sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Museus têm novos papéis na vida urbana


 Museu de Artes da UEPB, que está sendo construído no bairro do Catolé - mais uma iniciativa cultural da Universidade


O surgimento de inúmeros novos museus sobre os mais variados temas e aspectos da vida humana jogam luz sobre a própria ideia de museu. Os museus vêm, há alguns anos, transformando-se, mudando seu papel na cena da complexa vida das cidades.
Em vez de depósitos privilegiados de valores artísticos ou históricos do passado, assumem novos programas, funções e usos diferenciados.
Fluxos cada vez maiores de pessoas se deslocam pelo mundo em busca do que é novo e desconhecido, e os museus são alvos privilegiados nessa busca.
Vivemos hoje numa encruzilhada: por um lado, é cada vez menor a possibilidade de se constituirem importantes acervos artísticos, históricos ou documentais pela falta de oferta ou pelo alto valor a se despender para a obtenção de algo significativo -boas peças- na formação de uma coleção com nexo e conteúdo; por outro, a demanda de acesso democrático aos museus aumenta, seja pela implementação de programas escolares de visitação, seja pela necessária abertura de suas portas à entrada de gente que nunca havia botado os pés nesses espaços de ares restritivos e inibidores, espaços para poucos iniciados.
Os museus são hoje parte indissociável das cidades modernas e estão integrados à vida cotidiana. Espaços de reflexão e convivência por excelência, os novos museus se guiam cada vez mais pelo olhar antropológico, ferramenta de grande utilidade nos dias de hoje, em que os conflitos dos encontros são a marca da época, e as cidades, o palco principal.
Assim, ou os museus se transformam para falar a nova língua da "urbis", para refletir sobre o que se passa na vida do cidadão a partir de seus acervos, ou estarão fadados ao fracasso e ao isolamento. E, hoje, terminam por responder também por importante fatia do turismo sadio, não predador, o chamado turismo cultural.
Está claro que, em tempos de comunicação rápida, o desafio aos criadores e gestores de museus redobra. É preciso encontrar novos meios, novas linguagens para os tempos atuais. E para isso não há regras, cada caso é um caso, cada tema ou assunto demanda soluções próprias de comunicação. Deveríamos tomar, quem sabe, algumas lições do cinema, que conta velhas histórias sem se esgotar.
Os museus também contam histórias, múltiplas, cruzadas, entrecruzadas. E estão à procura de uma gramática própria em sua conversa com a sociedade -que deve ser cada vez mais abrangente e democrática.
Assim, novos experimentos aparecem e nos instigam a criar e a avançar mais -e não importa se com "high-tech" ou "low-tech"; a questão é como contar boas histórias diferentemente dos livros, dos filmes, das escolas e das igrejas. É provocar estímulos, fazer com que cada pessoa, após uma visita, saia com novas dúvidas, muitas questões e perguntas.
Museu como instrumento de humanização, expansão das fronteiras do conhecimento e da poesia, um alimento do espírito; partindo do lugar -socioambiental ou físico e humano, mas sempre com uma linguagem universal e contemporânea. A comunicação é e continua sendo a chave do sucesso da conversa que se quer travar.
Um museu deve ser ponto de honra e orgulho para qualquer comunidade ou cultura que venha a representar. Deve também ser um grande atrativo para os forasteiros, que se deslocam para ver algo original, com força e caráter próprios. Assim, a força motriz de um museu bem idealizado e inteligente movimenta a economia local e coloca cidades no mapa cultural.
Hoje, o cidadão que viaja quer uma experiência arquitetônica, antropológica, sensitiva e intelectual diferenciada; uma experiência nova, e não simulacros disfarçados em museus.
Nossos novos museus devem responder às novas demandas da vida, lugares de encontros cada vez mais inusitados e originais. Podem ser instrumentos transformadores da vida nas comunidades, instrumentos eficazes de atração de novos negócios e desenvolvimento econômico e social, dentro de uma lógica que deve partir do lugar e da convivência humana.

Por Marcelo Ferraz, da Folha de São Paulo

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Aluno e ex-aluno da UEPB desenvolvem blog para resgatar a memória de Campina Grande


O aluno da Universidade Estadual da Paraíba, Emmanuel do Nascimento Sousa, que cursa Ciências Contábeis e o ex-aluno da UEPB, Adriano Figueiredo de Araújo, graduado em Direito e Administração, desenvolveram o blog  http://cgretalhos.blogspot.com.
O objetivo da iniciativa é o resgate da memória histórica de Campina Grande. Bonito e interativo, o espaço conta com fotos, textos e vídeos da Rainha da Borborema de outrora e da era contemporânea.
De acordo com Adriano, o blog está aberto a contribuições de toda a comunidade interessada. Contudo, há dificuldades para encontrar material das décadas de 60, 70 e 80. O blog é denominado "Retalhos", por unir depoimentos e fundamentações teóricas no que concerne aos temas tratados, além de todo o conteúdo imagético, construindo uma verdadeira "trama" de fragmentos históricos de Campina.
Criado em agosto de 2009, o blog já conta com mais de 4.867 visitas dos internautas e dispõe de uma média de 45 acessos por dia. Mais informações sobre o blog podem ser obtidas pelo e-mail manneh_afb@hotmail.com.

Da Ascom/UEPB (Por Oziella Inocêncio)

Universidade do Século 21

No início do século passado, o renomado sociólogo alemão Max Weber observou que somente por acaso se poderia encontrar em um mesmo homem as vocações de cientista e professor. Apenas em situações fortuitas teríamos a felicidade de entrarmos em uma sala de aula e depararmos com o acadêmico igualmente "vocacionado" para o ensino e para a pesquisa.
O dilema weberiano ainda angustia aspirantes e mestres de diversas áreas do conhecimento. De um lado, estudantes decepcionados por não compreenderem o brilhantismo dos seus professores-pesquisadores. De outro, pesquisadores-professores amargurados por não conseguirem transmitir seus conhecimentos para diligentes alunos.
Se já era difícil conciliar ensino e pesquisa, o que dizer da combinação entre ensino, pesquisa e extensão? As atividades extensionistas exigem dos docentes universitários uma vocação pouco desenvolvida no meio acadêmico: a de colocar em prática as investigações teóricas e os achados das pesquisas.
Se considerarmos ainda o desigual reconhecimento atribuído às atividades universitárias -a publicação dos resultados de pesquisa confere mais status do que a dedicação à sala de aula ou a projetos de extensão-, é compreensível a predileção pelos laboratórios entre os jovens postulantes aos mais prestigiosos títulos acadêmicos.
Contudo, cada vez mais a sociedade contemporânea reclama um papel engajado das instituições de ensino superior, em particular das universidades públicas, das quais se exigem retornos não só na forma de publicações internacionais mas também em produtos e processos aplicáveis ao desenvolvimento econômico e social.
Nesse contexto, ganha força o conceito de extensão inovadora, isto é, a prática extensionista capaz de levar à sociedade os conhecimentos científicos e tecnológicos produzidos no intramuros universitário.
Mas, para tanto, é necessário um duplo movimento: 1) de um lado, as universidades devem promover o reconhecimento mais equitativo das práticas de ensino, pesquisa e extensão; 2) de outro, as práticas extensionistas devem eleger a difusão do conhecimento científico e tecnológico como atividade prioritária.
O conceito de extensão inovadora implica a superação da ideia da prática extensionista como consultoria empresarial ou assistencialismo comunitário. Não se trata apenas de atender demandas de setores sociais específicos, mas de levar o conhecimento científico e tecnológico à sociedade como um todo. A extensão deve constituir o núcleo promotor daquilo que os cientistas sociais chamam de "meios de inovação", isto é, um conjunto específico de relações com foco na produção de novos conhecimentos, novos produtos e novos processos. O lócus da sinergia entre os atores acadêmicos, o poder público e o setor produtivo.
O velho modelo humboldtiano (ensino e pesquisa) é condição necessária, mas não suficiente para a universidade contemporânea. A superação desse paradigma, por sua vez, é condição imprescindível para a prática da extensão inovadora. Não se trata de minimizar a importância da fórmula ensino-pesquisa, mas de maximizar o alcance dos seus resultados para além dos campi universitários.
Somente assim a universidade poderá cumprir o seu papel científico e tecnológico de forma plena. Será na relação profícua com os atores sociais inovadores (representantes do poder público, dos empresários e dos trabalhadores) que a universidade do século 21 encontrará a base social para superar os dilemas vividos pelas universidades do século 20.

Adalberto Fazzio e Sidney Jard da Silva, professores e colunistas da Folha de São Paulo

Saudações aos funcionários da UEPB!

Enquanto brilhavam as luzinhas de Natal e se aproximava o fim do ano de 2010, os funcionários da Universidade Estadual da Paraíba trabalhavam incansavelmente para o bom andamento das atividades da Instituição.

Toda a equipe da Pro-Reitoria de Finanças (Profin), por exemplo, constituída por 16 funcionários, trabalhou em dias geralmente destinados às comemorações de final de ano, a exemplo da véspera de Natal. A reitora da UEPB, Marlene Alves Luna, também fez questão de acompanhar de perto as conclusões das atividades.

Na Profin, em ao menos oito dias do final de dezembro de 2009, a labuta começou as 7h30 e terminou às 21h, de acordo com a coordenadora da Pró-Reitoria, a professora Maria Ronilda C. Braga Vasconcelos.
A UEPB saúda ao esmero e esforço de todos os funcionários, que deram sua grande contribuição neste período, para que a nova e dinâmica música criada pela Universidade, não desafine ou perca o veio da composição!

Da Ascom/UEPB (Por Oziella Inocêncio)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Após 50 anos, obra de Albert Camus permanece atual



Janeiro, mais especificamente o último dia 04, assinala os 50 anos da morte de um dos escritores e intelectuais mais influentes do século 20: Albert Camus. Nascido em 1913 em Mondovi, Argélia, Camus era filho de um francês morto na Primeira Guerra e de uma descendente de espanhóis. Era, portanto, um "pied noir", "pé-negro", termo que designa a população de origem francesa que vivia na Argélia.
Sua infância, em Argel, foi pobre: trabalhou com o tio, tanoeiro, e a muito custo estudou. Cursou filosofia e doutorou-se com uma tese sobre Santo Agostinho. Poderia ter seguido a carreira docente, mas a tuberculose da qual sofria (como muitos artistas e intelectuais à época) agravou-se, impedindo-o de trabalhar na área.
Em 1939, mudou-se para a França e, em 1940, aderiu ao movimento da resistência contra a ocupação nazista. Ainda em 1940, fundou, com outros, a revista "Combat", da qual foi redator-chefe de 1944 a 1946. Simultaneamente, dava início à uma carreira literária que lhe valeria o Nobel de literatura em 1957. Na Argélia, publicara "O Avesso e o Direito" e "Bodas em Tipasa". Seguiram-se "O Estrangeiro", "A Peste", "O Mito de Sísifo" e "O Homem Revoltado". Também escreveu para o teatro "Calígula", "Os justos" e "O Estado de Sítio".

Mãos sujas
Em 1942, conheceu Jean-Paul Sartre, de quem foi amigo por dez anos e com quem manteve uma das polêmicas mais famosas do pensamento contemporâneo, vinculada às grandes transformações ocorridas após a Segunda Guerra.
Com a vitória da União Soviética no fronte oriental, o comunismo stalinista expandiu-se, tomando o poder em vários países. Porém, a entusiástica adesão de muitos intelectuais à Revolução Russa, de 1917, agora dava lugar à decepção, quando não à franca revolta, como mostram os depoimentos de Arthur Koestler, Ignazio Silone, Richard Wright, Louis Fischer e Stephen Spender em "O Deus que Falhou" (1949).
Koestler, autor de "O Zero e o Infinito", romance anti-stalinista, influenciou muito Camus. Sartre, mais velho que Camus e visto como o expoente maior do existencialismo, só se aproxima da política em 1941, mas, então, sua postura é bem mais rígida. Ele de certa forma justifica os excessos do stalinismo e do regime maoista sob o argumento de que política exige "mãos sujas" ( "Les Mains Sales", título da peça teatral claramente autobiográfica descrevendo os conflitos de um jovem intelectual burguês).
Antes sujar as mãos, diz o filósofo, do que ficar em cima do muro, uma questão, como vemos, muito atual. Ao mesmo tempo, Sartre manifestava-se contra o domínio francês na Argélia que havia desencadeado uma luta de libertação. Camus era a favor da independência, mas contra o terrorismo usado pela guerrilha. A polêmica entre os dois é descrita em "Camus e Sartre - O Fim de uma Amizade", de Ronald Aronson, publicado no Brasil pela Nova Fronteira (2007).

Jogo de futebol
Àquela altura, a reputação de Camus já estava consolidada e ele viajava pelo mundo inteiro. Veio ao Brasil, em 1949, e pediu para assistir a uma partida de futebol e deu conferências em várias cidades, apesar de sentir-se doente -pode ter havido uma reexacerbação da tuberculose.
Manoel Bandeira, que esteve com ele e também era tuberculoso, conta que falaram sobre a doença e outros temas com simplicidade: "Não havia nenhum vestígio dessa personagem odiosa que é a celebridade itinerante. Não parecia um homem de letras. Era um homem da rua, um simples homem".
A autenticidade, associada à profundidade do pensamento e ao domínio da forma literária, torna a obra de Albert Camus, morto em 1960 em um acidente de carro, sempre atual.

Moacyr Scliar

Historiador tem mais opções de atuação

Foi-se o tempo em que quem fazia faculdade de história tinha a sala de aula como destino líquido e certo. Hoje, as instituições de ensino continuam sendo opções muito frequentes para os graduados desse curso, mas elas têm dividido espaço cada vez maior com atividades bem diversificadas, como os ramos da memória empresarial, da museologia e da restauração.
As empresas, por exemplo, têm requerido mais e mais profissionais formados em história para organizar e montar o acervo de sua própria trajetória.
O ramo da consultoria, com análises especializadas e pontuais, feitas sob encomenda, também tem movimentado o mercado de historiadores, segundo apontam especialistas. O trabalho de restauração é outra atuação possível e é realizado com equipes multidisciplinares, em parceria com arquitetos.
Além dessas áreas, os museus são outros destinos recorrentes para os historiadores. Entre suas funções diárias, está o acompanhamento e a monitoria de grupos de estudantes, além da elaboração de roteiros e de oficinas no museu.
Embora a educação não formal e outras atividades recentes tenham ajudado a alargar o mercado de trabalho para o formado em história, a sala de aula continua sendo o principal destino desse profissional, posto que com a expansão das universidades federais, cresceu a demanda por professores de nível superior.
No entanto, se o destino é tradicional, as exigências para o recém-formado são novas. É que o mercado contemporâneo dá preferência ao professor que domine as novas tecnologias, as plataformas do ensino a distância, a lousa digital. Ele precisa saber aliar o conhecimento teórico ao tecnológico.
Seja qual for a atuação no mercado, os professores dos cursos de história são unânimes: quem escolhe prestar vestibular para essa carreira deve saber que enfrentará uma graduação com uma carga muito grande de leitura sobre uma ciência que não para nunca. Afinal, a cada dia que passa, a história fica um dia mais longa.

Da Folha de São Paulo

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Professores do Museu de História Natural da UEPB realizam coleta de calcário fossilífero no litoral sul da Paraíba


Os professores Doutores Juvandi Santos (arqueólogo) e Márcio Mendes (paleontólogo), visitaram, recentemente, parte do litoral sul da Paraíba, com dois objetivos básicos: primeiro, localizar e coletar fósseis em rochas calcárias no litoral da Paraíba, bem como identificar os principais pontos de afloramentos desse tipo de material; e, em segundo lugar, investigar se os afloramentos de amontoados de conchas tratam-se ou não de sítios arqueológicos do tipo Sambaqui - denominação dada à sítios pré-históricos formados pela acumulação de conchas e moluscos, ossos humanos e de animais, que foram descobertos em várias regiões do Brasil.

Com relação aos amontoados de conchas, os professores chegaram, depois de uma análise preliminar, a conclusão de que configuram-se como depósitos recentes, feitos por pescadores e barraqueiros locais. Mas, segundo eles, nada está comprovado acerca da existência dos Sambaquis na Paraíba. É possível, afirma Juvandi Santos, que na época do contato, fosse mais fácil localizá-los, pois progressivamente, os Sambaquis foram destruídos em todo o Brasil para o fabrico da cal a ser empregado nas construções.

Outro fator que dificulta a identificação dos Sambaquis na Paraíba, é o mar que, nitidamente, tem avançado continente adentro o que, possivelmente, ou destruiu ou cobriu esses depósitos de conchas pré-históricas. O material coletado em campo irá compor o acervo do Museu de História Natural da UEPB.