e Núcleo de Informação Tecnológica (NIT), com 113 periódicos e livros. Tem atendimento técnico e tecnológico, promove educação profissional básica e técnica à indústria do vestuário da Paraíba.

Programação

19h30 – Abertura

19h40 - Apresentação do Projeto: Roteiro da Moda / Marca

20h00 – Palestra - Tendências de negócios da Moda - Adão de Souza

21h00 – Coquetel

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Solidão no Facebook

Incapacidade - Sociólogo diz que podemos passar dias na internet e não conseguirmos ter uma verdadeira relação humana com quem quer que seja

Por Marcos Flamínio Peres, do Correio Braziliense


Agora que o Facebook virou filme e as redes sociais parecem ter liberado o homem para toda forma possível de comunicação, vem um intelectual francês dizer que vivemos sob a ameaça da "solidão interativa".

Dominique Wolton, 63, que esteve no Brasil há duas semanas, bate ainda mais pesado. Para ele, a internet não serve para a constituição da democracia: "Só funciona para formar comunidades" -em que todos partilham interesses comuns-, "e não sociedades" -onde é preciso conviver com as diferenças.

Sociólogo da comunicação e diretor do Centro Nacional de Pesquisa Científica (Paris), ele defende na entrevista abaixo que, depois do ambiente, a "comunicação será a grande questão do século 21". Em tempo: "A Rede Social", de David Fincher, estreia nos cinemas brasileiros no início de dezembro.


Como vê a internet?

Dominique Wolton - Faço parte de uma minoria que não é fascinada por ela. Claro, é formidável para a comunicação entre pessoas e grupos que se interessam pela mesma coisa e, do ponto de vista pessoal, é melhor do que o rádio, a TV ou o jornal.

Mas, do ponto de vista da coesão social, é uma forma de comunicação muito frágil. A grandeza da imprensa, do rádio e da TV é justamente a de fazer a ligação entre meios sociais que são fundamentalmente diferentes. Nesse sentido, a internet não é uma mídia, mas um sistema de comunicação comunitário.


Mas e as redes sociais?

Elas retomam uma questão social muita antiga, que é a de procurar pessoas, amigos, amor. São um progresso técnico, sem dúvida, mas a comunicação humana não é algo tão simples.

Porque em algum momento será preciso que as pessoas se encontrem fisicamente -e aí reside toda a grandeza e dificuldade da comunicação para o ser humano.


Então a solidão é um risco nessas redes?

Sem dúvida: a "solidão interativa". Podemos passar horas, dias na internet e sermos incapazes de ter uma verdadeira relação humana com quem quer que seja.


Isso tem a ver com o conceito que criou -o de "sociedade individualista de massa"?

Sim, porque na comunicação ocidental procuramos duas coisas inteiramente contraditórias: a liberdade individual -modelo herdado do século 18- e a igualdade por meio da inserção na sociedade de massa -que é o modelo do socialismo.

Usamos a internet porque ela é a liberdade individual. Na internet, todo mundo tem o direito de dar sua opinião, mas emitir uma opinião não significa comunicar-se.

Porque, se a expressão é uma fase da comunicação, a outra é o retorno por parte de um receptor e a negociação que implica -e isso toma tempo!

Há um fascínio pela rapidez da internet e por sua falta de controle.

Mas essa falta de controle é demagógica, porque a democracia não é a ausência de leis, mas a existência de leis utilizadas por todos.


O Google está nos tornando estúpidos?

Ele está se tornando a primeira indústria do conhecimento, concentrando de forma gigantesca a informação e o saber -o que é um perigo.

Se um grupo de mídia quisesse concentrar toda a distribuição de informação, alguém diria: "Atenção, monopólio!". Mas não se faz isso em relação à internet, tamanho é o fascínio pela técnica na sociedade atual.


O papel está condenado?

Ao contrário! Porque internet é rapidez, livros e jornais são lentidão e legitimidade -informação organizada. A abundância de informações não suprime a questão prévia de que educação é formação.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pasolini: morto há 35 anos,intelectual deixou obra que vai além do cinema

Inquieto- Sentimento de inadequação é flagrante na vida e na obra do artista

Por Alex Calheiros

Pier Paolo Pasolini, intelectual italiano morto no dia 2 de novembro de 1975, supostamente assassinado por um jovem da periferia romana que poderia muito bem ser um de seus personagens, é mais conhecido entre nós por sua atividade cinematográfica, por vezes por sua obra literária e, mais raramente, por suas ideias. Autor de filmes e romances ainda hoje muito lidos, sua obra, desde sempre múltipla, perpassa o cinema e a teoria do cinema, a literatura e a crítica literária, a poesia, o teatro e a ensaística, alcançando a crítica moral e política.

As atividades de Pasolini, no entanto, vão muito além do âmbito propriamente artístico, como facilmente poderíamos supor, porque ele foi talvez um dos intelectuais mais lúcidos e críticos de nosso tempo. Pasolini foi, acima de tudo, um homem inquieto e incômodo, podendo certamente ser alinhado àqueles que fizeram da crítica radical da cultura, para além dos meios expressivos de que se utilizaram, ponto de partida e ponto de chegada de um projeto intelectual em sentido pleno.

No dia de seu enterro, o escritor Alberto Moravia, diante de amigos e fãs comovidos e chocados pela brutalidade, mas também pela covardia de seu assassinato, disse enfaticamente que naquele dia haviam matado um poeta. Mas poetas, como todos sabem, nascem poucos, no máximo um ou dois durante todo um século, continuou. Diríamos mais; diríamos que um grande intelectual foi morto naquele dia. Intelectual inquieto e incômodo. Mas a inquietação, marca inconfundível de sua vida pública e privada, nunca foi movida por problemas abstratos, tampouco se colocava publicamente por mero narcisismo, transformando sua vida em um espetáculo. Foi, desde sempre, pela realidade, ou melhor, pelo sentimento de inadequação que a realidade lhe impunha.

Pasolini, como ninguém, transformou sua inadequação em argumento contra o fascismo que domina nossa cultura. Movido pelo que chamou de uma paixão desmesurada pela realidade, transformou-se, não por ingênua indignação, mas pelo mais forte sentimento patriótico e humano, num crítico mordaz da cultura italiana que, segundo ele, estava passando por um verdadeiro processo de decadência, uma trágica mutação.


Culpa a ser expiada

Mas é importante notar que o processo de decadência intuído e apregoado por Pasolini não era apenas uma suspeita, já estava plenamente instalado, não somente na cultura italiana, exemplo talvez mais próximo e mais esdrúxulo, mas em toda a cultura ocidental. Pasolini dizia que a vulgaridade da liberdade que nunca fora conquistada, mas concedida pela classe dominante, era o motivo pelo qual, tal como numa tragédia grega, carregávamos uma culpa que deveria ser de todo modo expiada. A decadência que Pasolini viu em nossa cultura era tão radical e violenta – mais radical e violenta que aquela, por exemplo, efetuada pelo fascismo e pelo nazismo –, que ele acreditava talvez já ser muito tarde para que algo ainda pudesse ser feito, para que pudéssemos ansiar por algum tipo de salvação. A decadência de nosso tempo é mais absoluta, diria Pasolini, porque ela não é mais imposta, mas alegremente aceita por cada um de nós.


O esquema pelo qual Pasolini explica a realidade é claramente teológico. Os homens, iludidos por aquele que se põe no lugar de Deus, o dinheiro, vivem e não percebem, como que encantados, aquele que se apossou não somente de seus corpos, mas também de suas almas. Pasolini agitava-se, ainda que no deserto, contra a nova idolatria que se instaurava. Coragem era a virtude desse italiano que, por amar o seu tempo, tornou-se justamente inimigo dele e, como um mártir, foi morto por tudo aquilo que disse e que ainda poderia dizer. A linguagem tornou-se então a mais importante questão de sua trajetória. A impossibilidade de se comunicar com seu tempo, apesar de toda sua lucidez, fez com que ele encontrasse outra forma de estabelecer relação com o mundo. Pasolini mergulhou então numa dimensão mítica, religiosa, sacra, para poder escapar desse monstro que tudo quer possuir. A paixão desmesurada pela realidade foi sua religião. “Tudo é sagrado, tudo é sagrado, tudo é sagrado e a natureza não é natural.”

Assim, já de início, ouvimos na voz do Centauro, no filme Medeia, o problema que de algum modo Pasolini desenvolveria em toda a sua obra, especialmente aquela da maturidade: a época trágica em que vivemos. Medeia, assim como Salò, pontos altos de sua obra, foram pessimamente recebidos na época de sua exibição. A crítica mais engajada disse do primeiro que era arcaísta, evasivo e espetacular; do segundo, como se pode imaginar, disse ser perverso. Mas, para além do fato de Pasolini ter sido sempre mal compreendido, a crítica naquele momento não levou em conta o que ele sempre deixou muito claro e que explicita justamente a lucidez de seu projeto, contra toda evasão e contra toda perversão. Tanto a Grécia quanto a República de Salò, lugares nos quais o autor ambienta seus filmes, não servem à história por um desejo de evasão do tempo presente, como quis a crítica, mas apresentam uma tentativa de representação das questões mais candentes de seu tempo. Representar o tempo para melhor apresentá-lo. Num, o conflito entre dois modelos culturais, um burguês e racional, encarnado por Jasão, e outro antiburguês e irracional, encarnado por Medeia. Noutro, a radicalização desse processo em que não há mais oposições, ao representar um mundo no qual as forças, inclusive toda forma de resistência, já foram subjugadas.


Descrença na razão, na gramática e na história

São essas as premissas da explicação que Pasolini dá ao momento presente italiano. Num e noutro ficou pra trás o que restava ainda de uma vida sadia, e assistimos ao prelúdio da tragédia que se tornou a vida. O itinerário de Pasolini, desde sua obra poética em dialeto friulano, é um itinerário de descrença na razão, na gramática e na história, apostando no irracional, pré-gramatical e pré-histórico. É um adensamento da crítica à cultura ocidental, apresentando um contínuo afastamento da linguagem e uma gradativa aproximação da sacralidade da comunicação arcaica. Curioso, por causa de sua origem literária, o cinema de Pasolini é absolutamente antiliteral, não verbal, notadamente em Medeia, uma das mais belas vozes dos anos 1950, quase muda, de uma mudez em tudo eloquente. Em Salò, mais radical, toda linguagem é normativa, serve apenas para antecipar aquilo a que os prisioneiros devem se submeter.

Sabemos que Pasolini se encantou pelo cinema justamente por seu caráter pré-gramatical, por sua capacidade de produzir uma comunicação primitiva, violenta, bárbara. As formulações mais consistentes de Pasolini acerca do específico cinematográfico encontram-se num livro de ensaios teóricos, Empirismo Herético. Escrito na mesma época em que Christian Metz iniciava suas pesquisas teóricas em semiologia do cinema, dizendo que o cinema seria uma linguagem sem língua, Pasolini irá mais adiante, postulando (e provocando um debate acirrado) que a língua do cinema, ou seja, o código utilizado pelo cinema para comunicar-se, era a própria realidade. A proposta de Pasolini era, portanto, uma radicalização da utopia neorrealista de narração da realidade por um processo basicamente privado de mediação. No cinema, para dizer de uma vez, o espectador decodifica as imagens fílmicas com os mesmos parâmetros com os quais decodifica a realidade.


Barbarizar é pensar contra a racionalidade burguesa

Pasolini, em sua obra e em sua vida, é marcado por esse desejo primitivo, alucinado, violento e pragmático pela realidade. E é nesse amor tornado encontro com a realidade que ele descobre a alienação do mundo. A realidade, ao contrário do que prega nossa cultura racional, é sacra, misteriosa e ambígua; de modo algum é natural. A alienação começa justamente quando se começa a ver a realidade como algo natural. O cinema, de certo modo, se desapega da tentativa de mediar abstratamente a realidade, reintroduz o homem numa dimensão sacra, misteriosa e bárbara do mundo. Assim, para falar brevemente, Pasolini não é um decadente. O barbarismo pasoliniano é uma atitude genuinamente filosófica. Barbarizar é pensar contra a racionalidade da sociedade burguesa. O cinema é uma arma não em favor da cultura, mas contra ela.

Pode soar estranha aos nossos ouvidos a conclusão tirada por esse grande intelectual: temos pouco a fazer, a não ser nos revoltar, e isso é tudo. É isso que intuímos, afinal, quando acompanhamos o desespero de Medeia, que se mata e mata os próprios filhos por sentir na pele sua incompatibilidade com o mundo estabelecido; ou ainda quando vemos o soldadinho fascista de Salò, que, ao tentar resistir, amando justamente uma vítima como ele, uma garota negra, é surpreendido pelos superiores e levanta o braço esquerdo, mesmo sabendo que vai morrer.

Mas isso nós apenas podemos compreender se antes entendermos que, distante do projeto revolucionário daquele que foi o “pai” ou humilde irmão da Itália (como diz no poema Cinzas de Gramsci), restou-lhe somente a revolta, como um herói trágico justamente, que mesmo sabendo o destino reservado, demonstra sua altivez na luta contra o que lhe é imposto. Por isso, mesmo descrente da adesão que poderiam surtir suas palavras, não deixava de gritar em praça pública.

Esse Cristo danado, herético e banido, quase religioso em sua irracionalidade, teria mesmo de morrer. A vida e a morte de Pasolini foram insistentemente marcadas pelo compromisso incondicional com uma verdade que ninguém queria escutar. O compromisso de Pasolini, mortas por sufocamento as esperanças revolucionárias, passou a ser esse amor sem crenças, desesperado e trágico, pela realidade.

O tempo de Brecht e Rossellini, quando ainda era possível aprender e ensinar, acabou, dizia o Corvo em Gaviões e Passarinhos, mas de algum modo Pasolini cumpriu seu papel, porque seu desespero, profético em seu tempo, encontra hoje na sociedade de consumo a mais justa adequação. Ou não é verdade que nossas vidas estão completamente subjugadas pelo mais poderoso dos poderes e seus ritos de morte? Ou não é verdade que nossa vida não é mais vida? Hoje, por isso mesmo, mais do que nunca, talvez seja o momento de voltar ao seu pensamento, não por mera erudição, atitude que certamente pareceria detestável aos olhos do “poeta das cinzas” (já que se trataria de uma atitude tipicamente burguesa; filisteia, para falar com sotaque nietzschiano), mas para pelo menos compreender, quiçá melhor, o mal que nos aflige.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Educação em direitos humanos integrará currículo escolar

Bons Hábitos - Plano almeja incentivar o respeito ao outro



Da Agência Brasil

Uma proposta para criação de diretrizes curriculares nacionais sobre educação em direitos humanos foi apresentada na última terça-feira (9) ao Conselho Nacional de Educação (CNE) pelo ministro da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Paulo Vannuchi. Segundo ele, o objetivo é criar um “novo hábito nacional de respeito ao outro”.

O projeto está sendo discutido e, se for aprovado, será implementado no próximo ano. “O trabalho mais estratégico que existe no país é a educação em direitos humanos. Desde muito cedo, é preciso ensinar a criança a não bater no coleguinha ou não ter preconceito por gênero, cor de pele e condição de pobreza. Isso tem de atravessar todo o sistema escolar, indo para a educação superior”, disse o ministro.

De acordo com o presidente da Câmara de Educação Básica do CNE, Francisco Aparecido Cordão, a educação em direitos humanos não será uma matéria específica, mas estará integrada em todas as disciplinas da grade curricular das escolas.

“Todos os professores devem tratar disso, pois os direitos humanos são uma questão central no cumprimento do currículo escolar e deve ser tratado pelo conjunto da escola, objetivando o desenvolvimento da consciência crítica do aluno cidadão. É algo que interessa ao diretor de escola, aos professores, aos alunos, à comunidade educacional”, disse.

Para o membro da Câmara de Educação Básica do CNE José Fernandes de Lima, o Brasil evoluiu na questão dos direitos humanos. Segundo ele, a adaptação às novas diretrizes curriculares levará algum tempo, pois deve passar por uma mudança de mentalidade das pessoas. “Temos que esclarecer os alunos e providenciar que a vivência na escola funcione como um exemplo de garantia dos direitos humanos”, afirmou.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Prossegue VII Mostra Sesc Ariús de Teatro de Rua em Campina Grande


Da Assessoria do Sesc/CG

 A VII Mostra Sesc Ariús de Teatro de Rua – Aldeia Palco Giratório continua com mais apresentações culturais e oficinas artísticas em Campina Grande. Nesta quarta-feira, 10, dois espetáculos animam a Praça da Bandeira, no Centro da cidade. O evento acontece desde sábado, dia 6, percorrendo vários bairros e distritos vizinhos, promovendo inclusão através do teatro e da dança.

A partir das 10h, a Praça da Bandeira será palco do espetáculo As Aventuras de Pedro Malazartes, da Cia. Teatral Alegria Alegria, do Rio Grande do Norte (RN). Pedro Malazartes, personagem que veio da Península Ibérica, desembarca na América e aventura-se pelo sertão nordestino, onde se depara com personagens estranhos e sempre encontra um jeito de se sair bem. A peça apoia-se no visual colorido e alegre do Bumba Meu Boi.

Já às 17h, no mesmo local, a Cia. Paraibana de Comédia apresenta o espetáculo O Romance do Conquistador. Nascida do imaginário de Lourdes Ramalho, a história apresenta heróis, donzelas e vilões que surgem no caminho de um Dom Juan Nordestino, que ludibria mulheres e vitima a todos com enganos e trapaças.

Além disso, continuarão sendo ministradas as oficinas na PROAMEV do bairro Catingueira. Pela manhã, das 8 às 11h, acontece a Oficina Circense ministrada pela atriz e professora Challena Barros, que ensina técnicas de pernas de pau e acrobacias. Já à tarde, das 14 às 17h, o coreógrafo, dançarino e artesão Sérgio Nascimento ministra a Oficina de Danças Folclóricas.

A VII Mostra Sesc Ariús de Teatro de Rua é realizada pelo Sesc Paraíba em parceria com o Departamento Nacional do Sesc e se estende até o dia 14, levando cultura popular para as diversas localidades de Campina Grande. Mais informações podem ser obtidas através do telefone (83) 3341-5800 ou no endereço eletrônico www.sesccultural.blogspot.com.


Confira a programação:

Dia 10

PRAÇA DA BANDEIRA

10h - Espetáculo “AS AVENTURAS DE PEDRO MALAZARTES” - Cia Teatral Alegria Alegria - Natal (RN)

17h - Espetáculo “O ROMANCE DO CONQUISTADOR” - Companhia Paraibana de Comédia - João Pessoa (PB)


Dia 11

PRAÇA DA BANDEIRA

10h - Espetáculo “ O ROMANCE DO CONQUISTADOR” - Companhia Paraibana de Comédia - João Pessoa (PB) 17h - Espetáculo “O AUTO DO CALDEIRÃO’ - Cia Teatral Alegria Alegria - Natal (RN)


Dia 12

PRAÇA DA BANDEIRA

10h - Espetáculo “O DIA EM QUE JUDAS FOI TRAÍDO” - Grupo de Teatro Aberto – GRUTA – João Pessoa (PB) 16h - Espetáculo “TERREIRO DE HISTÓRIAS” - Grupo Armadilhas Cênicas (CE)



Dia 13

PRAÇA DA BANDEIRA 10h - Espetáculo “SHAKESPARIANO” - Companhia Bagana de Teatro - Mossoró (RN)

BAIRRO DA CATINGUEIRA 10h - Espetáculo “COLCHA DE RETALHOS” - Cia Boca de Cena - João Pessoa - PB CATOLÉ DE ZÉ FERREIRA 16h - Apresentação dos espetáculos de danças folclóricas: Grupo Acauã da Serra, Raízes, Dance Charm, Originis, Boys Crazy Of Dance. DISTRITO DE SÃO JOSÉ DA MATA 17h - Espetáculo “COLCHA DE RETALHOS” - Cia Boca de Cena - João Pessoa – PB

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O imprevisível na arte

Aleatório? Pollock respingava tinta sobre suas imensas telas formando traços harmoniosos

Título da Obra: Convergence (1952)
Por Ferreira Gullar


Talvez a nossa visão da expressão artística se enriqueça se tentarmos mudar a maneira usual de entendê-la. Não há dúvida de que uma compreensão cabal desse fenômeno é quase impossível.

Digo isso porque tendo a achar que não há respostas definitivas para os problemas e, particularmente, quando se trata de matéria tão complexa e ambígua quanto a arte.

Estou convencido de que a obra de arte é resultado de um processo, que tem como fator consubstancial a imprevisibilidade. Isso se tornou mais evidente na época moderna, quando a expressão artística se libertou das normas que surgiram, séculos antes, nas academias de arte.

Uma série de fatores levara ao estabelecimento de regras e princípios a que os artistas deveriam obedecer; regras essas que nasceram da convicção de que a função das artes plásticas era representar a figura humana.

Uma coisa condicionou a outra: se a arte alcançaria sua mais alta expressão representando o corpo humano, era, então, obrigatório estudá-lo objetivamente e buscar, com rigor científico, copiar cada detalhe que o constitui.

E assim surgiu um verdadeiro código capaz de orientar o artista na captação fiel das particularidades do corpo humano. Normas e proporções preestabelecidas possibilitaram conceber a figura humana ideal, representada conforme relações e harmonia que não se encontram em nenhum corpo humano real. Por essa razão, a realização artística tornou-se previsível, ou seja, um procedimento regido de antemão por regras conhecidas.

Se é verdade que o grande artista nunca se submeteu integralmente a tais regras, não resta dúvida de que, quando elas foram abandonadas, o trabalho artístico sofreu uma mudança fundamental: o imprevisível tornou-se um fator essencial da criação artística.

O início se dá no cubismo analítico, quando a representação figurativa é substituída pela construção arbitrária da forma dos objetos. Agrava-se com o abandono dos processos propriamente pictóricos, substituídos pelo uso de papel colado à tela, arame, areia, barbante. Se o artista não tem qualquer compromisso com a imitação das figuras, que fatores passam a reger a realização da obra?

Do meu ponto de vista, com o cubismo, a pintura, que antes nascia das formas naturais, passou a nascer, na tela, da imaginação do pintor. "Cézanne, de uma garrafa fazia um cilindro; eu, de um cilindro, faço uma garrafa", afirmava o cubista Juan Gris (1887-1927). Essa autonomia da linguagem levou a uma exacerbação que ultrapassou os limites: tudo o que se punha na tela virava expressão estética, fosse papel, barbante ou areia.

Em contrapartida a esse tipo de construção arbitrária, surgiu a arte geométrico-construtiva, inicialmente com o neoplasticismo de Piet Mondrian (1872-1944). Regida por linhas verticais e horizontais, limitava a composição a quadrados e retângulos em cores primárias, que se repetem de um quadro para o outro.

O grau de imprevisibilidade foi reduzido, mas não eliminado, mesmo porque não era esse o propósito do artista, uma vez que a composição, como um todo, sem o comprometimento com a representação figurativa, era "arbitrária", ou seja, o resultado possível a partir dos elementos postos em jogo. Na verdade, a arte construtiva buscou tornar necessário o que era casual.

No polo oposto a essa arte, situou-se a arte informal ou tachismo, cuja manifestação mais radical terá sido a "pintura cega", como a do italiano Vêdova, por exemplo.

No entanto, pela despreocupação total com a construção da obra, esse procedimento tentou eliminar a relação dialética entre ordem e desordem, previsibilidade e imprevisibilidade, perdendo-se assim a noção de obra, em que sempre intervém a opção do autor: o acaso criaria a obra, mas é a intervenção do artista que faz dela expressão humana, mesmo porque o puro acaso, assim como a natureza, que produz galáxias, não produz arte.

Esta, por maior que seja o grau de acaso que a constitua, é sempre resultado da intervenção do artista. Mesmo Pollock -que, dançando sobre a tela posta no chão, deixava cair sobre ela respingos de tinta que constituiriam a obra- intervinha, depois, para corrigir o que o acaso criara errado.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Chico Buarque vence Prêmio Jabuti pela terceira vez

Fraseado - Livros de Chico  tem o mesmo acabamento rítmico 
de suas melhores canções

Do Portal Vermelho
O músico e escritor Chico Buarque foi o grande vencedor do Prêmio Jabuti de 2010, o mais prestigiado e importante da literatura brasileira. O seu mais recente trabalho, “Leite Derramado”, foi escolhido como o “Melhor Livro do Ano” na categoria ficção, tanto pelos jurados do prêmio quanto pelos internautas, que este ano passaram a votar pela primeira vez - mais de 5 mil pessoas participaram pela internet.
Chico Buarque desbancou concorrentes das categorias “romance”, “contos e crônicas”, “poesia”, “infantil” e “juvenil”. A cerimônia de entrega aconteceu na Sala São Paulo, no bairro da Luz, região central da capital paulista, na noite da última quinta-feira (4). Foi a primeira vez, em 52 edições da tradicional premiação literária brasileira, que o mesmo escritor vence três vezes na categoria.

Na categoria “não-ficção”, a vencedora foi a psicanalista Maria Rita Kehl, com o livro “O Tempo e o Cão”. A obra foi escolhida entre os três primeiros colocados de 2010 nas categorias “teoria/crítica literária”, “reportagem”, “ciências exatas, “tecnologia e informática”; “economia, “administração e negócios”; “direito”, “biografia”, “ciências naturais e da saúde”, “ciências humanas”, “didático e paradidático”, “educação, psicologia e psicanálise”, “arquitetura e urbanismo”, “fotografia, comunicação e artes”.

Os vencedores do prêmio principal receberam cada R$ 30 mil. A escolha foi feita por um júri formado por profissionais do mercado editorial que teve a tarefa de ler os três melhores livros do ano em diversas categorias e a entrega foi feita na Sala São Paulo, na capital paulista.

Também foi anunciado o vencedor do prêmio “Voto Popular” na categoria “não-ficção”. O título mais votado foi “Linguagens Formais, Teoria, Modelagem e Implementação”, de Marcos Vinicius Midena Ramos, João José Neto e Italo Santiago Vega. Os vencedores da categoria “Voto Popular” receberam, cada um, uma placa como homenagem pela conquista.